Mato Grosso entra no debate global sobre feminicídio em congresso internacional de comunicação
Pelo terceiro ano consecutivo, jornalista e doutoranda Julia Munhoz representa Mato Grosso na conferência da IAMCR, na Irlanda, com pesquisa que analisa a relação entre violência de gênero, cultura machista e atuação política no estado.
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jornalista, professora e doutoranda da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Julia Munhoz, participou, nesta terça-feira (30), de um dos principais eventos acadêmicos da área da comunicação no mundo: o congresso da International Association for Media and Communication Research (IAMCR), realizado em Galway, na Irlanda.
Este é o terceiro ano consecutivo em que a pesquisadora apresenta trabalhos no congresso, que reúne milhares de estudiosos de diferentes continentes e se consolidou como um dos principais espaços para debates sobre mídia, cultura e política em escala global.
Durante o evento, Julia apresentou parte de sua tese de doutorado no painel "MCR-2 – Gendered Lives: Violence and Resistance". O estudo investiga a relação entre cultura machista, partidos políticos e a atuação de figuras públicas, tendo como recorte empírico o estado de Mato Grosso.
A pesquisa analisa dois eixos principais: a escalada dos casos de feminicídio no estado e a atuação de agentes políticos, com foco em discursos e práticas considerados discriminatórios contra as mulheres. "O trabalho busca evidenciar como esses fenômenos, inicialmente tratados como casos isolados, assumem dimensões políticas, sociais e culturais mais amplas", destacou Julia Munhoz.
Dados apresentados no estudo mostram que Mato Grosso tem registrado elevados índices de feminicídio nos últimos anos, chegando a liderar o ranking nacional em determinados períodos, além de apresentar crescimento significativo no número de casos.
A análise também se fundamenta em referenciais teóricos que articulam comunicação, filosofia e teoria feminista, reunindo autores como John Dewey, Erving Goffman e bell hooks para propor uma leitura crítica das relações entre cultura política e desigualdades de gênero.
Outro diferencial da pesquisa é a utilização do ensaio audiovisual científico como metodologia. A proposta aposta em uma comunicação multimodal para ampliar o alcance da produção acadêmica, integrando imagens, sons e narrativa teórica.
Além da apresentação do trabalho, a participação de Julia no congresso foi viabilizada por sua seleção em um programa da própria IAMCR, que contemplou apenas 18 pesquisadores de diferentes países. A iniciativa amplia a representatividade de estudos desenvolvidos em contextos regionais no cenário acadêmico internacional.
O tema central da edição de 2026 do congresso aborda as complexidades dos sistemas de mídia em um mundo polarizado e interconectado. A discussão dialoga diretamente com a pesquisa apresentada, ao problematizar as tensões entre centralidade e marginalidade em diferentes esferas sociais.
Para a pesquisadora, a experiência reforça a importância de internacionalizar debates produzidos no Brasil, especialmente aqueles voltados a questões estruturais, como a violência de gênero e a cultura política. "Meu objetivo é contribuir para que esses fenômenos também sejam compreendidos no campo da comunicação".
Mato Grosso é um recorte importante porque evidencia as contradições entre desenvolvimento econômico e violência contra a mulher. Levar o cenário do nosso estado para esse debate internacional é fundamental para que essas realidades sejam reconhecidas", afirmou.
Este é o terceiro ano consecutivo em que a pesquisadora apresenta trabalhos no congresso, que reúne milhares de estudiosos de diferentes continentes e se consolidou como um dos principais espaços para debates sobre mídia, cultura e política em escala global.
Durante o evento, Julia apresentou parte de sua tese de doutorado no painel "MCR-2 – Gendered Lives: Violence and Resistance". O estudo investiga a relação entre cultura machista, partidos políticos e a atuação de figuras públicas, tendo como recorte empírico o estado de Mato Grosso.
A pesquisa analisa dois eixos principais: a escalada dos casos de feminicídio no estado e a atuação de agentes políticos, com foco em discursos e práticas considerados discriminatórios contra as mulheres. "O trabalho busca evidenciar como esses fenômenos, inicialmente tratados como casos isolados, assumem dimensões políticas, sociais e culturais mais amplas", destacou Julia Munhoz.
Dados apresentados no estudo mostram que Mato Grosso tem registrado elevados índices de feminicídio nos últimos anos, chegando a liderar o ranking nacional em determinados períodos, além de apresentar crescimento significativo no número de casos.
A análise também se fundamenta em referenciais teóricos que articulam comunicação, filosofia e teoria feminista, reunindo autores como John Dewey, Erving Goffman e bell hooks para propor uma leitura crítica das relações entre cultura política e desigualdades de gênero.
Outro diferencial da pesquisa é a utilização do ensaio audiovisual científico como metodologia. A proposta aposta em uma comunicação multimodal para ampliar o alcance da produção acadêmica, integrando imagens, sons e narrativa teórica.
Além da apresentação do trabalho, a participação de Julia no congresso foi viabilizada por sua seleção em um programa da própria IAMCR, que contemplou apenas 18 pesquisadores de diferentes países. A iniciativa amplia a representatividade de estudos desenvolvidos em contextos regionais no cenário acadêmico internacional.
O tema central da edição de 2026 do congresso aborda as complexidades dos sistemas de mídia em um mundo polarizado e interconectado. A discussão dialoga diretamente com a pesquisa apresentada, ao problematizar as tensões entre centralidade e marginalidade em diferentes esferas sociais.
Para a pesquisadora, a experiência reforça a importância de internacionalizar debates produzidos no Brasil, especialmente aqueles voltados a questões estruturais, como a violência de gênero e a cultura política. "Meu objetivo é contribuir para que esses fenômenos também sejam compreendidos no campo da comunicação".
Mato Grosso é um recorte importante porque evidencia as contradições entre desenvolvimento econômico e violência contra a mulher. Levar o cenário do nosso estado para esse debate internacional é fundamental para que essas realidades sejam reconhecidas", afirmou.
Publicado originalmente em estadaomatogrosso.com.br


