Oposição se rende à 6x1 e tenta revide a Lula com redução da maioridade

A aprovação do fim da escala 6x1 no Senado acendeu o alerta na oposição bolsonarista, que vê a pauta como bandeira positiva à reeleição de Lula (PT). Em uma tentativa de conter danos eleitorais para Flávio Bolsonaro, o PL mudou de posição sobre o tema e colocou-se a favor da pauta. Em outra frente, criou uma manobra para minar outra bandeira de Lula, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, que deverá ser votada em dois turnos nesta quinta-feira (15).
Na tarde desta quarta-feira (14), o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, apresentou uma emenda para incluir uma bandeira bolsonarista na PEC da Segurança: a redução da maioridade penal para 16 anos e, em caso de crimes hediondos, para 14.
A estratégia dos aliados de Flávio é tentar pautar a emenda para constranger o governo em uma discussão sobre o tema no plenário do Senado. A redução da maioridade penal é um tema que encontra apoio na sociedade — tem a aprovação de 79% da população, de acordo com o Datafolha divulgado em julho.
Com a manobra os bolsonaristas esperam obrigar os governistas a apoiar uma medida a que a esquerda sempre se opôs ou a votar contra uma mudança que tem apoio da maioria da sociedade. Além disso, se a emenda for incluída, a entrava em vigor da PEC sofreria um atraso.
O PT tenta evitar que a emenda seja incluída na PEC da Segurança, o que faria o texto voltar para a Câmara dos Deputados, e dar andamento à parte à emenda — ou seja, ela teria que ser analisada por comissões do Senado ou, se aprovada, seria encaminhada diretamente para a discussão dos deputados.
A PEC da Segurança foi aprovada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado e agora vai a plenário. O projeto foi aprovado em março pela Câmara.
Governo desdenha: "Flávio fez o 'L'"
Aliados do presidente Lula tentaram minimizar o apoio da oposição à proposta que altera a jornada de trabalho. Ao longo do dia, governistas incorporaram ao discurso declarações de que lideranças do PL sempre foram contrárias à medida, mas se viram "encurraladas" a aprovar o texto em meio à pressão eleitoral.
O temor é que os oposicionistas capitalizem com a aprovação da PEC ou neutralizem os ganhos políticos do governo.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, acompanhou a votação no Senado e ironizou a adesão do presidenciável do PL. "O Lula convenceu o Flávio a fazer o 'L', porque todo mundo sabe que os senadores do PL nunca votaram a favor dessa matéria. A proposta deles era outra, não queriam aprovar essa PEC", afirmou.
A 11 dias do segundo turno, a PEC que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada máxima para 40 horas semanais foi aprovada em duas votações no Senado por 75 votos a 1. O único voto contrário foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
Agora, Lula estuda o melhor formato para celebrar a promulgação da matéria — a cerimônia depende de marcação de Davi Alcolumbre (União-AP). O presidente avalia ir pessoalmente ao Senado ou reunir presidentes e líderes partidários no Palácio do Planalto para agradecer o apoio dos aliados na votação.
Publicado originalmente em noticias.uol.com.br



