Angéliquinha é apontada como liderança do CV em garimpos e na lavagem de dinheiro em MT
Apontada como uma das lideranças da facção no Nortão de Mato Grosso, mulher de 34 anos foi presa na Bolívia após mais de um ano foragida; filha é investigada por movimentar R$ 20 milhões em dois anos

Angélica Saraiva de Sá, conhecida como Angéliquinha, voltou à Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto, em Cuiabá, nesta terça-feira (20), para começar a cumprir uma pena acumulada de 260 anos de prisão. Apontada como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso, ela é investigada por envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outras atividades da facção, principalmente na região conhecida como Nortão e em áreas de garimpo.
Angélica estava foragida havia mais de um ano e foi localizada em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, no dia 22 de setembro deste ano. A prisão foi resultado de investigações e do compartilhamento de informações entre forças de segurança brasileiras e bolivianas.
A ação contou com a participação da Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), além da Gerência Estadual de Polinter (Gepol), em conjunto com a polícia boliviana.
Durante o período em que permaneceu na Bolívia, Angéliquinha vivia em condições de luxo, em uma casa de alto padrão e com veículos de primeira linha. Depois de ser presa, foi transferida para Mato Grosso do Sul, onde ficou por quase um mês antes de ser recambiada para Mato Grosso.
A transferência foi feita de avião. Na tarde desta terça-feira (20), Angélica foi levada à sede da GCCO sob forte escolta armada e, posteriormente, encaminhada à Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto, na Capital.
Lavagem de dinheiro e atuação da família
De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Angéliquinha não se limitava à atuação direta no tráfico de drogas. Ela também teria participado de atividades financeiras e de apoio à facção, incluindo lavagem de dinheiro e repasse de informações em Alta Floresta.
“drogas, mas era envolvida no crime dessa forma, levar informações, lavar dinheiro e atuar como o braço direito dela para a facção lá na cidade de Alta Floresta. Com empresas fachadas e transferências bancárias”, explicou o delegado.
A investigação também apontou a participação de familiares nas atividades atribuídas à faccionada. Um dos casos citados pelo delegado é o da filha de Angéliquinha, a influenciadora digital Kauany Beatriz de Sá Silva, de 20 anos, que teria movimentado R$ 20 milhões em suas contas ao longo de dois anos.
Segundo o delegado, Kauany teria três empresas de fachada e movimentado valores incompatíveis com a renda declarada. “A filha dela, uma menina de 20 anos, com uma renda que não existe, uma renda inexistente, movimentou 20 milhões de reais na conta dela. Em dois anos, 20 milhões. Três empresas de fachada. Então, assim, a família dela atuava no crime com lavagem de dinheiro e levava e trazia informações em favor dela”, afirmou.
Kauany foi alvo da Operação Showdown, deflagrada em março deste ano, e chegou a ser presa. Ela, porém, foi solta durante a audiência de custódia por estar gestante. Atualmente, é monitorada por tornozeleira eletrônica.
As apurações apontam que a estrutura ligada a Angéliquinha envolvia empresas de fachada, transferências bancárias e circulação de informações em benefício da organização criminosa, além das atividades relacionadas ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



