Movimento negro cria ‘Exército Antirracista’ para ampliar presença negra nos espaços de poder
Inspirado no "Exército do Lula", canal que pretende ampliar o debate sobre racismo no país já soma mais de 25 mil seguidores

Movimentos negros lançaram na segunda-feira (2) o “Exército Antirracista”, mobilização que busca fortalecer o debate sobre o racismo e cobrar maior presença de negros e indígenas nos espaços de poder.
O canal no WhatsApp já alcançou 25 mil seguidores e propõe o compartilhamento de conteúdos, a valorização da cultura negra e indígena e a divulgação de referências antirracistas.
A articulação tem como inspiração o “Exército do Lula”, canal criado em 14 de abril pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que ultrapassou 10 milhões de seguidores no WhatsApp e se tornou o terceiro maior da plataforma no Brasil, segundo levantamento da Carta Capital.
Na reta final da disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o grupo funcionou como instrumento de mobilização digital em apoio à campanha de reeleição do presidente.
A ativista Luana Genót, fundadora e CEO do Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), organização que integra a iniciativa, explica que a proposta é transformar o engajamento em uma forma de pressão para ampliar a participação negra e indígena na estrutura do Estado.
“A ideia é fazer com que o exército seja um grupo de pressão, que estimule o diálogo e a priorização da maior participação negra e indígena nos cargos de poder, especialmente nos ministérios, secretarias executivas, autarquias, enfim”, destaca em entrevista à Alma Preta.
Genót conta que a ideia de criar o canal surgiu durante as eleições, quando acompanhou a experiência da mobilização criada por Janones. Após conversar com o deputado federal, apresentou a possibilidade de usar a iniciativa para divulgar a reivindicação por maior representatividade nos ministérios e no Supremo Tribunal Federal (STF).
“A ideia dessa articulação ocorreu durante as eleições, com a experiência do Exército do Lula, que, em defesa da democracia, conseguiu unir a direita e a esquerda em um espaço de diálogo”.
Para além da ocupação de cargos públicos, a expectativa é que a iniciativa contribua para ampliar a presença de pessoas negras e indígenas em posições de liderança na sociedade e para mudanças concretas nas condições de vida desses grupos.
A ativista aponta o acesso a recursos e oportunidades como parte desse horizonte.
“Esperamos que isso se desdobre para o campo prático da vida comum, com pessoas negras e indígenas na liderança das empresas, tendo mais orçamento, mais acesso a crédito e por aí vai”, conclui.
Publicado originalmente em almapreta.com.br



