Dilmar detona condução do União Brasil na eleição e afirma: “Faltou liderança”
O deputado não defendeu abertamente a substituição de Mauro Mendes da presidência estadual, mas avaliou que será necessário ampliar a participação das lideranças na organização da sigla

Reeleito deputado estadual com 56.294 votos, Dilmar Dal Bosco (União) fez uma avaliação crítica nesta quarta-feira (07), do desempenho do próprio partido nas eleições de 2026. Embora tenha garantido a permanência na Assembleia Legislativa, o parlamentar lamentou o fato de a legenda ter conseguido eleger apenas dois representantes para os próximos quatro anos.
Para Dilmar, o resultado poderia ter sido diferente caso o União Brasil tivesse montado uma chapa mais competitiva. Segundo ele, a quantidade reduzida de candidatos prejudicou diretamente o desempenho da legenda na disputa proporcional.
“Eu nunca escondi a minha tristeza de nós termos nove candidatos só para disputar uma eleição, onde tínhamos o governador do Estado de Mato Grosso como presidente e hoje eleito senador Mauro Mendes. Então, com nove nomes só disputando, lógico que é difícil”, afirmou.
O deputado revelou que, faltando cerca de 20 dias para a eleição, chegou a acreditar que o partido poderia conquistar apenas uma cadeira. Entretanto, ao perceber a manutenção de sua votação e o crescimento de outros candidatos da legenda, refez as projeções e passou a acreditar na conquista de duas vagas.
“Quando nós começamos o trabalho eleitoral, eu tinha a certeza que, faltando vinte dias, nós teríamos talvez só uma cadeira. Mas eu vi o crescimento e a continuação dos votos que eu tinha, das pessoas me apoiando. Vi que o Sebastião também aumentou um pouco a votação dele”, explicou.
Sebastião Rezende conseguiu ser reeleito com 32.108 votos.
Dilmar afirmou que chegou a antecipar publicamente a possibilidade de o União Brasil eleger dois deputados estaduais. Na avaliação dele, com uma chapa mais numerosa, o partido poderia ter alcançado uma terceira cadeira.
“Eu fiz uma conta que nós realmente até dei entrevista para algumas pessoas, falando que nós íamos ter duas cadeiras de deputados eleitos no Parlamento Estadual. E concretizou. Se nós estivéssemos talvez com quinze candidatos, nós estaríamos com certeza com três deputados eleitos para estar defendendo o nosso partido dentro da Assembleia”, declarou.
Questionado sobre quem teria responsabilidade pela formação de uma chapa considerada insuficiente, Dilmar evitou apontar diretamente um único responsável, mas afirmou que faltou liderança para atrair novos nomes e manter quadros competitivos dentro do União Brasil.
“Nos faltou liderança, faltou a gente ter mais gente para apoiar, para estar mais dentro”, disse.
Na sequência, o parlamentar citou o ex-presidente da Assembleia Legislativa Eduardo Botelho, que disputou a eleição por outra sigla e terminou como suplente. Segundo Dilmar, caso Botelho tivesse permanecido no União Brasil, poderia ter conquistado uma cadeira.
“Teve pessoas como o próprio Eduardo Botelho que, pela votação dele, se ele estivesse no União Brasil, estaria eleito também deputado estadual”, afirmou.
O deputado também lamentou a saída de outros nomes e disse que a legenda teve dificuldades para construir uma composição capaz de garantir maior representação na Assembleia.
“Então saiu pessoas de dentro do nosso partido, pessoas que iam filiar, não filiaram. Então teve muita dificuldade realmente para montar uma chapa que pudesse ter uma disputa boa, de nós termos no mínimo três deputados eleitos aqui no Parlamento”, declarou.
Apesar das críticas à condução partidária, Dilmar foi questionado se houve uma tentativa de impedir a saída de Botelho do União Brasil por influência do então governador Mauro Mendes, que agora foi eleito senador.
O deputado preferiu não personalizar a responsabilidade pelo resultado.
“Eu não quero culpar ninguém. Eu acho que já aconteceu, não temos mais o que falar. Nós seguimos andando aí”, respondeu.
Dilmar alegou que, apesar do desempenho aquém do que esperava na Assembleia, o União Brasil também conquistou representação no Congresso e permaneceu integrado ao grupo político que comandará o Estado.
“Graças a Deus o partido fez dois deputados estaduais, dois deputados federais, um senador da República, estamos fazendo parte do governo do Estado de Mato Grosso novamente. Foi definido isso aí, nós vamos respeitar e trabalhar agora para que Mato Grosso continue crescendo”, afirmou.
O parlamentar também foi questionado sobre uma declaração feita durante a convenção partidária, quando criticou o que chamou de “traição” dentro do União Brasil e defendeu a candidatura de Jayme Campos ao Governo do Estado.
Dilmar afirmou que a declaração estava relacionada exclusivamente ao contexto daquele momento da convenção e negou que exista uma ruptura com o partido.
“Não, de maneira nenhuma. O que eu quis falar é naquele momento da convenção do partido. O partido, desde a época da Arena, do PDS, lá do PFL, do Democrata e União Brasil, nunca deixou de apoiar quando tinha uma candidatura majoritária”, explicou.
Segundo ele, depois que o partido decidiu apoiar Otaviano Pivetta, passou a trabalhar pela candidatura e considera encerrada a discussão sobre o episódio.
“Passou a convenção, definiu que o Pivetta, todo mundo foi com o Pivetta. Da mesma maneira eu fui com o Pivetta, vesti a camisa, trabalhei, me dediquei muito para o governador Otaviano Pivetta e o resultado está aí”, declarou.
Para Dilmar, o resultado eleitoral deve servir como ponto de partida para uma reorganização interna do União Brasil. Ele defendeu que o partido volte a realizar reuniões frequentes, aproxime lideranças e comece desde já a preparar candidaturas para as eleições municipais de 2028.
“Eu acho que nós temos que fazer reunião, porque nós não tivemos reuniões nos últimos anos. Nós precisamos conversar, se dedicar. O Mauro, agora como senador da República, vai ficar muito mais ocupado. Nós temos que rever isso aí para crescer novamente o partido”, afirmou.
O deputado não defendeu abertamente a substituição de Mauro Mendes da presidência estadual, mas avaliou que será necessário ampliar a participação das lideranças na organização da sigla.
“Nós precisamos criar mais líderes dentro do partido”, disse.
Dilmar citou nomes que, segundo ele, podem ganhar espaço no cenário político estadual nos próximos anos e contribuir para a renovação da legenda.
“Então nós temos várias pessoas novas que podem se tornar grandes líderes e vir como deputado estadual, federal, lá em 2030. Mas agora nós temos que pensar nas municipais e trazer mais liderança para o partido crescer novamente”, afirmou.
Na entrevista, Dilmar também comentou o resultado do PP, partido que integrou a Federação União Progressista com o União Brasil. Segundo a apuração final, a federação conquistou duas cadeiras na Assembleia Legislativa, ambas pelo União Brasil.
O deputado defendeu que a legenda também passe por um processo de reorganização e amplie sua presença nos municípios.
“Agora nós vamos ter que fazer um trabalho. O presidente do PP é o deputado, Nilson Leitão foi deputado, foi prefeito de Sinop. Nós temos que começar a trabalhar, andar no Estado de Mato Grosso, para a gente começar a ter mais representatividade para lá em 2030 voltar com força total”, afirmou.
Ao fazer um balanço mais amplo da eleição, Dilmar voltou a apontar a formação das chapas durante a janela partidária como um dos principais pontos que, em sua avaliação, poderiam ter sido melhor planejados.
“Eu acho que eu trabalhei muito na janela partidária, onde nós podíamos ter feito uma conta melhor, uma agremiação melhor, procurado realmente colocar as pessoas, ou recolocar as pessoas”, declarou.
Por fim, Dilmar classificou a estratégia envolvendo o PRD como um dos principais problemas na composição política para a disputa proporcional.
“Eu acho que o grande erro da condição do Estado foi a questão do PRD. E, para mim, foi um desastre o que fizeram com as pessoas que poderiam estar eleitos hoje deputados estaduais”, concluiu.
Publicado originalmente em 24horasmt.com.br



