Pedro Taques amarga terceira derrota majoritária seguida e encerra ciclo de queda política
Ex-governador, que chegou ao Senado e ao Palácio Paiaguás em ascensão meteórica, acumulou três derrotas consecutivas em disputas majoritárias e agora pode “pedir música no Fantástico”

A eleição ao Senado em Mato Grosso neste ano consolidou a fase de declínio político do ex-governador Pedro Taques (PSB), que sofreu a terceira derrota consecutiva em uma disputa majoritária. A trajetória contrasta com a ascensão meteórica vivida pelo político a partir de 2010, quando se elegeu senador e passou a ocupar um dos principais espaços da política mato-grossense.
Ex-procurador da República, Taques ganhou projeção nacional e, dois anos depois de chegar ao Senado, já era apontado como um dos nomes em ascensão no cenário político de Mato Grosso. Em 2014, fez uma campanha avassaladora e conseguiu chegar ao Governo do Estado, ampliando ainda mais o espaço que havia conquistado na política estadual.
Naquele período, o momento era tão favorável que integrantes de seu núcleo político mais próximo chegaram a sonhar com voos ainda mais altos. Questionado sobre a possibilidade de disputar a Presidência da República, Taques costumava responder com uma dose calculada de ambiguidade, afirmando que “sabia o próprio tamanho”.
A velocidade da ascensão, porém, acabou sendo acompanhada por uma queda igualmente rápida. Quatro anos depois de assumir o Governo de Mato Grosso, Taques tentou a reeleição, mas terminou a disputa em terceiro lugar, com uma votação considerada pífia e inferior, inclusive, à soma dos votos brancos e nulos.
Tentativa de retorno ao Senado
Depois da derrota na disputa pelo Governo do Estado, Taques tentou reconstruir sua carreira política justamente no cargo que havia ocupado antes de chegar ao Palácio Paiaguás. Em 2020, participou da eleição suplementar ao Senado realizada em Mato Grosso, mas o resultado voltou a ser negativo.
O ex-governador terminou aquela disputa em sétimo lugar, distante de retornar ao Congresso Nacional e dando mais um sinal de que a força eleitoral que havia marcado sua trajetória política já não era a mesma.
Ainda assim, Taques voltou a tentar se reposicionar. Neste ano, buscou apresentar uma nova versão de sua candidatura, com mudanças no discurso e na estratégia política. Entre os movimentos adotados esteve a tentativa de fazer as pazes com os servidores públicos e uma guinada mais à esquerda.
A estratégia, contudo, não foi suficiente para recolocar o ex-governador entre os principais nomes da disputa. Taques terminou novamente derrotado, desta vez em quinto lugar na corrida ao Senado.
O resultado completa uma sequência de três derrotas em eleições majoritárias e marca um contraste direto com o período em que o ex-governador parecia estar no auge de sua trajetória política.
Depois de sair do Senado para conquistar o Governo de Mato Grosso e, posteriormente, acumular derrotas em tentativas de voltar ao cenário majoritário, Taques chega a mais um revés eleitoral.
Com três derrotas majoritárias consecutivas, o ex-governador já pode, pelo menos no bom humor da política, “pedir música no Fantástico”.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



