Max Russi elege seis deputados e faz do Podemos a maior bancada da Assembleia Legislativa
Presidente da Assembleia foi o mais votado, com 86.934 votos, e fortalece articulação para nova disputa pela presidência da Casa e projeto majoritário em 2030

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e do diretório estadual do Podemos, Max Russi, confirmou nas urnas, neste domingo (4), a estratégia que vinha defendendo desde que assumiu o comando da legenda: eleger seis deputados estaduais e transformar o partido na maior bancada da Casa. Além de liderar a votação individual para o Legislativo, com 86.934 votos, Russi chega à próxima legislatura fortalecido para uma possível nova disputa pela presidência da Assembleia e com espaço para construir uma candidatura majoritária em 2030.
Com 100% das urnas apuradas, o Podemos conquistou seis das 24 cadeiras da ALMT, o equivalente a 25% do plenário. Além de Russi, foram eleitos Ulysses Moraes, com 56.207 votos; Beto Dois a Um, com 56.148; Alessandra Ferreira, com 50.802; Fabinho Tardin, com 36.122; e Adelcino Lopo, com 21.146 votos. A legenda terminou à frente de PL e Republicanos, que elegeram quatro deputados cada. A formação da bancada de seis nomes já estava definida nas últimas etapas da apuração.
O resultado representa um crescimento expressivo em relação à atual composição do partido na Assembleia. Quando Russi assumiu o comando estadual do Podemos, em março, a legenda não tinha deputados estaduais eleitos originalmente pelo partido na legislatura em andamento. Por meio de filiações, chegou ao período eleitoral com dois parlamentares na Casa, Russi e Beto Dois a Um, além do deputado federal Nelson Barbudo.
Dos três deputados estaduais que estavam ligados ao grupo, Russi e Beto conquistaram a reeleição, enquanto Juca não conseguiu uma vaga para a próxima legislatura. A chapa também garantiu a eleição de outros quatro nomes: Ulysses, Alessandra, Fabinho e Adelcino. Ulysses volta à Assembleia após ter exercido mandato entre 2019 e 2023.
O próprio desempenho eleitoral de Russi também cresceu. Em 2022, quando ainda era filiado ao PSB, ele recebeu 70.328 votos. Neste ano, chegou a 86.934, um aumento de 16.606 votos, equivalente a 23,6%, e terminou como o candidato mais votado para a ALMT. A liderança, porém, foi apertada. Lúdio Cabral (PT) obteve 86.107 votos, apenas 827 a menos que Russi.
A votação do Podemos também confirmou a meta anunciada por Russi durante o período que antecedeu a eleição. O presidente da legenda repetiu ao longo da pré-campanha e da campanha que pretendia conquistar pelo menos seis cadeiras e colocar o partido no topo da composição da Assembleia.
Em entrevista ao PodOlhar, do Olhar Direto, em julho, Russi relacionou o desempenho esperado do Podemos nas urnas à construção de um projeto político para 2030. Na ocasião, afirmou que pretendia encerrar sua trajetória de disputas para deputado estadual e buscar, daqui a quatro anos, uma candidatura majoritária ao Governo de Mato Grosso ou ao Senado.
“O fortalecimento do grupo nos fortalece também. Eu tenho dito que essa é a última eleição que quero disputar para deputado estadual. Em 2030 vou disputar outro projeto. Deus vai preparar e o que Ele preparar melhor para mim será o que vou disputar”, afirmou na entrevista.
Russi contou ainda que chegou a analisar a possibilidade de disputar o Governo do Estado já em 2026, mas optou por permanecer na eleição proporcional para consolidar o grupo político antes de avançar para uma candidatura de maior alcance.
“Sou um deputado de grupo. Escuto bastante, procuro trabalhar sempre em grupo. Entendemos que era o momento de fortalecer o partido. Disputar uma eleição de governador sozinho, sem uma base forte, não é fácil. Optamos por construir esse projeto primeiro”, disse.
O presidente da Assembleia também associou a estratégia à trajetória que construiu na política, passando por diferentes cargos antes de chegar à presidência do Legislativo estadual.
“Fui vereador, prefeito, deputado, secretário de Estado. Fiz uma escadinha, conhecendo os municípios, trabalhando e entregando resultados. Agora é o momento de fortalecer esse grupo para, ao longo dos próximos quatro anos, preparar um projeto maior”, declarou.
Com seis deputados, o Podemos inicia a próxima legislatura com maior peso nas articulações internas da Assembleia. Russi, que atualmente preside a Casa, terá um quarto dos 24 parlamentares pertencentes ao próprio partido justamente em um período no qual estará em discussão a próxima composição da Mesa Diretora.
O tamanho da bancada pode dar ao Podemos uma posição relevante nas negociações internas e oferecer a Russi uma base para uma eventual candidatura à presidência da ALMT em 2027. Uma possível recondução, no entanto, dependerá da formação de maioria entre os deputados eleitos e das regras aplicáveis à escolha da Mesa Diretora.
A nova composição deixa o Podemos sozinho na liderança em número de cadeiras. PL e Republicanos terão quatro deputados cada, seguidos pelo MDB, com três. PT, União Brasil e PSDB terão dois parlamentares cada, enquanto o PSD terá um representante.
Além da força imediata na Assembleia, o resultado abre para Russi um período de quatro anos para estruturar o projeto político que pretende levar às urnas em 2030. Durante a entrevista ao PodOlhar, ele já havia apontado o tamanho da bancada como um dos fatores que ajudariam a avaliar a viabilidade de uma candidatura majoritária.
“Tenho convicção de que vamos sair dessa eleição com a maior bancada da Assembleia. Vamos eleger, no mínimo, seis deputados estaduais. Pela qualidade dos nossos candidatos, acredito que teremos 25% da próxima Assembleia”, projetou.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



