Banqueiros, investidores e executivos buscam aproximação com Flávio Bolsonaro
André Esteves, do BTG Pactual, e Joesley Batista, da JBS, intensificaram contatos com o entorno do senador depois do resultado do primeiro turno

Executivos e grandes empresários passaram a disputar reuniões com Flávio Bolsonaro (PL) e seus assessores após o desempenho do senador no primeiro turno da eleição presidencial. A movimentação acelerou uma mudança de comportamento que já vinha sendo observada durante o período anterior à votação, quando a melhora do candidato nas pesquisas começou a alterar as expectativas do setor empresarial sobre a disputa.
Até poucos meses atrás, as perspectivas eleitorais consideradas desfavoráveis a Flávio levavam empresários a buscar maior proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com o resultado das urnas, porém, as articulações em torno do senador ganharam intensidade, segundo pessoas familiarizadas com as conversas ouvidas pela Bloomberg News.
Entre os nomes que simbolizam essa reaproximação estão André Esteves, chairman do BTG Pactual, e Joesley Batista, controlador da JBS. Os dois empresários já mantinham relações com diferentes grupos políticos, mas passaram a intensificar os contatos com o entorno de Flávio à medida que o candidato avançava nas pesquisas e, posteriormente, após o primeiro turno.
Esteves muda de interlocução e tenta influenciar escolhas econômicas
A movimentação de André Esteves chama a atenção porque, cerca de um mês antes, ele havia ajudado a organizar um jantar oferecido por Lula no Palácio da Alvorada. O banqueiro participou da seleção dos empresários convidados e do envio dos convites para o encontro, que reuniu representantes do setor privado, entre eles Joesley Batista.
Agora, segundo as fontes ouvidas pela Bloomberg News, Esteves tem buscado ampliar sua influência junto ao grupo de Flávio Bolsonaro. Além de manter contatos com o senador, o presidente do BTG estaria participando das conversas sobre possíveis integrantes de um eventual governo, com atenção especial à área econômica.
Entre as sugestões atribuídas ao banqueiro está o nome de Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, para comandar o Ministério da Fazenda. A movimentação indica que parte do setor empresarial não se limita a buscar acesso ao candidato, mas também tenta participar das discussões sobre os nomes que poderiam ocupar posições estratégicas em uma eventual administração.
Joesley Batista também busca aproximação
O controlador da JBS é outro empresário citado na movimentação. De acordo com as pessoas familiarizadas com as articulações, assessores de Joesley Batista têm procurado estreitar os vínculos com o círculo político de Flávio Bolsonaro.
A aproximação ocorre apesar de Batista ter mantido interlocução com o governo Lula. Em 2023, o empresário viajou à China com o presidente, e, mais recentemente, esteve entre os convidados do jantar organizado no Palácio da Alvorada com a participação de André Esteves.
A intensificação dos contatos com Flávio acompanha a mudança nas expectativas políticas após o primeiro turno. As informações relatadas pela Bloomberg News indicam uma movimentação gradual, iniciada ainda durante a campanha e acelerada depois do resultado eleitoral.
Relações políticas atravessam diferentes grupos
Tanto Esteves quanto Batista mantêm relações com diferentes setores do espectro político. O BTG Pactual é apresentado como o maior banco de investimento da América Latina, enquanto a JBS é a maior produtora de carne do mundo, o que coloca os dois empresários entre os representantes de grandes grupos econômicos com interesse na interlocução com o poder público.
No caso de Esteves, as conversas com o entorno de Flávio incluem também uma aproximação crescente com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apontado como um dos principais aliados da família Bolsonaro. O banqueiro também teria jantado reservadamente com Flávio algumas semanas antes da eleição.
O conjunto das movimentações mostra como o avanço eleitoral do senador alterou a dinâmica de interlocução entre empresários e grupos políticos. As articulações relatadas pela Bloomberg News envolvem desde a busca por acesso ao candidato até tentativas de influenciar a composição de uma eventual equipe de governo, embora não indiquem, por si só, que os nomes discutidos tenham sido escolhidos ou que as conversas resultem em futuras nomeações.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



