Deolane Bezerra relata ameaça de morte e intolerância religiosa na prisão, diz irmã e advogada
Daniele Bezerra afirma que registrou boletim de ocorrência, comunicou a OAB-SP e pediu providências; defesa também questiona negativas judiciais e diz que influenciadora está presa há mais de 150 dias

A influenciadora Deolane Bezerra teria recebido uma ameaça de morte acompanhada de manifestações de intolerância religiosa enquanto estava presa, segundo relato de sua irmã e advogada, Daniele Bezerra. Em publicação nas redes sociais nesta quarta-feira, ela informou que o episódio ocorreu em 30 de setembro e que registrou um boletim de ocorrência no dia seguinte.
Daniele afirmou que também comunicou a direção da unidade prisional por e-mail, apresentou uma petição ao juiz corregedor e informou a Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP). Em 16 de outubro, voltou à delegacia para prestar depoimento. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre os possíveis autores da ameaça nem sobre o andamento da investigação.
Ao esclarecer a repercussão do caso, a advogada confirmou que a informação partiu da própria irmã e detalhou as medidas adotadas após tomar conhecimento do episódio.
"Sim, é verdade que minha irmã e cliente, Deolane Bezerra, me relatou ter sofrido uma ameaça de morte, acompanhada de manifestações de intolerância religiosa", escreveu.
Na sequência, Daniele ressaltou que a ocorrência não era recente e descreveu as providências tomadas desde o relato.
"Esclareço, porém, que os fatos não ocorreram hoje, mas no dia 30 de setembro. No dia 1/10, procurei a delegacia e registrei um boletim de ocorrência. Também encaminhei e-mail à direção da unidade prisional, e a equipe jurídica peticionou ao juiz corregedor e a Comissão de Prerrogativas da OAB/SP foi devidamente informada. No dia 16/10, compareci novamente à delegacia para prestar depoimento", afirmou.
A irmã da influenciadora declarou que tomou as medidas que estavam ao seu alcance para preservar a segurança de Deolane e que espera a apuração do caso pelas autoridades.
"Fiz tudo o que estava ao meu alcance, como irmã e advogada, para proteger sua vida, sua integridade física e sua dignidade. Agora, aguardo a devida apuração dos fatos e a adoção das providências cabíveis", disse.
Defesa questiona decisões judiciais
Além da denúncia sobre a suposta ameaça, Daniele criticou decisões judiciais que, segundo ela, negaram pedidos da defesa e dificultaram o acesso às provas do processo envolvendo a influenciadora.
Em outra publicação, a advogada comparou a situação da irmã à de um profissional da advocacia custodiado no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos. Conforme o relato, o advogado teve reconhecido o direito à Sala de Estado-Maior e, como não havia local adequado para esse tipo de custódia, obteve o benefício da prisão domiciliar.
Diante desse caso, Daniele questionou por que Deolane não teria recebido o mesmo reconhecimento e por que os pedidos apresentados pela defesa seriam negados repetidamente.
"Qual é a régua utilizada para que Deolane não tenha reconhecido o mesmo direito? Por que, para ela, tudo parece ser mais difícil? Por que seus pedidos são reiteradamente negados? Por que precisa suportar os efeitos de uma prisão cautelar que, diante de sua duração, nos faz questionar se não está assumindo contornos de antecipação de pena?", indagou.
Em uma terceira publicação, a advogada afirmou que a irmã está presa há mais de 150 dias e criticou a necessidade de insistir judicialmente para obter acesso às provas. Segundo Daniele, o processo está suspenso enquanto a defesa busca acesso ao material.
"Deolane nunca havia sequer havia respondido a uma denúncia criminal antes de toda essa situação. São mais de 150 dias presa, com o processo suspenso, porque a defesa precisa a todo momento implorar por acesso às provas. Não vou me calar diante daquilo que considero uma injustiça. Antes de qualquer coisa, sou irmã. Mas também sou advogada e continuarei lutando, dentro da lei, para que seus direitos sejam respeitados", escreveu.
Prisão ocorreu durante operação
Deolane foi presa em maio de 2026, durante a Operação Vérnix, em Barueri, no interior de São Paulo. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), acusações negadas pela influenciadora.
Em setembro, em uma carta enviada à mãe, Deolane afirmou considerar falsas as acusações contra ela. Na mesma ocasião, declarou que estava bem na prisão e permanecia firme na fé.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



