Como Nossa Senhora Aparecida entrou na disputa eleitoral e o que Flávio Bolsonaro tem a ver com isso
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Nossa Senhora Aparecida virou protagonista de uma polêmica que se espalhou pelas redes sociais na quinta-feira 24, com publicações que acusam o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de querer retirar da santa o título de padroeira do País.
A controvérsia ganhou ainda mais repercussão depois que a jornalista Maria Cristina Fernandes abordou o tema no canal GloboNews. O projeto que deu origem ao debate foi apresentado em 2007, por um aliado político de Jair Bolsonaro (PL), e está arquivado desde agosto de 2008.
O episódio ganhou repercussão em um momento em que a religião ocupa espaço crescente na disputa eleitoral. A declaração de Flávio, feita em agosto, de que, se eleito, um de seus primeiros atos seria "decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo" voltou a circular junto com as publicações sobre a santa. A fala foi interpretada por setores católicos como um aceno a grupos evangélicos e alimentou o debate sobre o lugar das diferentes tradições cristãs na política brasileira.
A proposta mencionada nas publicações é o Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado em 12 de dezembro de 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli, de Mato Grosso, à época filiado ao PMDB (atual MDB). O texto pretendia alterar a ei de 1980 que instituiu o feriado nacional de 12 de outubro em nomenagem a Nossa Senhora Aparecida.
A proposta previa substituir a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos". "A
alteração tira o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, que diga-se de passagem, não deve ter este ou aquele padroeiro por ser um Estado laico", diz o texto. A Comissão de Educação e Cultura da Câmara rejeitou o projeto em julho de 2008. Depois do fim do prazo para recurso, a proposta foi arquivada em 22 de agosto daquele ano.
Gallı tem uma ligação forte com o bolsonarismo. Em 2019, foi nomeado assessor especial da Presidência da República, durante o governo de Jair Bolsonaro, para trabalhar na Casa Civil, então comandada por Onyx Lorenzoni. Ele deixou o cargo meses depois, após ser condenado pela Justiça a pagar 100 mil reais em indenização por declarações homofóbicas. A ação foi apresentada pela Defensoria Pública de Mato Grosso.
Na ocasião, Galli afirmou, em entrevista a uma rádio local, que personagens da Disney faziam apologia à homossexualidade. "Inclusive o Mickey, se você fizer um estudo profundo como eu já fiz, ele representa de fato, ele é homossexual, tá. Então, as pessoas estão enganadas com essa mensagem subliminar que a Disney está passando para a sociedade, principalmente às nossas crianças", disse à época.
Como o assunto chegou a Flávio Bolsonaro
A controvérsia ganhou espaço na GloboNews na noite de quinta-feira. Durante o programa Em Pauta, Maria Cristina Fernandes mencionou um suposto movimento de setores católicos em reação a uma parcela de evangélicos que estaria mobilizando um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
A fala não atribuía a proposta a Flávio Bolsonaro. Nas redes sociais, porém, trechos do comentário passaram a circular associados ao senador, com publicações afirmando que ele pretendia retirar ou apoiaria a retirada do título da santa. A associação ganhou força em meio à repercussão de sua declaração de que pretende declarar o Brasil pertencente a Jesus Cristo.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) se manifestou sobre o projeto. Em publicação no X, afirmou repudiar a proposta apresentada por Galli e ressaltou que, embora não seja católica e defenda o Estado laico, considera a iniciativa inadequada. A congressista escreveu que a proposta não buscava ampliar a diversidade religiosa, mas atingir um símbolo de identificação de parte da população brasileira.
A controvérsia levou a GloboNews a "corrigir" a informação na madrugada desta sexta-feira 25. No programa Edição da Meia-Noite, a emissora esclareceu que o projeto havia sido apresentado em dezembro de 2007 e arquivado em agosto de 2008. Ao final da nota, pediu desculpas pelo erro.
Flávio reagiu ainda na noite de quinta-feira, durante uma agenda em Minas Gerais. Em vídeo publicado nas redes sociais, negou que pretenda retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida e atribuiu a circulação da informação a adversários políticos.
"Estamos aqui na correria de agenda em Minas Gerais e sou surpreendido com uma mentira, uma fake news daquelas, pra variar, que a milícia do PT está inventando na internet: que eu iria tirar a padroeira do Brasil. Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto. Então vamos lá, até o final, o PT só sabe fazer isso: mentir. Chegou no poder pela mentira, mas a gente vai tirar ele com a verdade", disse o presidenciável.
Fonte: Carta Capital
A controvérsia ganhou ainda mais repercussão depois que a jornalista Maria Cristina Fernandes abordou o tema no canal GloboNews. O projeto que deu origem ao debate foi apresentado em 2007, por um aliado político de Jair Bolsonaro (PL), e está arquivado desde agosto de 2008.
O episódio ganhou repercussão em um momento em que a religião ocupa espaço crescente na disputa eleitoral. A declaração de Flávio, feita em agosto, de que, se eleito, um de seus primeiros atos seria "decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo" voltou a circular junto com as publicações sobre a santa. A fala foi interpretada por setores católicos como um aceno a grupos evangélicos e alimentou o debate sobre o lugar das diferentes tradições cristãs na política brasileira.
A proposta mencionada nas publicações é o Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado em 12 de dezembro de 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli, de Mato Grosso, à época filiado ao PMDB (atual MDB). O texto pretendia alterar a ei de 1980 que instituiu o feriado nacional de 12 de outubro em nomenagem a Nossa Senhora Aparecida.
A proposta previa substituir a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos". "A
alteração tira o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, que diga-se de passagem, não deve ter este ou aquele padroeiro por ser um Estado laico", diz o texto. A Comissão de Educação e Cultura da Câmara rejeitou o projeto em julho de 2008. Depois do fim do prazo para recurso, a proposta foi arquivada em 22 de agosto daquele ano.
Gallı tem uma ligação forte com o bolsonarismo. Em 2019, foi nomeado assessor especial da Presidência da República, durante o governo de Jair Bolsonaro, para trabalhar na Casa Civil, então comandada por Onyx Lorenzoni. Ele deixou o cargo meses depois, após ser condenado pela Justiça a pagar 100 mil reais em indenização por declarações homofóbicas. A ação foi apresentada pela Defensoria Pública de Mato Grosso.
Na ocasião, Galli afirmou, em entrevista a uma rádio local, que personagens da Disney faziam apologia à homossexualidade. "Inclusive o Mickey, se você fizer um estudo profundo como eu já fiz, ele representa de fato, ele é homossexual, tá. Então, as pessoas estão enganadas com essa mensagem subliminar que a Disney está passando para a sociedade, principalmente às nossas crianças", disse à época.
Como o assunto chegou a Flávio Bolsonaro
A controvérsia ganhou espaço na GloboNews na noite de quinta-feira. Durante o programa Em Pauta, Maria Cristina Fernandes mencionou um suposto movimento de setores católicos em reação a uma parcela de evangélicos que estaria mobilizando um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
A fala não atribuía a proposta a Flávio Bolsonaro. Nas redes sociais, porém, trechos do comentário passaram a circular associados ao senador, com publicações afirmando que ele pretendia retirar ou apoiaria a retirada do título da santa. A associação ganhou força em meio à repercussão de sua declaração de que pretende declarar o Brasil pertencente a Jesus Cristo.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) se manifestou sobre o projeto. Em publicação no X, afirmou repudiar a proposta apresentada por Galli e ressaltou que, embora não seja católica e defenda o Estado laico, considera a iniciativa inadequada. A congressista escreveu que a proposta não buscava ampliar a diversidade religiosa, mas atingir um símbolo de identificação de parte da população brasileira.
A controvérsia levou a GloboNews a "corrigir" a informação na madrugada desta sexta-feira 25. No programa Edição da Meia-Noite, a emissora esclareceu que o projeto havia sido apresentado em dezembro de 2007 e arquivado em agosto de 2008. Ao final da nota, pediu desculpas pelo erro.
Flávio reagiu ainda na noite de quinta-feira, durante uma agenda em Minas Gerais. Em vídeo publicado nas redes sociais, negou que pretenda retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida e atribuiu a circulação da informação a adversários políticos.
"Estamos aqui na correria de agenda em Minas Gerais e sou surpreendido com uma mentira, uma fake news daquelas, pra variar, que a milícia do PT está inventando na internet: que eu iria tirar a padroeira do Brasil. Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto. Então vamos lá, até o final, o PT só sabe fazer isso: mentir. Chegou no poder pela mentira, mas a gente vai tirar ele com a verdade", disse o presidenciável.
Fonte: Carta Capital
Publicado originalmente em infoverus.com.br



