Fávaro, Jayme Campos e Wellington Fagundes votam juntos pelo fim da escala 6x1 e reforçam apoio de MT à PEC
Os três senadores mato-grossenses apoiaram a proposta, aprovada por 75 votos a 1 nos dois turnos; texto prevê redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial

Os três representantes de Mato Grosso no Senado votaram a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1. Carlos Fávaro (PSD), Jayme Campos (União Brasil) e Wellington Fagundes (PL) apoiaram o texto na noite de quarta-feira (14), integrando o placar de 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada um dos dois turnos de votação. O único senador a se posicionar contra a proposta foi Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
Com a aprovação, a PEC prevê dois dias de descanso semanal remunerado para os trabalhadores, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial. A jornada máxima semanal também será reduzida de 44 para 40 horas, em uma transição gradual prevista no texto. Como a Câmara dos Deputados já havia aprovado a proposta e o Senado não fez alterações, a promulgação ficará a cargo do Congresso Nacional.
Jayme defende transição responsável
Entre os três senadores de Mato Grosso, Jayme Campos foi o único a se manifestar durante a discussão em Plenário, segundo a Agência Senado. Ele declarou voto favorável e, ao lado de Alan Rick (Republicanos-AC) e Nelsinho Trad (PSD-MS), defendeu que a implementação das novas regras ocorra de maneira responsável, considerando tanto as condições de trabalho quanto os efeitos sobre a atividade econômica.
A discussão envolveu a busca por equilíbrio entre a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e a capacidade do setor produtivo de se adaptar à mudança. A redução da jornada exigirá ajustes na organização do trabalho, especialmente nos segmentos que atualmente funcionam com seis dias de atividade e apenas um de descanso semanal.
Wellington era o voto mais aguardado da bancada
O posicionamento de Wellington Fagundes concentrava atenção antes da votação. Em entrevista concedida no Senado em 7 de outubro, o parlamentar havia defendido responsabilidade, diálogo e uma discussão ampla sobre os impactos da proposta, sem antecipar como votaria.
A expectativa também envolvia o posicionamento do PL, partido do presidenciável Flávio Bolsonaro, que se mostrava contrário à PEC. A legenda enfrentava, porém, o desafio político de lidar com os efeitos de uma eventual rejeição a uma medida de grande repercussão entre os trabalhadores.
Ao final, Wellington votou favoravelmente nos dois turnos. Líder do bloco Vanguarda, ele já havia confirmado, antes da votação, que a oposição liberaria suas bancadas, permitindo que os parlamentares definissem individualmente seus votos.
Aprovação não encerra debate sobre a jornada
Apesar do apoio expressivo, a votação não eliminou as divergências sobre a aplicação prática das novas regras. Senadores da oposição que votaram a favor apresentaram ressalvas e defenderam a possibilidade de ajustes posteriores, enquanto governistas alertaram para propostas que, na avaliação deles, poderiam alterar os efeitos da mudança.
Entre os pontos levantados está a PEC 12/2026, de autoria do senador Rogerio Marinho (PL-RN), que prevê um regime mais flexível, com pagamento calculado pelas horas trabalhadas. Parlamentares governistas defenderam atenção à tramitação de iniciativas desse tipo após a aprovação do fim da escala 6x1.
O relator da proposta aprovada, Omar Aziz (PSD-AM), também reconheceu a necessidade de regulamentar rapidamente questões relacionadas às jornadas de setores específicos. A definição dessas regras será importante para orientar a adaptação de trabalhadores e empregadores ao novo limite semanal.
Redução será implementada de forma gradual
O calendário previsto na PEC estabelece uma redução inicial da jornada máxima para 42 horas semanais, 60 dias após a promulgação. Ao fim de 14 meses, o limite deverá chegar a 40 horas semanais, mantendo-se a remuneração dos trabalhadores.
A mudança altera a organização do descanso semanal e a distribuição das horas de trabalho, mas sua aplicação dependerá da observância das regras previstas no texto e da regulamentação dos pontos específicos. Com os votos favoráveis de Fávaro, Jayme e Wellington, Mato Grosso teve sua bancada integralmente alinhada à aprovação da proposta no Senado.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



