Mato Grosso movimenta R$ 36,6 bilhões via Pix em setembro e cresce 15,67% em um ano
Estado ocupa a décima posição nacional em volume de transações e registra o segundo maior avanço percentual do Centro-Oeste; em Cuiabá, 50,5% das famílias relatam mais dificuldade para obter crédito

Mato Grosso movimentou R$ 36,6 bilhões em transações via Pix em setembro de 2026, alcançando a décima posição entre os estados brasileiros em volume financeiro pela modalidade. O resultado representa uma alta de 15,67% em comparação com setembro do ano passado, quando as operações somaram R$ 31,68 bilhões.
Os dados foram divulgados pela Fecomércio-SE e analisados pela Fecomércio-MT. Desde abril deste ano, o volume mensal movimentado por meio do sistema de pagamentos instantâneos no estado permanece acima de R$ 35 bilhões. Em 12 meses, o crescimento representa um acréscimo de quase R$ 5 bilhões.
Com o resultado de setembro, Mato Grosso superou estados como Ceará, que registrou R$ 34,61 bilhões, Espírito Santo, com R$ 33,66 bilhões, e Pernambuco, com R$ 32,21 bilhões.
Para o presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, conhecido como Tião da Zaeli, o avanço pode estar associado ao desempenho da economia estadual, especialmente nos setores do agronegócio, comércio e serviços, além da expansão do uso de pagamentos digitais.
No Centro-Oeste, Mato Grosso apresentou o segundo maior crescimento percentual em relação a setembro de 2025. A alta de 15,67% ficou acima da registrada em Goiás, de 4,87%, e contrastou com a retração de 2,34% observada em Mato Grosso do Sul. O Distrito Federal teve o maior avanço da região, com crescimento de 35,39%.
As transações realizadas em Mato Grosso representaram 1,86% de todo o volume financeiro movimentado via Pix no Brasil em setembro. No país, o total chegou a R$ 1,974 trilhão. Considerando apenas o Centro-Oeste, a participação mato-grossense foi de aproximadamente 21,77%.
O maior volume mensal registrado pelo estado em 2026 ocorreu em abril, quando as operações alcançaram R$ 37,81 bilhões. De acordo com a Fecomércio-MT, o desempenho pode estar relacionado à sazonalidade da economia, incluindo o período de colheita e comercialização da produção agrícola.
Crédito mais difícil
Apesar do aumento nas movimentações digitais, parte dos consumidores enfrenta dificuldades para conseguir crédito. Em Cuiabá, 50,5% das famílias entrevistadas em setembro afirmaram encontrar mais obstáculos para obter financiamento, segundo a Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em agosto, o percentual era de 48%.
O indicador geral de intenção de consumo também recuou pelo quarto mês consecutivo, sinalizando um cenário de maior restrição para as famílias.
Diante desse contexto, a Fecomércio-MT avalia que o Pix contribui para facilitar o acompanhamento das despesas pelos consumidores e acelerar os recebimentos das empresas. A entidade, no entanto, ressalta que a modalidade de pagamento não substitui o acesso a financiamentos quando há necessidade de crédito.
“Em um cenário de maior dificuldade de acesso ao crédito, o Pix facilita o controle das despesas pelos consumidores e agiliza o recebimento dos valores pelas empresas”, afirmou Tião da Zaeli.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



