PL e Republicanos disputam 1ª-secretaria enquanto Max Russi encaminha permanência na presidência da Assembleia
Cargo hoje ocupado por Dr. João é alvo de duas bancadas com quatro deputados cada; articulação que reúne Podemos, MDB e outros partidos pode formar maioria para definir a nova Mesa Diretora em fevereiro de 2027

A definição das bancadas que tomarão posse em fevereiro de 2027 já movimenta as articulações para a eleição da nova Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Com Max Russi (Podemos) encaminhado para permanecer na presidência, a disputa política se concentra na primeira-secretaria, atualmente ocupada por Dr. João (MDB) e cobiçada por representantes do PL e do Republicanos.
A votação está prevista para 1º de fevereiro, durante a posse dos 24 deputados estaduais. O Podemos terá a maior bancada, com seis parlamentares, seguido por PL e Republicanos, com quatro cada, e MDB, com três. A composição das bancadas deve influenciar as negociações, mas a distribuição dos cargos dependerá da capacidade de cada grupo de reunir apoio entre os parlamentares.
O peso político da primeira-secretaria
A primeira-secretaria é considerada o segundo posto mais importante da estrutura administrativa da Assembleia. Além de participar diretamente da gestão interna da Casa, o cargo concentra influência sobre uma estrutura com numerosos cargos comissionados e costuma dividir com a presidência o poder sobre posições estratégicas.
Um exemplo dessa influência é Carlos Alexandre Alves Nunes, atual secretário-geral da ALMT. Ele é apontado como nome de confiança de Dr. João e deixou a chefia de gabinete do deputado para assumir uma das funções administrativas mais importantes da Assembleia.
A relevância do posto ajuda a explicar o interesse das bancadas em ampliar sua participação na Mesa Diretora. Com a presidência encaminhada para Max Russi, a primeira-secretaria se tornou o principal foco das negociações entre os partidos.
PL e Republicanos querem ampliar espaço
No PL, o deputado Faissal Calil já demonstrou interesse em integrar a próxima Mesa Diretora. O presidente estadual da sigla, Ananias Filho, também defendeu que o partido conquiste mais espaço na composição. Atualmente, o PL ocupa a segunda vice-presidência, com Gilberto Cattani, mas a eleição de quatro deputados ampliou o peso da bancada nas articulações.
O Republicanos, que também terá quatro parlamentares, conta ainda com a influência política do governador Otaviano Pivetta. Diego Guimarães, deputado mais votado da sigla e próximo do governador, ocupa atualmente a terceira-secretaria da Mesa.
A bancada republicana pretende discutir internamente um nome antes de iniciar as negociações com os demais grupos. O movimento indica que o partido busca definir sua estratégia antes de entrar na disputa direta pelos espaços da nova composição.
Dr. João, por sua vez, trabalha para continuar na primeira-secretaria. Além dos votos do MDB, o deputado deve buscar apoio de parlamentares de outras siglas com quem construiu relações políticas durante o exercício do cargo.
Articulação pode reunir 14 votos
Apesar do interesse de PL e Republicanos, o tamanho das bancadas não determina automaticamente quem ficará com os principais postos da Mesa Diretora. Uma das possibilidades de articulação reúne Podemos e MDB, que somam nove deputados, além de Carlos Avallone e Chico Guarnieri, do PSDB, Wilson Santos, do PSD, e Valdir Barranco e Lúdio Cabral, do PT.
Se esse grupo atuar em conjunto, poderá alcançar 14 votos, número suficiente para eleger a Mesa. A conta, porém, representa uma possibilidade de articulação, e não um acordo fechado entre os parlamentares citados.
Essa composição potencial ajuda a dimensionar o desafio de uma candidatura adversária para conquistar apoio suficiente. A negociação ainda pode envolver diferentes combinações entre partidos e deputados, especialmente na distribuição das vice-presidências e das demais secretarias.
Na eleição da atual Mesa Diretora, a composição foi aprovada pelos 24 deputados, resultado que serve de referência para a possibilidade de uma negociação ampla também em 2027.
Com a presidência praticamente encaminhada para Max Russi, a disputa pela primeira-secretaria deve concentrar boa parte das conversas até a votação. O resultado dependerá dos acordos construídos entre as bancadas e da distribuição dos demais cargos para acomodar os diferentes grupos políticos da Assembleia.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



