PF identifica rede que movimentou R$ 58 mi no TCE-MT
Investigação aponta que 3 servidores receberam 478 pagamento. Imagens revelam saques em espécie por diferentes investigados

A Polícia Federal identificou uma movimentação financeira de R$ 58,1 milhões envolvendo três servidores do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). A apuração aponta pagamentos de valores elevados, transferências entre diferentes contas bancárias e saques em dinheiro realizados em períodos próximos.
As informações fazem parte da investigação que deu origem à Operação Tomada de Contas, deflagrada na quinta-feira (29), que resultou na prisão do então presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, e no afastamento de outros integrantes da Corte.
Conforme representação encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), os três servidores receberam juntos R$ 58.135.789,69, distribuídos em 478 operações financeiras.
O maior volume foi identificado nas contas de Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, que recebeu R$ 32,31 milhões em 217 operações. Gustavo Fernandes da Silva aparece com R$ 15,89 milhões, em 164 pagamentos, enquanto Felipe José Glinke recebeu R$ 9,93 milhões, em 97 operações.
A Polícia Federal investiga a origem dos recursos, as justificativas administrativas para os pagamentos e uma possível relação com o esquema de irregularidades suspeito de atuar dentro do tribunal. Os valores correspondem a movimentações identificadas nas contas dos investigados e não representam, necessariamente, desvios comprovados.
Saques em sequência
A análise de imagens das câmeras de segurança da agência do Sicoob Integração, localizada nas dependências do TCE-MT, revelou uma sequência de retiradas de dinheiro realizadas por diferentes pessoas em intervalos curtos.
Inicialmente, os investigadores identificaram Roseli Loss e Adriangelo Barros Antunes como possíveis operadores financeiros responsáveis por saques em dinheiro vivo, utilizando contas bancárias de terceiros, possivelmente relacionadas ao conselheiro Sérgio Ricardo.
Com o avanço das apurações e a análise dos dados bancários, outros servidores passaram a aparecer nas movimentações.
Em 5 de setembro de 2025, por exemplo, Felipe José Glinke, Gustavo Fernandes da Silva e Roseli Loss foram flagrados realizando saques em um intervalo de pouco mais de dez minutos.
Outro episódio ocorreu em 16 de setembro, quando Roseli e Adriangelo realizaram operações entre 10h13 e 10h18. Na sequência, Felipe esteve na agência às 10h35 e Jocimauro Bento do Carmo realizou outro saque às 10h57.
Para a Polícia Federal, a repetição desse comportamento pode indicar uma atuação coordenada na movimentação de recursos em espécie.
Transferências e retiradas de dinheiro
Os extratos bancários também apontaram que parte dos pagamentos realizados pelo TCE era distribuída entre diferentes contas de um mesmo beneficiário.
Em 1º de setembro de 2025, Gustavo Fernandes da Silva recebeu R$ 575,2 mil do tribunal, em transferências destinadas a contas de diferentes instituições financeiras. Três dias depois, ele foi identificado pelas câmeras realizando uma retirada de dinheiro.
Felipe José Glinke também aparece em movimentações semelhantes. Em 10 de setembro, recebeu R$ 384,8 mil do TCE e, seis dias depois, foi registrado realizando um saque na agência.
Um dos episódios considerados relevantes pelos investigadores ocorreu em 7 de outubro de 2025. Na ocasião, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia iniciou um atendimento bancário enquanto uma funcionária organizava volumes de dinheiro. Segundo a descrição da Polícia Federal, ele deixou o local sem recolher os valores.
Pouco depois, Gustavo Fernandes da Silva chegou ao caixa e retirou o dinheiro que estava sobre a mesa.
Os registros bancários indicam que, entre os dias 1º e 7 de outubro, Grhegory recebeu R$ 2,41 milhões do TCE, enquanto Gustavo recebeu R$ 574,3 mil.
A investigação também identificou saques realizados por Jocimauro Bento do Carmo em setembro e outubro do ano passado.
A Polícia Federal busca esclarecer a finalidade dos pagamentos, o destino dos valores retirados em espécie e uma possível ligação entre as movimentações financeiras e decisões administrativas do Tribunal de Contas.
Até o momento, os elementos apresentados na investigação apontam suspeitas que ainda precisam ser aprofundadas. A utilização de diferentes contas bancárias ou a realização de saques, isoladamente, não comprova a prática de irregularidades.
Publicado originalmente em nativanews.com.br

