PP e União Brasil devem abandonar Davi Alcolumbre e dificultar tentativa de reeleição no comando do Congresso
Senador busca apoio de novatos com oferta de gabinetes e presidências de comissões, enquanto dirigentes da federação apoiam Flávio Bolsonaro e ele tem se aproximado de Lula

A federação formada pelo PP e pelo União Brasil deve deixar de apoiar Davi Alcolumbre (União-AP) na disputa pela presidência do Congresso Nacional. O senador se aproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto dirigentes das duas siglas estão alinhados à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Com a possibilidade de perder o comando do Senado a partir de 2027, Alcolumbre tem procurado conquistar o apoio de parlamentares que assumirão seus mandatos na próxima legislatura. Segundo informações da coluna do Metrópoles, o senador oferece gabinetes em áreas privilegiadas do Congresso e a presidência de comissões temáticas, responsáveis por analisar projetos de lei antes de serem votados em plenário.
Considerando os parlamentares com mandato até 2031, a federação União Progressista deve iniciar 2027 com 12 senadores, sendo seis do PP e seis do União Brasil. Sem o respaldo das próprias legendas, Alcolumbre ainda poderá lançar uma candidatura independente, mas suas chances de permanecer no cargo ficariam menores.
Movimentos recentes aproximaram senador de Lula
Nas últimas semanas, Alcolumbre tomou duas decisões que favoreceram pautas de interesse do governo federal. Uma delas foi colocar em discussão a escala de trabalho 6x1. A outra foi retirar da pauta a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, evitando que avançasse a discussão sobre a redução da maioridade penal, proposta associada ao bolsonarismo e que gera desconforto para o PT.
Antes desses movimentos, o senador também havia mantido paralisados os pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A relação entre o Congresso e a Corte também entrou no cenário da disputa pelo comando da Casa. Ministros do Supremo foram alertados de que uma ofensiva contra o Legislativo, inclusive por meio de decisões que condenem o uso de emendas parlamentares, pode favorecer a eleição de um presidente do Senado identificado com a extrema direita.
O alerta aponta o risco de que o confronto entre os Poderes enfraqueça candidaturas moderadas, de centro ou de direita, e abra espaço para um nome mais alinhado ao bolsonarismo na presidência do Congresso.
Publicado originalmente em infoverus.com.br

