Flávio Bolsonaro questiona eleição de Lula e admite nova candidatura em 2030
Senador reconheceu não ter evidências de fraude na votação, contestou a apuração e afirmou que poderá disputar novamente a Presidência se tiver aval do PL.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comentou o resultado das eleições presidenciais, a estratégia jurídica do Partido Liberal (PL) e a possibilidade de disputar novamente a Presidência da República em 2030. Em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada nesta sexta-feira (6), o parlamentar afirmou que poderá concorrer ao Palácio do Planalto caso tenha interesse e conte com o apoio da legenda.
Durante a conversa, Flávio também falou sobre o processo eleitoral e afirmou ter dúvidas em relação à apuração dos votos. O senador reconheceu que não possui provas de fraude, mas disse acreditar que existem pontos que deveriam ser investigados.
“Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto”, declarou.
Questionamentos sobre o resultado eleitoral
Flávio afirmou que nem ele nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderiam dizer, com 100% de certeza, quem foi eleito. No segundo turno, Lula recebeu 64,2 milhões de votos, o equivalente a 51,79% dos válidos, enquanto o senador obteve 59,8 milhões, ou 48,21%. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
O resultado foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo próprio PL, que divulgou uma nota oficial sobre a vitória de Lula, assinada pelo presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto. Mais de 100 países também manifestaram reconhecimento ao resultado.
Entre os pontos mencionados pelo senador está a prorrogação do horário de votação na Bahia, determinada pelo TSE após problemas registrados em algumas seções eleitorais. A medida, entretanto, foi aplicada em todo o território nacional.
Flávio também questionou a diferença no crescimento da votação dos candidatos entre o primeiro e o segundo turno. Os números oficiais apontam que Lula recebeu 10,3 milhões de votos a mais na segunda etapa, enquanto Flávio ampliou sua votação em 3,7 milhões.
Na entrevista, o senador também fez críticas à atuação do TSE e afirmou que a Corte estaria “dominada” pelo governo. O tribunal é presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. André Mendonça, também indicado por Bolsonaro, integra a Corte.
Estratégia jurídica do PL
Flávio afirmou que a estratégia do PL para contestar a chapa formada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) não terá como fundamento uma suposta fraude na contagem dos votos. Segundo o senador, o partido pretende apresentar um pedido de cassação por abuso de poder econômico.
A iniciativa deverá abordar medidas anunciadas ou implementadas pelo governo durante o período eleitoral, como o aumento do Bolsa Família, o Pé-de-Meia Universitário e a promessa de repasse de R$ 5 mil a microempreendedores individuais (MEIs).
Possibilidade de candidatura em 2030
Ao comentar a possibilidade de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disputar a Presidência em 2030, Flávio afirmou que todos têm o direito de apresentar seus nomes. Ele também mencionou a possibilidade de entrar novamente na disputa presidencial.
“Se houver eleição antes, tenho esse direito; em 2030, também, se eu quiser e o partido concordar”, declarou.
O senador ainda afirmou que Jair Bolsonaro será seu candidato caso o ex-presidente recupere os direitos políticos. “Se ficar elegível, é o meu candidato”, disse.
Viagem aos Estados Unidos
Flávio também comentou sua saída do Brasil e afirmou que viajou por iniciativa própria. Questionado sobre a organização do deslocamento, não detalhou como a viagem foi realizada.
A entrevista ocorre após Jason Miller, assessor da Casa Branca, declarar ao Metrópoles que providenciou o jatinho utilizado pelo senador e sua família.
Em entrevista ao jornal The New York Times, Flávio negou ter recebido ajuda de governos e afirmou que pretende regularizar sua situação migratória. Ele também declarou que continuará exercendo o mandato de senador, inclusive de forma virtual, e que não pretende retornar ao Brasil enquanto considerar que não terá um processo justo.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



