Na UFMT, Cármen Lúcia diz que não há democracia sem liberdade de imprensa e defende conhecimento como direito de todos
Durante a abertura da Semana do Conhecimento UFMT 2026, ministra do STF destacou o papel dos jornalistas na garantia de direitos e cobrou que universidades ultrapassem barreiras físicas e sociais

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (13), em Cuiabá, que a liberdade de expressão e de imprensa são indispensáveis à democracia e que o conhecimento deve ser tratado como um direito fundamental de todas as pessoas. A declaração foi feita durante a abertura da Semana do Conhecimento UFMT 2026, evento que reúne atividades de pesquisa, extensão e divulgação científica até o dia 19 de outubro.
Ao falar com jornalistas, a ministra destacou a importância da imprensa em um momento em que a liberdade de expressão e o direito à informação estão em debate em diferentes partes do mundo. Segundo ela, embora a Constituição assegure o acesso à informação, a efetivação desse direito depende também do trabalho dos profissionais responsáveis por levar à sociedade os conhecimentos produzidos em espaços como as universidades.
Cármen Lúcia afirmou que se sente “sempre muito feliz” ao lidar com a imprensa e ressaltou que a atuação dos jornalistas tem uma função social essencial para o funcionamento democrático. A ministra também relacionou o exercício da profissão à garantia de direitos e à circulação do conhecimento produzido pela comunidade acadêmica.
Ministra relembra atuação como advogada de jornalistas
Durante a fala, Cármen Lúcia mencionou a própria trajetória profissional e lembrou que, no início da carreira, atuou como advogada de jornalistas e do sindicato da categoria. A experiência, segundo ela, contribuiu para que conhecesse de perto as dificuldades enfrentadas pelos profissionais da imprensa.
“Por isso, talvez eu saiba bem as dificuldades que não são fáceis da vida de cada um de nós”, disse a ministra, ao reforçar a importância do trabalho jornalístico para assegurar direitos e fortalecer a democracia no país.
A declaração também destacou a relação entre liberdade de imprensa, informação e participação social. Para Cármen Lúcia, o conhecimento produzido nas universidades precisa chegar à população, e os jornalistas exercem papel importante nesse processo ao tornar essas informações acessíveis à sociedade.
Universidade deve superar muros físicos e sociais
A ministra também defendeu que as universidades ultrapassem não apenas seus limites físicos, mas também as barreiras sociais que dificultam o acesso ao conhecimento. Ao agradecer à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) pelo convite para a abertura do evento, ela afirmou que o saber não deve ficar restrito a determinados grupos.
Na avaliação de Cármen Lúcia, todas as pessoas devem ter acesso ao que a humanidade descobriu, inventou e conquistou ao longo do tempo, com oportunidades de compartilhar esse patrimônio de forma igualitária. Ela reconheceu, porém, que ainda existem pessoas sem as mesmas condições de acesso ao ensino.
“É pelo conhecimento que cada um de nós pode descobrir a sua própria vocação”, ressaltou. Para a ministra, a educação permite que cada indivíduo desenvolva seus talentos e coloque suas capacidades a serviço da sociedade. Esse compromisso, afirmou, deve orientar tanto a atuação das universidades quanto a responsabilidade de cada cidadão.
Ao encerrar a fala, Cármen Lúcia agradeceu novamente pela acolhida e manifestou confiança na contribuição das universidades para o desenvolvimento do país. Ao se referir a Mato Grosso, afirmou que o estado “tanto tem ajudado o Brasil”.
Semana do Conhecimento segue até 19 de outubro
A Semana do Conhecimento UFMT 2026 reúne iniciativas de pesquisa, extensão e produção de conhecimento da comunidade universitária. A programação inclui a XVII Mostra de Extensão da Graduação e a Mostra de Extensão da Pós-Graduação, previstas para o dia 15 de outubro, a partir das 8h, no Teatro da UFMT.
Outro destaque é o 34º Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica, realizado nos campi de Cuiabá e Várzea Grande entre os dias 14 e 19 de outubro. As atividades integram a programação do evento, que busca apresentar trabalhos e iniciativas desenvolvidos pela comunidade acadêmica.
A organização é da PROPESQ, PROCEV, EIT e PROPG, com apoio da PROEG e da Fundação Uniselva. A programação segue até 19 de outubro, reunindo diferentes áreas de produção e compartilhamento de conhecimento na universidade.
Publicado originalmente em infoverus.com.br

