Michelle rompe silêncio, acusa Flávio de humilhação e expõe racha na família Bolsonaro
Ex-primeira-dama diz que foi desrespeitada e “apunhalada” pelo candidato à Presidência, revela que os dois não se falam há meses e mantém oposição à aliança do PL com Ciro Gomes
Por Daniel Trindade5 min de leitura

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expôs publicamente, nesta quarta-feira (24), um conflito que mantém há meses com o enteado e candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro. Em dois vídeos publicados nas redes sociais, ela afirmou que foi desrespeitada, maltratada, humilhada e “apunhalada” pelo parlamentar durante uma discussão sobre os rumos políticos do partido no Ceará.
As declarações aprofundam uma divisão interna que vinha sendo minimizada publicamente por integrantes da família Bolsonaro. Michelle revelou que não conversa com Flávio desde o fim de 2025, apesar de o senador visitar com frequência a residência onde ela vive com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As gravações somam aproximadamente 26 minutos. Michelle decidiu falar depois da divulgação de informações segundo as quais teria condicionado seu apoio à campanha presidencial do enteado a um pedido público de desculpas dos filhos de Jair Bolsonaro.
A ex-primeira-dama negou ter feito qualquer exigência e apresentou sua versão para o rompimento. Segundo ela, o conflito começou em novembro de 2025, após criticar a articulação conduzida pelo presidente do PL no Ceará, deputado federal André Fernandes, para apoiar a candidatura de Ciro Gomes, do PSDB, ao governo estadual.
Michelle rejeita a composição no primeiro turno e defende que o eleitorado de direita apoie o senador Eduardo Girão, do Novo. Flávio e André Fernandes, por outro lado, apoiam a aliança com Ciro sob o argumento de construir uma frente eleitoral capaz de derrotar o PT no Ceará.
Ao recordar o episódio, Michelle afirmou que ficou surpresa com as manifestações públicas de Flávio contra seu posicionamento.
“Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras, em tom agressivo, defendendo André Fernandes e, em consequência, apoiando a aliança com o homem que chamou a ele, a mãe e seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes nazistoides”, declarou.
Michelle também disse ter percebido uma ação coordenada depois que outros filhos do ex-presidente se manifestaram sobre o caso. Segundo ela, Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro fizeram publicações semelhantes em um intervalo curto.
“Depois veio Eduardo. Depois veio Carlos. Entendi que havia uma organização para me atacar. Ali, levei uma punhalada”, afirmou.
A presidente nacional do PL Mulher relatou que tentou telefonar para Flávio após as publicações, mas não foi atendida inicialmente. O senador teria retornado a ligação posteriormente e adotado uma postura considerada agressiva por ela.
“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia de política”, contou.
Michelle afirmou que entendeu a conversa como uma indicação de que seu apoio à candidatura presidencial de Flávio não seria considerado importante.
“Entendi que ele não queria o meu apoio ou que esse apoio era insignificante. Então, eu me recolhi”, declarou.
A ex-primeira-dama reagiu ainda às críticas sobre sua experiência política. Ela citou sua atuação na organização do PL Mulher nos estados e afirmou que o trabalho desenvolvido pelo movimento contribuiu para a eleição de mais de mil mulheres nas disputas municipais de 2024.
“Para ele e para alguns que o cercam, eu não entendo de política. Tudo bem. Eu me recolhi. Desde aquele dia, ele não me procurou mais e eu também não o procurei, porque estou respeitando o que ele falou”, disse.
Segundo Michelle, os dois não mantêm contato desde o episódio. Ela ressaltou que Flávio visita Jair Bolsonaro mais de uma vez por semana e poderia procurá-la pessoalmente caso tivesse interesse em esclarecer o desentendimento.
“Ele vai à minha casa duas vezes por semana. Se quisesse falar comigo ou pedir desculpas, poderia subir as escadas e bater na minha porta”, afirmou.
Michelle negou, porém, que tenha exigido uma retratação pública como condição para participar da campanha presidencial.
“Eu nunca pedi, cobrei ou condicionei desculpas públicas de ninguém. Não preciso disso. Já liberei o perdão há muito tempo”, declarou.
A ex-primeira-dama disse que decidiu apresentar sua versão porque estaria sendo responsabilizada pela falta de aproximação com a candidatura de Flávio. Ela também reclamou de ataques feitos por pessoas ligadas ao próprio grupo político.
Segundo Michelle, publicações nas redes sociais tentam retirar o sobrenome Bolsonaro de seu nome e questionam sua ligação com a família. Ela ressaltou que esse tipo de ataque também atinge Laura, filha adolescente que tem com o ex-presidente.
“Não tirem de mim o sobrenome que meu marido me deu. Quando fazem isso comigo, também fazem com a minha filha”, afirmou.
Mesmo após tornar público o rompimento, Michelle não descartou participar da campanha de Flávio. Ela havia declarado anteriormente que ajudaria o enteado “no momento certo”, mas mantém como prioridade os cuidados com a saúde de Jair Bolsonaro.
A divergência sobre o Ceará, entretanto, permanece. Michelle afirmou que uma aproximação com Ciro Gomes poderia ser discutida em um eventual segundo turno, mas insistiu que o PL deveria apoiar Eduardo Girão na primeira etapa da eleição.
“Não estou exigindo que se desfaça nenhuma aliança no Ceará, mas que ela seja adiada para o segundo turno. É preciso dar uma chance ao candidato que verdadeiramente se enquadra e defende os nossos valores”, declarou.
O PL cearense anunciou apoio à candidatura de Ciro Gomes em maio. A articulação liderada por André Fernandes também envolve a formação da chapa para o Senado e contraria a posição defendida por Michelle desde o ano passado.
A manifestação da ex-primeira-dama ocorre em um momento delicado para a campanha presidencial de Flávio, que tenta consolidar o eleitorado bolsonarista e ampliar sua presença entre as mulheres. Michelle preside o PL Mulher, mantém influência entre o público conservador e já teve o nome citado como possível alternativa presidencial dentro da direita.
Antes da publicação dos vídeos, Flávio vinha minimizando as divergências e afirmando que Michelle estaria alinhada ao projeto eleitoral do partido. A fala da ex-primeira-dama, no entanto, revelou que o afastamento entre os dois é mais profundo do que vinha sendo admitido publicamente.
Até a publicação desta matéria, Flávio Bolsonaro não havia se manifestado sobre as novas declarações de Michelle.
As declarações aprofundam uma divisão interna que vinha sendo minimizada publicamente por integrantes da família Bolsonaro. Michelle revelou que não conversa com Flávio desde o fim de 2025, apesar de o senador visitar com frequência a residência onde ela vive com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As gravações somam aproximadamente 26 minutos. Michelle decidiu falar depois da divulgação de informações segundo as quais teria condicionado seu apoio à campanha presidencial do enteado a um pedido público de desculpas dos filhos de Jair Bolsonaro.
A ex-primeira-dama negou ter feito qualquer exigência e apresentou sua versão para o rompimento. Segundo ela, o conflito começou em novembro de 2025, após criticar a articulação conduzida pelo presidente do PL no Ceará, deputado federal André Fernandes, para apoiar a candidatura de Ciro Gomes, do PSDB, ao governo estadual.
Michelle rejeita a composição no primeiro turno e defende que o eleitorado de direita apoie o senador Eduardo Girão, do Novo. Flávio e André Fernandes, por outro lado, apoiam a aliança com Ciro sob o argumento de construir uma frente eleitoral capaz de derrotar o PT no Ceará.
Ao recordar o episódio, Michelle afirmou que ficou surpresa com as manifestações públicas de Flávio contra seu posicionamento.
“Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras, em tom agressivo, defendendo André Fernandes e, em consequência, apoiando a aliança com o homem que chamou a ele, a mãe e seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes nazistoides”, declarou.
Michelle também disse ter percebido uma ação coordenada depois que outros filhos do ex-presidente se manifestaram sobre o caso. Segundo ela, Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro fizeram publicações semelhantes em um intervalo curto.
“Depois veio Eduardo. Depois veio Carlos. Entendi que havia uma organização para me atacar. Ali, levei uma punhalada”, afirmou.
A presidente nacional do PL Mulher relatou que tentou telefonar para Flávio após as publicações, mas não foi atendida inicialmente. O senador teria retornado a ligação posteriormente e adotado uma postura considerada agressiva por ela.
“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia de política”, contou.
Michelle afirmou que entendeu a conversa como uma indicação de que seu apoio à candidatura presidencial de Flávio não seria considerado importante.
“Entendi que ele não queria o meu apoio ou que esse apoio era insignificante. Então, eu me recolhi”, declarou.
A ex-primeira-dama reagiu ainda às críticas sobre sua experiência política. Ela citou sua atuação na organização do PL Mulher nos estados e afirmou que o trabalho desenvolvido pelo movimento contribuiu para a eleição de mais de mil mulheres nas disputas municipais de 2024.
“Para ele e para alguns que o cercam, eu não entendo de política. Tudo bem. Eu me recolhi. Desde aquele dia, ele não me procurou mais e eu também não o procurei, porque estou respeitando o que ele falou”, disse.
Segundo Michelle, os dois não mantêm contato desde o episódio. Ela ressaltou que Flávio visita Jair Bolsonaro mais de uma vez por semana e poderia procurá-la pessoalmente caso tivesse interesse em esclarecer o desentendimento.
“Ele vai à minha casa duas vezes por semana. Se quisesse falar comigo ou pedir desculpas, poderia subir as escadas e bater na minha porta”, afirmou.
Michelle negou, porém, que tenha exigido uma retratação pública como condição para participar da campanha presidencial.
“Eu nunca pedi, cobrei ou condicionei desculpas públicas de ninguém. Não preciso disso. Já liberei o perdão há muito tempo”, declarou.
A ex-primeira-dama disse que decidiu apresentar sua versão porque estaria sendo responsabilizada pela falta de aproximação com a candidatura de Flávio. Ela também reclamou de ataques feitos por pessoas ligadas ao próprio grupo político.
Segundo Michelle, publicações nas redes sociais tentam retirar o sobrenome Bolsonaro de seu nome e questionam sua ligação com a família. Ela ressaltou que esse tipo de ataque também atinge Laura, filha adolescente que tem com o ex-presidente.
“Não tirem de mim o sobrenome que meu marido me deu. Quando fazem isso comigo, também fazem com a minha filha”, afirmou.
Mesmo após tornar público o rompimento, Michelle não descartou participar da campanha de Flávio. Ela havia declarado anteriormente que ajudaria o enteado “no momento certo”, mas mantém como prioridade os cuidados com a saúde de Jair Bolsonaro.
A divergência sobre o Ceará, entretanto, permanece. Michelle afirmou que uma aproximação com Ciro Gomes poderia ser discutida em um eventual segundo turno, mas insistiu que o PL deveria apoiar Eduardo Girão na primeira etapa da eleição.
“Não estou exigindo que se desfaça nenhuma aliança no Ceará, mas que ela seja adiada para o segundo turno. É preciso dar uma chance ao candidato que verdadeiramente se enquadra e defende os nossos valores”, declarou.
O PL cearense anunciou apoio à candidatura de Ciro Gomes em maio. A articulação liderada por André Fernandes também envolve a formação da chapa para o Senado e contraria a posição defendida por Michelle desde o ano passado.
A manifestação da ex-primeira-dama ocorre em um momento delicado para a campanha presidencial de Flávio, que tenta consolidar o eleitorado bolsonarista e ampliar sua presença entre as mulheres. Michelle preside o PL Mulher, mantém influência entre o público conservador e já teve o nome citado como possível alternativa presidencial dentro da direita.
Antes da publicação dos vídeos, Flávio vinha minimizando as divergências e afirmando que Michelle estaria alinhada ao projeto eleitoral do partido. A fala da ex-primeira-dama, no entanto, revelou que o afastamento entre os dois é mais profundo do que vinha sendo admitido publicamente.
Até a publicação desta matéria, Flávio Bolsonaro não havia se manifestado sobre as novas declarações de Michelle.
Publicado originalmente em deixaqueeuteconto.com.br


