Flávio Bolsonaro se declara "verdadeiro presidente eleito do Brasil"
Senador derrotado por Lula afirma que liderará a oposição a partir dos Estados Unidos, questiona a prorrogação do horário de votação

O senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou uma carta nesta quarta-feira (28/10) na qual se apresenta como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e acusa autoridades brasileiras de terem cometido fraude eleitoral. No documento, divulgado após sua chegada aos Estados Unidos com a família, ele afirma que pretende comandar a oposição diretamente do exterior e promete apresentar uma estratégia de mobilização nos próximos dias.
“Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos”, escreveu o senador. A declaração faz parte de uma série de acusações contra o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no segundo turno de domingo (25/10).
O resultado oficial, no entanto, confirmou a vitória de Lula, que recebeu 64.256.232 votos, contra 59.826.041 de Flávio — uma diferença de aproximadamente 4,43 milhões de votos. A eleição foi reconhecida pelo TSE, pelo PL e por representantes da oposição, além de organismos internacionais.
Senador questiona horário de votação
Um dos principais argumentos apresentados por Flávio na carta é a prorrogação do horário de votação no segundo turno. Ele atribui ao ministro Cristiano Zanin, do STF, a responsabilidade pelo que considera uma irregularidade e sustenta que a decisão teria permitido a Lula ampliar sua votação entre o primeiro e o segundo turno.
Segundo o senador, a extensão do horário teria ocorrido depois do encerramento legal da votação, submetendo eleitores a regras diferentes. Ele também afirma que o TSE não teria apresentado respostas satisfatórias sobre a medida e usa o episódio para questionar a validade do resultado eleitoral.
Os números citados no material, porém, contradizem a alegação de que a prorrogação teria acrescentado milhões de votos ao resultado de Lula. Conforme os dados apresentados, o TSE registrou apenas 34 mil votos após as 17h, horário originalmente previsto para o encerramento da votação. As campanhas de Lula e de Flávio também acionaram o tribunal no domingo para solicitar a extensão do horário.
Além da questão do horário, Flávio acusa a campanha adversária de abuso de poder político e econômico e de uso da máquina pública em favor da reeleição. Na carta, afirma que essas supostas irregularidades justificariam a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin.
Flávio acusa Moraes de perseguição política
O senador também direciona críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, relacionando a atuação judicial envolvendo seus passaportes ao resultado da eleição. Segundo ele, a medida faria parte de um plano de perseguição política previamente elaborado.
Flávio afirma que a decisão teria sido tomada poucos minutos depois da suposta fraude eleitoral que denuncia. Na carta, acusa Moraes de agir de forma arbitrária e sustenta que o ministro não teria legitimidade para iniciar procedimentos contra ele.
O parlamentar também afirma que não existe mandado de prisão contra si e nega ter cometido qualquer crime. Em sua versão, a apreensão dos passaportes seria a primeira etapa de uma sequência de medidas que, segundo ele, poderia incluir monitoramento eletrônico, censura, prisão domiciliar e condenação política.
As acusações contra os ministros e as instituições brasileiras são apresentadas pelo próprio senador na carta. O documento não altera o resultado oficial da eleição, que confirmou a vitória de Lula no segundo turno.
Senador nega fuga e diz que liderará oposição dos EUA
Flávio também rejeita a caracterização de sua saída do Brasil como fuga. Ele afirma que decidiu levar a família para os Estados Unidos por considerar que estaria sob risco de perseguição política e diz que pretende continuar exercendo a liderança da oposição a partir do país.
“Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, escreveu. Na sequência, afirma que, se permanecesse no país, poderia ser silenciado ou impedido de atuar politicamente. O senador compara sua situação à de figuras históricas que viveram no exílio ou organizaram movimentos políticos fora de seus países de origem.
Na carta, ele cita Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí, além de opositores do governo venezuelano, como exemplos de lideranças que, segundo sua interpretação, enfrentaram perseguição política. A partir dessas referências, apresenta sua permanência nos Estados Unidos como parte de uma estratégia de resistência.
O senador também se dirige a parlamentares e governadores que apoiou politicamente, com menção especial ao senador Rogério Marinho, a quem chama de seu candidato à presidência do Senado. Ele afirma que pretende falar em nome de integrantes da oposição que, segundo ele, não teriam liberdade para se manifestar no Brasil.
Flávio agradece a Trump e Milei
No início do documento, Flávio agradece ao presidente argentino Javier Milei e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela recepção e pelo apoio. Ele elogia Trump como defensor da liberdade de expressão e afirma que encontrou nos Estados Unidos segurança jurídica que, em sua avaliação, não teria mais no Brasil.
O senador também pede que a comunidade internacional não trate a situação brasileira como normal e faz um apelo às instituições nacionais para que, segundo ele, restabeleçam o equilíbrio entre os Poderes. Ao final, promete divulgar regularmente novas mensagens e apresentar uma estratégia para mobilizar a oposição por meios que classifica como pacíficos e legítimos.
A carta termina com a afirmação de que sua luta política continuará mesmo fora do país. “Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros”, escreveu Flávio, ao sustentar que pretende continuar mobilizando seus apoiadores após a derrota eleitoral.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



