China impõe tarifa extra sobre carne bovina brasileira
Sobretaxa de 55% para volumes acima da cota anual ameaça exportações e preocupa frigoríficos em Mato Grosso

A partir de 1º de outubro de 2026, a China passou a cobrar uma tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina brasileira que exceder a cota anual de 1,1 milhão de toneladas. Com isso, o imposto total chega a 67%, medida que já provoca apreensão entre pecuaristas e frigoríficos, especialmente em Mato Grosso, estado líder na produção e exportação de carne bovina.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), a mudança pode reduzir em até 10% as exportações brasileiras neste ano. Entre 2016 e 2025, o Brasil enviou 8,2 milhões de toneladas de carne bovina para a China, movimentando mais de US$ 42 bilhões. A nova regra, portanto, representa um duro golpe para o setor, que tem na China seu principal mercado consumidor.
Em Mato Grosso, frigoríficos de cidades como Rondonópolis, Cuiabá e Cáceres já avaliam estratégias para minimizar perdas. Uma das alternativas é antecipar embarques para aproveitar a cota de 2027, que será ligeiramente maior, de 1,128 milhão de toneladas. Ainda assim, especialistas alertam que esse volume pode se esgotar já no primeiro trimestre do próximo ano.
A medida chinesa tem como objetivo proteger o setor pecuário doméstico, que enfrenta concorrência da carne importada mais barata. No entanto, para o Brasil, o impacto vai além da balança comercial: há risco de queda na produção, redução de empregos e diminuição da arrecadação em estados produtores.
O desafio agora é diversificar mercados. Países do Oriente Médio e do Sudeste Asiático aparecem como alternativas para reduzir a dependência da China, mas a transição exige tempo e investimentos em logística e certificações sanitárias.
Publicado originalmente em paineldiario.com.br
