PF pede mais tempo para investigar Lulinha; "pesca probatória", diz defesa

A Polícia Federal quer ampliar o prazo para avançar em duas investigações que têm como alvo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT). Os inquéritos apuram suspeitas de crimes como tráfico de influência e corrupção.
Os pedidos de prorrogação e de elaboração de novos relatórios foram incluídos no sistema em 2 de outubro, sob sigilo. Até o momento, não houve decisão autorizando a extensão do prazo. Embora as solicitações tenham sido dirigidas ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), os andamentos dos processos envolvendo Lulinha estão sendo direcionados ao gabinete do presidente da corte, Edson Fachin.
Entre as medidas solicitadas pela PF estão o levantamento das viagens feitas por Lulinha dentro e fora do país, a identificação de quem pagou pelas passagens e a verificação de quais tiveram a companhia da lobista Roberta Luchsinger. A corporação também pretende reunir informações sobre participações societárias, movimentações financeiras e registros de agendas e reuniões de investigados em órgãos públicos federais.
"Não acharam absolutamente nada e agora estão tentando achar provas para justificar a apuração. Um inquérito que começa pelo fim", afirmou o advogado Marco Aurélio de Carvalho ao UOL. A defesa sustenta que não há elementos que justifiquem a continuidade da investigação e classifica as diligências como "pesca probatória".
A defesa de Roberta Luchsinger também contestou as diligências. "Durante 1 ano de investigações não se chegou a lugar algum", afirmou o advogado Roberto Podval. "Me parece que o caminho natural seria o arquivamento. A manutenção das investigações nesse momento nos remete a utilização política das mesmas o que se lamenta profundamente", disse.
Ao pedir mais tempo, a PF argumentou que ainda há medidas pendentes e que os resultados são necessários para esclarecer os fatos e avaliar a necessidade de novas providências investigativas.
As duas investigações tratam de suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo Lulinha e Roberta Luchsinger. Uma apura uma possível atuação dos dois na intermediação de um contrato de cannabis medicinal no Ministério da Saúde. A outra investiga suspeitas de intermediação de negócios no governo federal em benefício do empresário do setor de tecnologia Cléber Ribas, cujas empresas obtiveram contratos com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
Um terceiro inquérito sobre Lulinha tramita na PF, mas sob relatoria do ministro Flávio Dino. A investigação apura a relação de Roberta e Lulinha com o ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e o possível vazamento de dados federais.
Publicado originalmente em noticias.uol.com.br
