Mendonça será relator de pedido de Lula para abrir sigilo dele e de Flávio

O ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foi sorteado relator do requerimento da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para liberar o sigilo fiscal de suas contas se o adversário, Flávio Bolsonaro (PL), fizer o mesmo.
A ação no TSE oficializa um desafio eleitoral de Lula feito durante o debate de domingo (18) na Band. O petista diz que vai liberar suas movimentações e de sua família, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, se Flávio Bolsonaro fizer o mesmo.
Lula apresentou na manhã desta terça-feira (20) duas ações, uma no TSE e outra no STF (Supremo Tribunal Federal), autorizando a divulgação dos seus dados financeiros pela equipe jurídica da campanha. No STF ainda não foi definido relator.
O que disse Lula
Lula fez o anúncio, em pronunciamento à imprensa, nesta manhã e desafiou seu adversário. O presidente afirmou que abrirá seus sigilos bancário e telefônico e também de familiares.
Os advogados estão em Brasília, vão autorizar a abertura de sigilo meu, meus filhos e da Janja. Eu estou disposto para que a sociedade brasileira saiba quem é ladrão. Quero saber se ele [Flávio] tem coragem [de fazer o mesmo]. Meus advogados estão entrando [com a petição], exigindo que ele faça o mesmo.
Lula, candidato à reeleição à Presidência
Advogado da campanha, Angelo Ferraro afirmou a jornalistas que a petição para entrega do sigilo já foi enviada ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e do STF, Edson Fachin.
No documento, o presidente propõe entregar as próprias informações, relativas aos últimos oito anos, além das da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, e dos filhos, Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva —o Lulinha —, Sandro Luís Lula da Silva e Luís Claudio Lula da Silva.
Desafio à família Bolsonaro
Como condição, Lula desafia Flávio Bolsonaro a fazer movimento semelhante, autorizando as mesmas quebras sobre ele, a mulher dele, Fernanda Bolsonaro, os pais Jair Bolsonaro e Rogéria Bolsonaro, além dos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ficou fora do pedido por não ser parente de Flávio.
A divulgação pública dos dados bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos, anterior à próxima quarta-feira (21.10.2026), é fundamental para que a população brasileira seja devidamente informada e possa decidir livremente em quem vai votar.
Campanha de Lula, em petição enviada ao TSE
Sigilos de empresas
A campanha ainda pediu a quebra de sigilo de pelo menos cinco empresas das quais Flávio seria sócio. Entre elas está a Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual o advogado Wiiler Tomaz, amigo do candidato, aparece como um dos donos.
O UOL revelou que emails obtidos pela Polícia Federal indicam que Flávio compartilhava uma conta no Santander com Tomaz, relacionada a essa empresa. Uma das comunicações aponta que o candidato do PL seria "usuário master" da conta. Ambos negam.
Em relação a CNPJs vinculados a Lula, o documento cita a LILS, empresa aberta em 2011 e responsável por palestras do presidente, mas ressalta que o petista é sócio não administrador.
O desafio de abrir o sigilo foi feito por Lula no último domingo (18), durante debate transmitido pela Band.
A medida foi tomada pelo petista depois de ataques de Flávio, que acusou o governo e Fábio Luis, o Lulinha, de corrupção. No debate, Lula disse que a quebra de sigilos serviria para saber quem "é ladrão".
Publicado originalmente em noticias.uol.com.br



