Mato Grosso pode ser o 2º maior produtor de algodão do mundo, aponta levantamento
Mato Grosso pode ocupar a segunda posição entre os maiores produtores de algodão do mundo, com uma produção de aproximadamente 6,7 milhões de toneladas na última safra, conforme dados atribuídos à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Mato Grosso pode ocupar a segunda posição entre os maiores produtores de algodão do mundo, com uma produção de aproximadamente 6,7 milhões de toneladas na última safra, conforme dados atribuídos à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A China aparece na primeira colocação, com cerca de 7 milhões de toneladas, enquanto a Índia registra aproximadamente 5,2 milhões de toneladas no levantamento citado.
Além da relevância na produção, o algodão mato-grossense mantém presença no mercado internacional. Em agosto, cargas do produto foram destinadas a países como Egito, Tailândia, Indonésia, Vietnã e Índia, demonstrando a participação do estado nas exportações do setor.
Entre os volumes informados, o Vietnã recebeu 14.281 toneladas de algodão de Mato Grosso, enquanto a Índia importou 12.457 toneladas. A Indonésia recebeu 5.536 toneladas, o Egito, 4.176 toneladas, e a Tailândia, 47 toneladas.
O avanço das exportações também evidencia os desafios logísticos enfrentados pelo agronegócio para atender à demanda internacional. Segundo André Pessoa, fundador e CEO da Agroconsult, a capacidade de escoamento da produção é uma questão que ganhou importância diante do crescimento do setor.
Mão de obra qualificada é um dos desafios
Apesar do desempenho produtivo, a contratação de trabalhadores e a qualificação profissional continuam entre os obstáculos para os produtores rurais de Mato Grosso.
Pesquisa do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que 62,62% dos produtores entrevistados relatam dificuldades para contratar novos funcionários. Já 69,16% destacam a qualificação da mão de obra como um dos principais problemas.
Diante desse cenário, iniciativas de capacitação buscam preparar profissionais para as demandas do campo, incluindo o uso adequado de defensivos agrícolas e as boas práticas de aplicação.
Durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão, realizado em Belo Horizonte, a Corteva apresentou ações de treinamento voltadas à qualificação de trabalhadores rurais. Em 2026, a empresa completa dez anos de capacitações móveis no Brasil e no Paraguai, com mais de 182 mil quilômetros percorridos e cerca de 800 treinamentos realizados em caminhões.
A iniciativa contempla diferentes culturas agrícolas, como algodão, café, milho e soja. A empresa também mantém o Programa de Aplicação Responsável (PAR), voltado à capacitação de aplicadores de defensivos agrícolas.
Alta dos fertilizantes pressiona custos de produção
Outro fator que influencia a cotonicultura mato-grossense é o aumento dos custos de produção, especialmente com fertilizantes, defensivos agrícolas e transporte.
Dados do Comex Mato Grosso, organizados pela Gerência de Internacionalização da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt), apontam que, em agosto, foram gastos US$ 160.560 com a importação de fertilizantes potássicos, nitrogenados e fosfatados destinados ao estado.
No mesmo período, as importações de inseticidas e fungicidas somaram US$ 48.369.
Na comparação com agosto do ano anterior, os gastos informados com fertilizantes passaram de US$ 158.515 para US$ 160.560. Já as despesas com inseticidas e fungicidas aumentaram de US$ 32.615 para US$ 48.369.
Segundo André Pessoa, a expectativa de redução dos custos de produção do algodão foi comprometida principalmente pela elevação dos preços dos fertilizantes, com destaque para os fosfatados.
O custo do frete também exerce influência sobre a rentabilidade da atividade, afetando o transporte da produção e a aquisição de insumos utilizados nas lavouras.
Área plantada de algodão pode crescer em 2027
As perspectivas para a próxima safra indicam possibilidade de expansão da cotonicultura brasileira. De acordo com projeções atribuídas à Agroconsult, a área plantada de algodão no Brasil poderá voltar a aproximadamente 2,2 milhões de hectares.
Para Mato Grosso, a expectativa apresentada é de crescimento entre 7% e 8,5% na área cultivada. A concretização desse avanço, porém, dependerá de fatores econômicos, especialmente da disponibilidade de crédito para os produtores.
Nesse contexto, linhas de financiamento como o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO Rural) podem contribuir para viabilizar investimentos na atividade.
O cenário combina oportunidades de expansão no mercado internacional com desafios relacionados à logística, aos custos de produção e à qualificação profissional. Para Mato Grosso, principal referência nacional na cotonicultura, esses fatores serão importantes para sustentar a competitividade do setor nas próximas safras.
Publicado originalmente em regionalmt.com.br



