Como podem se desenhar os eventuais governos de Flávio ou Lula
Quem pode integrar a Esplanada dos Ministérios em 2027: nomes cotados, cenários partidários e consequências para a governabilidade

Desde o primeiro turno da eleição presidencial, em que Flávio Bolsonaro (PL) teve 2,2 milhões de votos de vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o noticiário político ventila diversos nomes cotados para o governo bolsonarista ou petista que se formará a partir de janeiro de 2027.
Gestos das campanhas, adesão de outros partidos e a acomodação de lideranças que saíram derrotadas no pleito consolidam um grupo de tendências para a composição da futura Esplanada dos Ministérios, como o GSW Brasil explica neste texto.
As apostas de Flávio
Com a vantagem obtida nas urnas e a eleição de dezenas de aliados para Câmara e Senado, analistas têm avaliado que a campanha de Flávio conduz uma espécie de "transição antecipada", dialogando com dirigentes políticos e operadores do mercado para a formação do possível governo do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Concorrendo sem legendas coligadas, o "Zero Um" ganhou os apoios de Novo, União Brasil, PP, Podemos, Republicanos e MDB para o segundo turno, assegurando a adesão quase integral do chamado centrão. Historicamente, o grupo ocupa cargos de primeiro escalão em governos da esquerda à direita, e integrantes como o deputado Pedro Lupion (PP-PR), o senador eleito Mauro Mendes (União-MT) e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) são cotados para a eventual gestão bolsonarista.
Nomes do entorno de Flávio que integram sua equipe de campanha desde o início, como o senador Rogério Marinho (PL-RN), a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos) e o economista Adolfo Sachsida são ligados, respectivamente, a pastas da área política, social e econômica.
Personagens que aderiram à candidatura mais recentemente, como o presidenciável derrotado Ronaldo Caiado (PSD), cuja atuação pregressa o aproxima dos setores da segurança e do agronegócio, e o ex-coach Pablo Marçal (PRTB), outrora um desafeto da família Bolsonaro, também são cotados. O governo de Jair, a título de comparação, começou com uma aliança partidária restrita e ministros com menor traquejo político.
O eventual Lula 4
No caso de Lula, apesar de candidato à reeleição, a desvantagem no primeiro turno e a formação de um Congresso predominantemente à direita são condições desfavoráveis à manutenção majoritária da Esplanada. Vale lembrar que, em sua primeira reeleição, quando tinha maior popularidade, o petista trocou cerca de um terço dos ministros.
Já no dia seguinte à eleição, conforme revelou a agência Reuters, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) passou a ser aventado no Ministério da Fazenda como um gesto em direção ao mercado -- em sinal de compromisso com a responsabilidade fiscal -- e aos eleitores de centro. Ex-governador pelo PSDB, Alckmin ocupou a pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no atual mandato, com atuação destacada no tarifaço, enquanto Fernando Haddad (PT) chefiou a economia.
O próprio Haddad, assim como Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), apesar das derrotas nas eleições de São Paulo, em que foram candidatos a governo e Senado, respectivamente, seguem valorizados no entorno do Palácio do Planalto e podem seguir à frente de pastas relevantes em caso de reeleição de Lula.
No campo das novidades, a secretária-geral do Ministério da Defesa, Cinara Wagner Fredo, é cotada para substituir o titular da pasta, José Múcio Monteiro, que já manifestou publicamente o desejo de deixar a vida pública, conforme revelou a CNN Brasil.
Além disso, a tendência é que partidos de centro e direita que integraram a atual gestão, como MDB, PSD, União Brasil, Republicanos e PP, cobrem por espaços ainda mais privilegiados em eventual reeleição de Lula, visto que o desequilíbrio do Congresso em favor da direita tornaria o mandatário ainda mais dependente dessas forças para aprovar projetos e evitar derrotas sensíveis no Legislativo.
Neste campo, políticos como Renan Filho (MDB), derrotado ao governo de Alagoas como aliado do presidente, e mesmo Helder Barbalho (MDB), senador eleito pelo Pará nas mesmas circunstâncias, são cogitados. Apesar do apoio nacional do MDB a Flávio, os diretórios da sigla nestes dois estados reforçaram endosso à reeleição de Lula.
Publicado originalmente em globalsouthworld.com.br



