Amado Batista é multado em R$ 157 mil por desmatamento de 157 hectares em fazenda em MT
Fiscalização identificou sinais de corte de vegetação nativa sem autorização em área de Cerrado; propriedade foi embargada e deverá passar por recuperação ambiental

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) multou o cantor Amado Batista em R$ 157.140 por desmatamento de 157,14 hectares de vegetação nativa na Fazenda Esperança, localizada na zona rural de Cocalinho, a 923 quilômetros de Cuiabá. Além da penalidade financeira, a área foi embargada, e atividades relacionadas ao uso do local degradado foram proibidas.
Conforme os documentos da fiscalização, o auto de infração foi lavrado em 13 de outubro de 2026, após vistoria realizada por policiais militares ambientais. A equipe identificou indícios de corte raso de vegetação nativa sem autorização ambiental, em uma área situada fora da reserva legal do imóvel.
Fiscalização encontrou sinais de uso de máquinas
O relatório técnico descreve a área afetada como um ambiente de varjão do bioma Cerrado, caracterizado por solos sujeitos a encharcamento sazonal e vegetação adaptada a essas condições. Durante a vistoria, os agentes encontraram restos de vegetação nativa amontoados, marcas de máquinas pesadas e sinais de revolvimento e possível compactação do solo.
A equipe também analisou imagens de satélite para avaliar as mudanças na cobertura vegetal. Os registros indicaram uma redução persistente da vegetação entre julho e agosto de 2026, sem recuperação identificada até setembro. Segundo o relatório, o índice de vegetação caiu de 0,41 para 0,32 no período analisado, resultado que reforçou os indícios de supressão da cobertura nativa.
Fazenda tem 10,6 mil hectares
Durante as consultas aos sistemas ambientais oficiais, os policiais identificaram Amado Batista como proprietário da Fazenda Esperança, imóvel com aproximadamente 10,6 mil hectares registrado no Cadastro Ambiental Rural (CAR). De acordo com o relatório, não foi encontrada autorização para desmatamento nem declaração de limpeza de área que justificasse a intervenção constatada.
A multa foi calculada à razão de R$ 1 mil por hectare desmatado. O valor corresponde à extensão da área apontada pela fiscalização como atingida pela supressão irregular da vegetação nativa.
Proprietário tem prazo para apresentar defesa
Após a autuação, o cantor tem 20 dias para pagar a multa, apresentar defesa administrativa ou solicitar conciliação junto à Sema-MT. O relatório técnico também prevê a apresentação de um plano de recuperação da área degradada, com medidas voltadas à recomposição da vegetação nativa.
O embargo deverá permanecer em vigor até que a autoridade competente autorize a liberação da área. A medida restringe atividades relacionadas ao local afetado enquanto persistirem as condições que motivaram a sanção.
A autuação tem natureza administrativa e, por si só, não representa uma condenação criminal. Os documentos da fiscalização não informam se Amado Batista já apresentou defesa contra a penalidade.
Publicado originalmente em infoverus.com.br

