Mauro Mendes supera Blairo Maggi e alcança maior votação da história de MT para o Senado
Ex-governador recebeu 1,18 milhão de votos em 2026 e ultrapassou marca de Blairo, mas ficou atrás do ex-senador quando o resultado é medido proporcionalmente

O ex-governador Mauro Mendes (União) estabeleceu uma nova marca nas eleições para o Senado em Mato Grosso. Eleito no domingo (4), recebeu 1.187.352 votos, o equivalente a 33,21% dos votos válidos, e superou a votação absoluta de Blairo Maggi (PP), que havia registrado 1.073.039 votos em 2010.
A diferença entre os dois é de 114.313 votos. Com o resultado, Mauro passou a ocupar o primeiro lugar no ranking de maiores votações nominais já obtidas por um candidato ao Senado no estado. A marca de Blairo permaneceu por 16 anos, desde a eleição de 2010.
O recorde, porém, aparece apenas quando a comparação é feita pelo número total de votos. Quando considerado o percentual de votos válidos, Blairo ainda teve desempenho superior ao de Mauro. Em 2010, ele alcançou 37,08%, enquanto o ex-governador chegou a 33,21% em 2026.
Mais votos, mas percentual menor
A diferença entre os dois resultados está relacionada também ao tamanho do eleitorado de Mato Grosso nas duas eleições. Em 2010, quando Blairo foi eleito, o estado tinha pouco mais de 2 milhões de eleitores aptos a votar.
Já em 2026, o eleitorado mato-grossense ultrapassou 2,6 milhões. Mauro, portanto, recebeu uma quantidade maior de votos, mas disputou uma eleição diante de um universo eleitoral significativamente maior do que aquele enfrentado por Blairo 16 anos antes.
Em números absolutos, Mauro teve 10,7% mais votos que Blairo. Na proporção dos votos válidos, entretanto, o resultado de 2010 permanece acima do registrado em 2026. A diferença mostra como a ampliação do eleitorado interfere na comparação histórica entre votações.
Outro fator importante é o modelo das eleições para o Senado. Tanto em 2010 quanto em 2026, duas vagas estavam em disputa, permitindo que cada eleitor escolhesse dois candidatos.
Mauro estreia no Legislativo após dois mandatos
A eleição de 2026 também representa uma mudança na trajetória política de Mauro Mendes. Depois de dois mandatos consecutivos como governador, ele deixou o Palácio Paiaguás em março e passou o comando do Estado ao então vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) para disputar uma cadeira no Senado.
Mauro foi eleito ao lado do deputado federal José Medeiros (PL), que recebeu 977.777 votos, correspondentes a 27,35% dos votos válidos.
Com isso, os dois candidatos eleitos em 2026 aparecem entre as maiores votações nominais já registradas nas eleições para o Senado em Mato Grosso. Mauro ocupa a primeira posição, enquanto Medeiros aparece em terceiro, atrás apenas de Blairo Maggi.
Wellington lidera quando o critério é percentual
O ranking histórico muda quando o critério deixa de ser o número absoluto de votos e passa a considerar a proporção dos votos válidos. Nesse recorte, o maior percentual registrado entre os senadores eleitos em Mato Grosso pertence a Wellington Fagundes (PL).
Na reeleição de 2022, quando havia apenas uma vaga em disputa, Wellington recebeu 63,54% dos votos válidos. Na sequência aparecem Jayme Campos, com 61,16% em 2006, e Júlio Campos, com 60,58% em 1990. Os dois também foram eleitos em disputas nas quais havia apenas uma vaga disponível.
Entre as eleições com duas vagas, Blairo Maggi mantém o maior percentual, com os 37,08% registrados em 2010. Mauro Mendes aparece logo depois, com os 33,21% alcançados em 2026.
A diferença entre os critérios é importante porque, nas eleições em que duas cadeiras estão em disputa, cada eleitor pode votar em dois candidatos. Isso amplia o total de votos válidos considerado no cálculo dos percentuais e torna necessária uma comparação cuidadosa entre pleitos com uma ou duas vagas.
Ranking das maiores votações para o Senado em MT
Considerando o número absoluto de votos recebidos, independentemente do ano da eleição, a lista dos senadores eleitos em Mato Grosso desde 1986 é:
- Mauro Mendes (União) – 2026: 1.187.352 votos (33,21%)
- Blairo Maggi (PR) – 2010: 1.073.039 votos (37,08%)
- José Medeiros (PL) – 2026: 977.777 votos (27,35%)
- Wellington Fagundes (PL) – 2022: 825.229 votos (63,54%)
- Jayme Campos (PFL) – 2006: 781.182 votos (61,16%)
- Pedro Taques (PDT) – 2010: 708.440 votos (24,48%)
- Juíza Selma (PSL) – 2018: 678.542 votos (24,57%)
- Wellington Fagundes (PR) – 2014: 646.344 votos (48,19%)
- Jonas Pinheiro (PFL) – 2002: 612.965 votos (27,64%)
- Serys Slhessarenko (PT) – 2002: 575.539 votos (25,95%)
- Jayme Campos (DEM) – 2018: 490.699 votos (17,77%)
- Antero Paes de Barros (PSDB) – 1998: 469.179 votos (55,46%)
- Carlos Fávaro (PSD) – 2020: 371.857 votos (25,97%)
- Júlio Campos (PFL) – 1990: 331.212 votos (60,58%)
- Márcio Lacerda (PMDB) – 1986: 283.041 votos (29,34%)
- Jonas Pinheiro (PFL) – 1994: 281.998 votos (24,36%)
- Carlos Bezerra (PMDB) – 1994: 281.885 votos (24,35%)
- Louremberg Nunes (PMDB) – 1986: 161.390 votos (16,73%)
O levantamento evidencia a diferença entre quantidade absoluta de votos e desempenho proporcional. Mauro Mendes estabeleceu o recorde nominal ao superar a marca de Blairo Maggi, mas o ex-governador de 2010 ainda possui percentual maior entre os dois quando considerada a proporção dos votos válidos.
A eleição de 2026 também colocou duas votações entre as maiores da história recente do Senado em Mato Grosso, com Mauro na liderança do ranking e José Medeiros na terceira posição.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



