Polícia lança gás lacrimogêneo contra manifestantes na Argentina
A polícia usou gás lacrimogêneo contra manifestantes durante protestos organizados por entidades estudantis e da sociedade civil em defesa de mais recursos para as instituições públicas.

A polícia usou gás lacrimogêneo contra manifestantes durante protestos organizados por entidades estudantis e da sociedade civil em defesa de mais recursos para as instituições públicas.
O que se sabe
Mobilização ocorreu em frente ao Congresso Nacional em Buenos Aires. Manifestantes pedem a implementação da Lei de Financiamento Universitário, aprovada pelos congressistas. O protesto levou milhares de pessoas às ruas.
"Educação, soberania e democracia" foi um dos slogans usados no evento. O movimento reuniu entidades como Frente Nacional Interuniversitária e Confederação das Universidades Argentinas. O presidente da Argentina, Javier Milei, foi um dos principais alvos dos grupos.
Milei, obedeça à lei. Faixa usada por manifestantes
Polícia entrou em confronto com manifestantes e lançou gás lacrimogêneo. A ação ocorreu por volta das 16h30 (horário de Brasília), durante os protestos, que também tiveram registros de depredação. Ainda não há informações sobre detidos ou feridos.
O que manifestantes pedem
Estudantes e professores cobram cumprimento da Lei de Financiamento Universitário. Aprovada pelo Congresso em agosto de 2025, a norma determina a recomposição de salários e orçamentos das universidades argentinas conforme a inflação, mas o governo de Javier Milei se recusa a aplicá-la, segundo a agência de notícias RFI.
Universidades acumulam perdas salariais de 33,4% e cortes orçamentários de 47,7%. Desde que Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, as instituições também registraram redução de 20% no valor das bolsas estudantis.
Protesto reúne sindicatos e organizações da sociedade civil contra política de austeridade. Centrais sindicais, movimentos políticos e entidades historicamente aliadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como a CGT e a CTA, aderiram à mobilização.
Manifestação pode reunir mais de 1 milhão de pessoas em todo o país. Nas quatro edições anteriores, os atos levaram mais de um milhão de participantes às ruas, metade deles em Buenos Aires.
Congresso argentino discute revogação de decreto que amplia poderes de Milei. A medida, em vigor desde o primeiro mês de mandato, altera regras trabalhistas, contratos de aluguel, planos de saúde, compra de terras por estrangeiros e funcionamento de empresas públicas.
Senado já rejeitou decreto de Milei em março de 2024. A eventual revogação pelos deputados representaria um revés para o governo, que utiliza a medida para implementar mudanças em diferentes setores da economia.
Estudantes brasileiros na Argentina temem impactos de política semelhante no Brasil. Cerca de 15 mil brasileiros estudam em universidades argentinas, e parte deles relaciona os cortes promovidos por Milei às propostas de ajuste fiscal associadas a Flávio Bolsonaro, ainda de acordo com a RFI.
Brasileiros se organizam para participar de ato em defesa da universidade pública. A estudante de Medicina Letícia Lopes, da Universidade de Buenos Aires, afirma que os alunos querem somar forças à mobilização diante dos impactos do desfinanciamento sobre o ensino e a pesquisa.
Decisão judicial determina aplicação da Lei de Financiamento Universitário. O governo Milei recorreu da sentença que obriga a recomposição dos recursos destinados às universidades.
Congresso também debate financiamento para pessoas com deficiência e devedores inadimplentes. A sessão plenária ocorre nas imediações da manifestação, que tem o Congresso argentino como principal ponto de concentração.
Publicado originalmente em noticias.uol.com.br


