Bancada do agronegócio reelege 2 em cada 3 parlamentares e já conta com 4 governadores eleitos em 1º turno
FPA reelege 185 parlamentares no Congresso e estima chegar a cerca de 330 deputados federais na próxima legislatura, mas também perde nomes de peso

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), maior bancada e uma das mais influentes do Congresso Nacional, ampliou sua presença nas eleições deste domingo (4) e projeta uma participação ainda maior no Legislativo a partir de 2027. Dos 279 integrantes que disputaram algum cargo no Congresso, 185 foram reeleitos ou eleitos para novas funções, o equivalente a 66% dos candidatos, segundo levantamento do Estadão/Broadcast com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e na relação de integrantes divulgada pela própria frente.
Considerando também os resultados para Assembleias Legislativas e governos estaduais, a FPA contabiliza 215 parlamentares vitoriosos, conforme levantamento da própria bancada.
Atualmente, a frente reúne 345 parlamentares, sendo 297 deputados federais e 48 senadores. Na Câmara, o grupo corresponde a 57,9% dos parlamentares e participa de comissões estratégicas, como as de Meio Ambiente, Constituição e Justiça, Relações Exteriores e Agricultura.
O resultado no Senado foi um dos principais destaques. Das 54 vagas que estavam em disputa, 24 foram conquistadas por integrantes da bancada do agro. Isso significa que um em cada três senadores eleitos em 2026 tem origem na bancada ligada ao setor agropecuário na Câmara.
Com os resultados já conhecidos e sem contabilizar novas adesões, a FPA deverá manter pelo menos 40 cadeiras no Senado. O cálculo considera os seis senadores da bancada que foram reeleitos entre os 18 que disputaram a permanência no cargo.
Além deles, 18 deputados federais que integravam a FPA foram eleitos para o Senado, entre 32 que concorreram às vagas. A lista inclui Zé Medeiros (PL-MT), Arthur Lira (PP-AL), Bia Kicis (PL-DF), Evair de Melo (Republicanos-ES), Gustavo Gayer (PL-GO), André Fufuca (PP-MA), Carlos Jordy (PL-RJ), Marcel van Hattem (Novo-RS), Domingos Sávio (PL-MG), Carol de Toni (PL-SC) e Guilherme Derrite (PP-SP).
A bancada ainda conta com 18 senadores que possuem mandato até 2031. Entre eles estão a vice-presidente da FPA no Senado, Tereza Cristina (PP-MS), e Jaime Bagattoli (PL-RO). Três deles, porém, deixarão o Congresso antes do fim do mandato porque foram eleitos governadores: Sergio Moro (PL-PR), Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) e Marcos Rogério (PL-Rondônia).
Para a próxima legislatura, a FPA já identificou outros 15 senadores eleitos que considera alinhados às pautas do setor. Com a possibilidade de novas filiações, a projeção é chegar a entre 50 e 55 integrantes no Senado a partir de 1º de fevereiro de 2027.
Na Câmara, dos 297 atuais deputados ligados à frente, 261 concorreram à reeleição e 179 conseguiram novo mandato. Entre os parlamentares que retornam está a deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT), que teve como uma de suas principais bandeiras o fim da moratória da soja, e Julia Zanatta (PL-SC). As duas foram as deputadas mais votadas em seus respectivos Estados.
O presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), também foi reeleito. Outro nome apontado para disputar a sucessão no comando da frente a partir de 2027, Zé Vitor (PL-MG), conseguiu novo mandato com votação expressiva.
Para alcançar maioria na Câmara, a FPA ainda precisa conquistar a adesão de 78 novos deputados. A estimativa interna é que a frente tenha aproximadamente 330 deputados a partir de fevereiro, considerando os reeleitos e os novos parlamentares que possuem afinidade com as pautas do agronegócio.
Governadores
A influência da bancada também se estendeu aos governos estaduais. Quatro candidatos ligados à FPA foram eleitos no primeiro turno: Cleitinho Azevedo (Republicanos), em Minas Gerais; Sergio Moro (PL), no Paraná; Marcos Rogério (PL), em Rondônia; e Luciano Zucco (PL), no Rio Grande do Sul.
No Acre e no Tocantins, integrantes da frente seguem na disputa pelo segundo turno. No Acre, o senador Alan Rick (Republicanos) concorre ao governo. No Tocantins, estão na disputa a senadora Professora Dorinha (União Brasil) e o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB).
Em Mato Grosso, a vice-governadora eleita Gisela Simona (União) também integra a FPA na condição de deputada.
Lupion, que continuará à frente da bancada, avaliou positivamente o desempenho dos integrantes da FPA e afirmou esperar a chegada de novos parlamentares identificados com o setor agropecuário em 2027. Para ele, o resultado está relacionado tanto à defesa das pautas do agronegócio quanto ao posicionamento político dos integrantes, concentrados entre a centro-direita e a direita.
“Foi um desempenho muito bom em uma eleição com uma onda muito forte da direita radical. As questões que defendemos, como a redução dos gastos públicos, e o posicionamento dos parlamentares fazem esse resultado. No Senado tivemos um crescimento absoluto exponencial e queremos eleger Tereza Cristina a presidente da Casa”, disse ao Estadão/Broadcast.
Apesar do avanço, a FPA também perderá nomes considerados importantes para sua articulação no Congresso. Na Câmara, o vice-presidente da frente, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), não disputou a eleição e deixará o cargo em fevereiro.
Outro vice-presidente da FPA e presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara, Luiz Nishimori (PSD-PR), não conseguiu a reeleição, embora tenha ficado como suplente. A deputada Ana Paula Leão (PP-MG), que preside a Frente Parlamentar em Apoio ao Produtor de Leite, também não renovou o mandato e terminou entre os suplentes do Estado.
O ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, Ricardo Salles (Novo-SP), desistiu de disputar uma vaga no Senado por São Paulo e também ficará fora da Câmara. Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) não concorreu novamente ao cargo de deputado.
Também não conseguiram permanecer na Câmara os deputados Nelson Barbudo (Podemos-MT) e Zé Silva (União-MG).
No Senado, Irajá (PSD-TO), Jayme Campos (União-MT) e Luis Carlos Heinze (PP-RS) não disputaram a eleição e deixarão a Casa em fevereiro. Já o presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, Zequinha Marinho (Podemos-PA), e o senador Esperidião Amin (PP-SC) não conseguiram renovar os mandatos.
Por outro lado, parlamentares que ocupam posições de destaque nas pautas ligadas ao agronegócio e na direção da FPA garantiram a permanência no Congresso. Além de Lupion e Zé Vitor, o ex-presidente da frente e integrante da diretoria, Sérgio Souza (MDB-PR), foi reeleito.
Também conquistaram novos mandatos Alceu Moreira (MDB-RS), que atua em pautas relacionadas ao biodiesel; Afonso Hamm (PP-RS), relator do projeto de lei sobre securitização das dívidas rurais; além de Marussa Boldrin (Republicanos-GO), Rafael Pezenti (MDB-SC) e Tião Medeiros (PP-PR).
Publicado originalmente em infoverus.com.br



