Consultor do TCE-MT preso pela PF é marido de procuradora da República e tinha adega avaliada em mais de R$ 54 mil
Grhegory Paiva é apontado pelo STJ como personagem central do fluxo financeiro investigado, com R$ 32,3 milhões em créditos

O consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, preso preventivamente nesta quinta-feira (29) durante a Operação Tomada de Contas, é marido da procuradora da República Marianne Cury Paiva, integrante do Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso. A relação familiar ganhou destaque em meio à investigação autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que apura suspeitas envolvendo contratos administrativos, pagamentos e movimentações financeiras consideradas atípicas.
Até o momento, não há indicação de que Marianne tenha participação ou atuação no caso. A investigação ficará sob acompanhamento do MPF na esfera federal, enquanto Grhegory figura entre os principais alvos da operação. A decisão judicial que autorizou a prisão aponta o consultor como personagem central do fluxo financeiro investigado.
Segundo informações reproduzidas no despacho, ele teria recebido R$ 32,3 milhões, dos quais R$ 31,6 milhões por meio de 179 ordens de crédito distribuídas em 12 contas de nove instituições financeiras. A decisão também menciona imagens nas quais Grhegory apareceria colocando blocos de dinheiro em uma mochila após uma retirada de numerário.
PF apreende mais de 40 garrafas de bebidas
Além de dinheiro e relógios, os agentes federais apreenderam na residência do consultor uma coleção de bebidas importadas. A estimativa inicial apresentada pela reportagem aponta que o valor da adega pode ultrapassar R$ 54 mil, embora a Polícia Federal ainda deva contabilizar todos os itens recolhidos durante a operação.
Entre os whiskies apreendidos está uma garrafa de Glenfiddich 12 Anos, estimada em cerca de R$ 400. A lista também inclui quatro garrafas da marca Macallan: duas da versão de 12 anos, avaliadas em aproximadamente R$ 950 cada, e duas da edição A Night on Earth, com preço estimado de R$ 1.250 por unidade.
Considerando os valores informados, as quatro garrafas de Macallan somariam R$ 4,4 mil. Os preços são estimativas e podem variar conforme a edição, o estabelecimento e as condições de comercialização.
Vinhos concentram a maior parte do valor estimado
A coleção apreendida inclui vinhos que, segundo os preços levantados pela reportagem, representam a maior parcela do valor atribuído à adega. Entre eles estão duas garrafas do Masseto Toscana IGT, vinho tinto avaliado em R$ 8,5 mil por unidade. Juntas, as duas garrafas somariam R$ 17 mil.
Também foram relacionadas duas garrafas da edição de 50 anos do vinho Caymus, estimadas em R$ 1.630 cada, totalizando R$ 3.260. A lista inclui ainda 20 garrafas de Caymus Cabernet Sauvignon, com preço estimado de R$ 1.450 por unidade. Nesse caso, o valor conjunto chegaria a R$ 29 mil.
Somente os itens de vinho descritos na relação apresentada pela reportagem somam R$ 49.260. Com os whiskies listados, o total estimado das bebidas identificadas ultrapassa R$ 54 mil, sem considerar as demais garrafas apreendidas pela PF.
Operação investiga contratos e movimentações financeiras
A Operação Tomada de Contas foi autorizada pelo STJ e resultou no cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão. Entre os presos está o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo.
A investigação apura suspeitas relacionadas a contratos administrativos, pagamentos, movimentações financeiras consideradas atípicas e saques de dinheiro. Além das bebidas, os agentes apreenderam quantias em espécie e uma coleção de relógios, cujos valores ainda deverão ser contabilizados.
As informações sobre os créditos atribuídos a Grhegory e os objetos encontrados em sua residência integram o contexto da apuração. As suspeitas investigadas ainda dependem do andamento do procedimento e não equivalem, por si só, a uma condenação.
Publicado originalmente em infoverus.com.br


