Mato Grosso garante três lugares entre os melhores do Brasil no Prêmio IEL 2026
Projetos do Senai MT, IFMT e UniSenai já estão entre os três primeiros colocados em suas categorias na etapa nacional; posições serão reveladas em dezembro

Mato Grosso já tem motivo para comemorar antes mesmo da cerimônia nacional do Prêmio IEL 2026. Três projetos que representam o estado na etapa nacional da premiação foram avaliados pela banca responsável pela seleção e já garantiram uma colocação entre os três primeiros lugares de suas respectivas categorias. Se serão campeões, vice-campeões ou terceiros colocados, só será conhecido no dia 2 de dezembro, em Curitiba, quando o resultado oficial será anunciado.
A conquista coloca Mato Grosso em evidência no cenário nacional e demonstra a força das iniciativas desenvolvidas no estado para aproximar educação, indústria, inovação e formação de talentos.
Nesta edição, o estado chegou à etapa nacional com representantes em três diferentes modalidades. O Senai Mato Grosso concorre na categoria Sistema S, modalidade Estágio Inovador. O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT) – Campus Octayde Jorge da Silva disputa na categoria IEL Estágio, modalidade Educação Inovadora – Ensino Superior. Já o UniSenai MT representa o estado na modalidade Empresa Inovadora com Convênio com Instituição de Ensino do Sistema S.
Para a coordenadora de Estágio do IEL MT, Ana Paula Marques, o resultado demonstra a qualidade das experiências construídas no estado e o papel do IEL como articulador entre instituições de ensino, empresas e profissionais.
“Esse resultado mostra que Mato Grosso tem desenvolvido experiências de estágio e formação alinhadas às necessidades do mercado e, principalmente, capazes de gerar inovação e transformação. O papel do IEL é justamente aproximar esses diferentes atores, criando oportunidades para que o conhecimento produzido nas instituições de ensino encontre espaço para ser aplicado e gerar resultados concretos.”
Inovação que nasce de um desafio real
Um dos exemplos que traduz a qualidade dos projetos mato-grossenses é o Mente Saudável MT, desenvolvido por Webert de Sá Alves Vasiluk, bolsista do Serviço Social da Indústria (Sesi MT), na modalidade Projeto Inovador da Categoria Inova Talentos. O projeto, que conquistou o primeiro lugar na regional, não subiu ao pódio dos três primeiros lugares da nacional, mas ocupou a quarta colocação entre mais de 1 mil projetos avaliados.
A iniciativa nasceu de uma necessidade cada vez mais presente no ambiente de trabalho: promover a saúde mental de forma estruturada, participativa e conectada à realidade das empresas. O projeto integra educação, inovação aberta e escuta ativa para trabalhar a promoção da saúde mental no ambiente industrial. A proposta combina uma trilha formativa, visitas e diálogos com públicos estratégicos e utiliza a inovação como ferramenta para transformar desafios em soluções práticas.
No Hackathon de Inovação, realizado a partir de desafios relacionados à saúde mental apresentados por empresas, durante 48 horas, equipes trabalharam no desenvolvimento de soluções voltadas aos riscos psicossociais e ao bem-estar dos trabalhadores.
Segundo Webert, o projeto foi estruturado em duas frentes: “O Mente Saudável Mato Grosso é dividido em duas partes. A primeira é uma trilha de conhecimentos on-line, disponibilizada pelo CS Digital, com uma formação voltada aos colaboradores da indústria e ao público em geral sobre saúde mental, autoconhecimento e aspectos relacionados à NR-01. A segunda é o hackathon, no qual empresas apresentaram desafios reais e, em 48 horas, os participantes desenvolveram soluções voltadas à saúde mental do colaborador da indústria.”
Formado em Contabilidade e mestre em Ciências e Tecnologia Ambiental, ele conta que encontrou na oportunidade oferecida pelo IEL uma possibilidade pouco comum para profissionais que já haviam concluído a graduação. “Eu estava na academia, tinha terminado o mestrado e estava fazendo pesquisa quando conheci o edital do IEL. É raro encontrar oportunidades para quem já concluiu a graduação e está na pós-graduação. O IEL possibilitou justamente essa conexão: levar um talento que estava na universidade para dentro do mercado e da indústria.”
A equipe realizou uma escuta específica com pessoas com deficiência (PCDs) para compreender desafios relacionados à carreira, ao mercado de trabalho e às oportunidades profissionais. De acordo com a assessora de Projetos Estratégicos do Sesi MT, Lorena Tomain, essa etapa surgiu justamente da percepção de que a inovação precisa considerar diferentes perfis e experiências.
“Antes de chegar ao hackathon, fizemos uma pesquisa para entender os principais desafios relacionados à saúde mental dos trabalhadores em Mato Grosso. Depois, cruzamos os dados quantitativos com uma escuta mais qualitativa para validar o que realmente fazia sentido para as pessoas e para as empresas. A partir daí, trouxemos as empresas âncoras para construir os desafios que seriam trabalhados.”
A experiência também abriu espaço para novas frentes de atuação.
“Durante o projeto, percebemos um perfil muito específico entre os participantes e entendemos que precisávamos ampliar essa escuta. Por isso, realizamos um workshop com pessoas com deficiência para compreender os desafios que elas encontram no mercado de trabalho, os cargos que ocupam e seus interesses de carreira. Essa primeira experiência já nos levou a pensar em uma segunda edição e em novos desafios”, explica Lorena.
Talento conectado à indústria
Para a equipe do Sesi-MT, a participação no Prêmio IEL também evidencia a importância da conexão entre talentos qualificados e os desafios reais da indústria.
A analista de projetos do Sesi MT, Hevelin Mattos, que participou da estruturação da iniciativa, destaca que a parceria com o IEL foi fundamental para encontrar um profissional com o perfil técnico necessário para atuar nos projetos de inovação.
“Nós procuramos o IEL para fazer a seleção de um bolsista na área de inovação e buscávamos um perfil bastante específico para a estruturação do nosso núcleo. O processo foi muito qualificado e conseguimos encontrar o Webert, que hoje está conosco há oito meses. A contribuição dele tem sido fundamental para o que estamos desenvolvendo.”
Segundo Hevelin, a experiência também mostrou o potencial da parceria entre o IEL e as empresas na busca por profissionais com conhecimentos específicos.
“Hoje percebemos que o serviço oferecido pelo IEL, por meio do programa de talentos, é fundamental para esse tipo de contratação qualificada e específica, principalmente no nosso caso, que envolve uma atuação bastante técnica e científica. A articulação com instituições de ensino e indústrias é fundamental para conectar conhecimento, talentos e demandas reais do mercado, transformando oportunidades de formação em soluções e resultados para o setor produtivo.”
O resultado dessa parceria já pode ser percebido na trajetória do projeto, que conquistou o primeiro lugar na etapa regional.
“Ficamos muito felizes com o resultado. Esperávamos ficar bem colocados, mas chegar entre os três primeiros no país foi uma surpresa muito positiva. Essa foi nossa primeira experiência com o IEL e tem sido muito importante. Pretendemos dar continuidade à parceria e aos projetos que estamos desenvolvendo”, afirma Hevelin.
Publicado originalmente em ielmt.ind.br

