Após mais de 10 dias sem notícias, mãe de professor desaparecido procura DHPP e diz que perdoaria quem fez mal ao filho
Em conversa com delegado, mãe de Breno Humberto de Moraes afirmou que só quer encontrar o filho; polícia diz já ter realizado todas as medidas possíveis e aguarda informações técnicas para avançar no caso

A mãe do professor Breno Humberto de Moraes, desaparecido há mais de 10 dias, esteve na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá nesta quarta-feira (7) para buscar informações sobre o andamento das investigações. Em meio à angústia pelo desaparecimento do filho, ela afirmou que seria capaz de perdoar a pessoa que teria feito mal a ele e que sua única preocupação é encontrá-lo.
O relato foi feito pelo delegado Bruno Abreu, que conversou com a mãe durante uma longa reunião na delegacia. Segundo ele, apesar da dor e da preocupação, ela demonstrou confiança no trabalho da Polícia Civil e repassou informações consideradas relevantes para a investigação.
“Ela foi ontem na delegacia me procurar, uma conversa bastante longa, até emocionante, da parte dela, da minha parte, apesar de estar há quatro anos na delegacia de homicídios. Passou algumas informações relevantes para nós, mostrou total confiança no nosso trabalho, apesar da angústia do desaparecimento, no momento de dor ainda conseguiu falar palavras bonitas para nós, dando confiança para a gente e se sentindo até aliviada depois da nossa conversa com ela”, disse o delegado Bruno Abreu.
Breno desapareceu depois de sair de casa para se encontrar com uma pessoa e não foi mais visto desde então. Desde o início do caso, familiares têm buscado informações sobre o paradeiro do professor.
De acordo com o delegado, a decisão da mãe de procurar diretamente a DHPP ocorreu também após ela ter visto comentários nas redes sociais afirmando que a Polícia Civil estaria tratando o desaparecimento com descaso. Bruno Abreu afirmou compreender a reação da população, mas explicou que uma investigação desse tipo envolve procedimentos complexos e depende, em alguns casos, de dados e recursos tecnológicos que não permitem uma resposta imediata.
O delegado disse ainda que foi transparente com a mãe sobre as possibilidades consideradas pela investigação, inclusive diante do tempo transcorrido desde o desaparecimento.
“Ela chorou bastante, claro, uma mãe que está sem seu filho, e um fato que me chamou a atenção é que mesmo naquele momento de dor dela, ela chegou a falar até em perdão a quem teria feito isso. Naquele momento ali ela disse que a única preocupação dela era encontrar o filho, apesar de a gente explicar a probabilidade dele estar morto, nessas horas a gente precisa ser sincero com a mãe, pelo tempo, e falar para ela confiar na polícia porque a resposta vai ser dada”.
Durante a conversa, a equipe da DHPP também explicou que nem todas as informações podem ser divulgadas neste momento, justamente para não comprometer o andamento da apuração. A mãe, segundo o delegado, compreendeu as limitações e saiu da delegacia mais tranquila após receber esclarecimentos sobre o trabalho realizado.
“Tem detalhes que eu não posso comentar, também não pude comentar certos detalhes com ela, que entendeu. Então, quando uma mãe que está sem seu filho confia na polícia, isso gera mais responsabilidade para nós, aumenta a nossa responsabilidade e o que eu disse para ela é para apenas confiar no nosso trabalho, toda a Delegacia de Homicídios está empenhada. Tem coisas que fogem do nosso controle, expliquei isso a ela. Tem informações técnicas que não dependem de nós. Eu falo para vocês: tudo, 100%, o que a Delegacia de Homicídios poderia fazer, ela já fez. Tanto junto ao Ministério Público, Judiciário, então, assim, agora são só detalhes para a gente conseguir avançar e prender esse suspeito”.
A Polícia Civil afirma que a DHPP permanece empenhada na localização de Breno e na apuração do desaparecimento. Segundo Bruno Abreu, parte das etapas necessárias já foi cumprida em conjunto com o Ministério Público e o Judiciário, enquanto os investigadores aguardam informações técnicas que podem permitir novos avanços no caso.
Publicado originalmente em infoverus.com.br
