33 milhões não votaram; Lula recua em 25 estados e Flávio avança em 26
Abstenção foi a maior desde 1998; comparação com 2022 mostra mudança em todas as regiões, viradas em Minas e Tocantins e 714 cidades que trocaram de vencedor

O Brasil não registrava uma abstenção tão alta em um primeiro turno presidencial desde 1998. Neste domingo (4), 21,08% dos eleitores não compareceram às urnas. Foram 33,4 milhões de brasileiros fora da votação.
Entre os que votaram, o resultado também deixou diferenças importantes em relação a 2022.
Há quatro anos, Lula recebeu 57,2 milhões de votos e terminou o primeiro turno 6,1 milhões à frente de Jair Bolsonaro. Agora, Flávio Bolsonaro teve 56,1 milhões e Lula, 53,8 milhões, uma diferença de 2,2 milhões para o candidato do PL.
Na comparação com a própria votação de 2022, Lula perdeu cerca de 3,4 milhões de votos. Flávio recebeu aproximadamente 5 milhões a mais do que Jair havia obtido no primeiro turno daquela eleição.
O movimento aparece em praticamente todo o país. Lula teve percentual menor em 25 dos 26 estados. A única exceção foi o Amapá, onde passou de 45,67% para 45,71%. No Distrito Federal, também cresceu, de 36,85% para 38,11%.
Flávio fez o caminho inverso na comparação com Jair: aumentou o percentual em todos os 26 estados. A única queda ocorreu no Distrito Federal, de 51,65% para 51,31%.
Em Mato Grosso, a mudança foi de tamanho da vantagem. Lula caiu de 34,39% para 29,18%, perda de 5,21 pontos percentuais. Flávio chegou a 65,15%, 5,31 pontos acima dos 59,84% obtidos por Jair Bolsonaro em 2022.
A distância entre os dois passou de pouco mais de 25 para quase 36 pontos percentuais. O estado também teve 585.668 eleitores ausentes, uma abstenção de 22,20%, acima da média nacional.
Em Sinop, o movimento foi ainda mais acentuado. Jair teve 72,16% em 2022 e Flávio chegou a 76,66% agora. Lula passou de 22,90% para 18,27%. Em votos, Flávio recebeu 73.701, contra 17.568 de Lula.
No restante do Centro-Oeste, a tendência também foi de crescimento de Flávio e queda de Lula.
Em Goiás, Lula teve a maior perda percentual do país: caiu de 39,51% em 2022 para 31,06% agora. Flávio ficou com 53,60%, acima dos 52,16% de Jair.
No Mato Grosso do Sul, Lula passou de 39,04% para 34,68%, enquanto o resultado de Flávio chegou a 58,60%, contra 52,70% de Jair quatro anos atrás.
O Distrito Federal foi a exceção dos dois lados. Lula cresceu 1,26 ponto, chegando a 38,11%, enquanto Flávio teve 51,31%, 0,34 ponto abaixo do pai.
No Norte, a soma dos estados também mudou de vencedor em relação a 2022.
No Acre, Lula passou de 29,26% para 28,73%, enquanto Flávio chegou a 64,56%, acima dos 62,50% de Jair. Em Rondônia, Lula caiu de 28,98% para 25,89% e Flávio subiu de 64,36% para 67,45%.
Roraima continuou sendo um dos estados de maior vantagem para o candidato do PL. Lula passou de 23,05% para 22,86%; Flávio chegou a 71,06%, contra 69,57% de Jair.
Nos três estados do Norte em que Lula continuou vencendo, a diferença diminuiu. No Amazonas, ele caiu de 49,57% para 48,13%, enquanto Flávio passou dos 42,81% de Jair para 45,08%. No Pará, Lula recuou de 52,22% para 49,90% e Flávio chegou a 44,51%, ante 40,27% em 2022.
O Amapá teve a disputa estadual mais apertada: Lula ficou com 45,71% e Flávio, com 45,67%. Foi também o único estado onde Lula melhorou, ainda que por apenas 0,04 ponto. Flávio, por outro lado, ficou 2,26 pontos acima de Jair.
No Tocantins houve uma das duas trocas de vencedor do país. Lula havia vencido em 2022 com 50,40%, mas caiu para 43,42%. Flávio chegou a 50,44%, contra 44% de Jair quatro anos atrás.
No Nordeste, Lula continuou sendo o mais votado nos nove estados, mas perdeu percentual em todos eles. Flávio, na comparação com Jair, cresceu nos nove.
Na Bahia, Lula passou de 69,73% para 66,12%, enquanto Flávio chegou a 28,58%, ante 24,31% de Jair. No Ceará, Lula caiu de 65,91% para 63,28%, e Flávio avançou de 25,38% para 31,28%.
No Maranhão, Lula foi de 68,84% para 63,95%; Flávio chegou a 30,93%, contra 26,02% de Jair. No Piauí, onde Lula obteve seu maior percentual no país, passou de 74,25% para 70,97%. Flávio subiu de 19,90% para 24,10%.
Na Paraíba, Lula caiu de 64,21% para 61,31%, enquanto Flávio passou de 29,62% para 33,07%. Em Pernambuco, Lula foi de 65,27% para 63,45%, e Flávio, de 29,91% para 31,03%.
No Rio Grande do Norte, Lula passou de 62,98% para 59,75%; Flávio chegou a 34,77%, contra 31,02% de Jair. Em Sergipe, Lula caiu de 63,82% para 62,75%, e Flávio subiu de 29,16% para 30,63%.
Alagoas fechou o Nordeste com Lula em 54,73%, abaixo dos 56,50% de 2022, enquanto Flávio alcançou 40,45%, contra 36,05% de Jair.
No Sudeste, Flávio venceu os quatro estados. A principal mudança aconteceu em Minas Gerais, que havia dado maioria a Lula quatro anos atrás.
Em Minas, Lula caiu de 48,29% para 43,32%, enquanto Flávio chegou a 48,24%, 4,64 pontos acima dos 43,60% de Jair em 2022. Mesmo assim, Lula venceu em mais municípios mineiros: 452 contra 401 de Flávio. A diferença veio principalmente das cidades mais populosas.
Em São Paulo, Lula passou de 40,89% para 38,20%. Flávio chegou a 51,93%, contra 47,71% de Jair. Na capital, porém, Lula terminou à frente, mostrando que o comportamento da cidade de São Paulo foi diferente do conjunto do estado.
No Rio de Janeiro, Lula caiu de 40,68% para 39,41%, enquanto Flávio avançou de 51,09% registrados por Jair para 53,01%.
No Espírito Santo, Lula passou de 40,40% para 37,76%. Flávio teve 54,78%, acima dos 52,23% de Jair.
No Sul, Flávio também venceu os três estados e aumentou o percentual registrado pelo pai em todos eles.
No Paraná, Lula caiu de 35,99% para 31,20%, enquanto Flávio subiu de 55,26% para 59,91%.
Em Santa Catarina, Lula passou de 29,54% para 25,04%. Flávio chegou a 66,65%, contra 62,21% de Jair.
O Rio Grande do Sul registrou uma das maiores mudanças do país. Lula caiu de 42,28% para 35,73%, perda de 6,55 pontos percentuais. Flávio chegou a 55,64%, 6,75 pontos acima do resultado de Jair em 2022. Apesar disso, Porto Alegre deu mais votos a Lula.
Quando o mapa desce dos estados para as cidades, a dimensão da mudança aparece de outra forma.
Dos 5.571 municípios brasileiros, Flávio terminou à frente em 2.906. Lula venceu em 2.663. Duas cidades terminaram empatadas entre os dois.
Na comparação direta com 2022, Flávio virou 714 municípios que haviam dado mais votos a Lula quatro anos atrás. Minas Gerais teve 178 dessas mudanças e o Rio Grande do Sul, 134.
No sentido contrário, Lula não virou nenhum município que havia dado maioria a Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022.
Há ainda cidades em que a disputa praticamente terminou voto a voto. Em Trabiju, em São Paulo, Lula e Flávio tiveram 574 votos cada. Em Crixás do Tocantins, foram 679 para cada um.
A abstenção completa o retrato. Os 33,4 milhões de ausentes representaram 21,08% do eleitorado, acima dos 20,79% registrados em 2022. Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo ficaram entre os estados com maior ausência, enquanto Ceará, Roraima, Piauí e Sergipe estiveram entre os menores índices.
Colocados lado a lado, os números de 2022 e 2026 mostram um movimento espalhado pelo país, e não restrito a uma região.
Lula manteve a vitória nos nove estados do Nordeste e em Amazonas, Pará e Amapá, mas teve percentual menor em quase todos eles. Flávio ampliou o resultado obtido por Jair em todos os 26 estados, virou Minas Gerais e Tocantins e passou a liderar também o conjunto da região Norte.
Mato Grosso permaneceu entre os estados onde o candidato do PL já era majoritário, mas a diferença aumentou. Em Sinop, ocorreu o mesmo.
Ao mesmo tempo, mais de 33 milhões de brasileiros simplesmente não foram às urnas.
É esse conjunto, e não um único número, que mostra como o mapa do voto brasileiro mudou em quatro anos.
Publicado originalmente em deixaqueeuteconto.com.br



