Praça da Mandioca vive retomada da boemia cuiabana e bar dedicado ao Carnaval recebe até mil pessoas às sextas
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Tradicional ponto de boemia de Cuiabá, a Praça da Mandioca, no coração do Centro Histórico, vive uma nova fase de ocupação com o crescimento de eventos culturais e rodas de samba. Entre as iniciativas que têm movimentado a região está a Casa do Banana, espaço criado pelo bloco Banana da Terra, que passou a reunir centenas de pessoas semanalmente e aposta na ocupação das ruas como forma de fortalecer a cultura cuiabana. O bar Mandioca Pub também possui programação semanal com samba, pop, forró e outros ritmos musicais.
Segundo Caíque Loureiro, integrante da executiva do Banana da Terra e um dos responsáveis pela gestão da Casa do Banana ao lado de Celso César e Tia Leia do Samba, a escolha pela Praça da Mandioca ocorreu justamente pela relação histórica do bloco com o espaço e pelo desejo de contribuir para a revitalização do Centro Histórico.
“O Banana da Terra já tem uma história com a Praça da Mandioca. Já tivemos sede aqui. O bloco retornou ao carnaval este ano, após a pandemia, e chegamos numa nova fase, acreditando na potência do carnaval”, afirmou.
O espaço também tem uma função financeira para o bloco: a Casa do Banana foi criada com o objetivo de arrecadar recursos para o Carnaval do Banana da Terra. Desde a instalação do bar, segundo Loureiro, o público vem crescendo de forma progressiva. Atualmente, a estimativa é de que cerca de mil pessoas circulem às sextas-feiras e aproximadamente 500 aos sábados.
“A sexta-feira está consolidada, as ruas ficam lotadas. Os sábados estão começando a se consolidar, mas sempre com muita gente”, disse.
Para os gestores, o crescimento é resultado de uma combinação entre o samba na rua, a identidade do Banana da Terra e o acesso gratuito. A proposta é transformar a experiência em um ponto de encontro democrático, reunindo diferentes gerações e públicos.
“Temos senhoras de 80 anos, pais com crianças, grupos de amigos, casais heteros, casais homoafetivos. É um ambiente tão leve, que todo mundo se sente à vontade para ser feliz”, afirmou Loureiro.
Samba como forma de ocupar o Centro Histórico
A escolha da Praça da Mandioca também faz parte de uma estratégia maior de valorização do Centro Histórico de Cuiabá. Para os responsáveis pela Casa do Banana, a região tem um diferencial que vai além da arquitetura.
“A praça tem o charme de preservar não só os prédios, mas a alma cuiabana. A gente se sente no coração da cidade”, afirmou.
Loureiro cita experiências de outras cidades brasileiras que transformaram seus centros históricos em espaços de convivência e atração turística, como a Lapa, no Rio de Janeiro, o Recife Antigo e o Pelourinho, em Salvador.
“A gente vê a Lapa ser um atrativo forte, Recife transformar seu centro histórico no local mais procurado pelos turistas, Salvador fazer do Pelourinho um patrimônio turístico do Brasil. Esse movimento de ocupação de centros históricos, que carregam a identidade de uma cidade, tem dado certo em diversos lugares do Brasil, e acreditamos que em Cuiabá não seria diferente”, disse.
A intenção é que a Casa do Banana se consolide como um espaço dedicado ao samba de raiz. “A gente quer transformar a Casa do Banana na morada do samba de raiz. Essa é a nossa identidade, esse é o nosso diferencial”, afirmou.
Além de atrair público para os eventos, a movimentação tem criado oportunidades para moradores da própria região. Segundo Loureiro, pessoas que vivem no Centro Histórico passaram a vender alimentos nas proximidades das rodas de samba. Com isso, a iniciativa busca transformar os eventos em uma espécie de circuito de economia criativa.
“Estamos transformando o nosso samba em um movimento de economia criativa. Conseguir fomentar o Centro Histórico, gerar renda para os moradores e ainda promover o bloco tem sido muito gratificante”, afirmou.
A relação com os moradores, segundo ele, tem sido positiva. A proposta é ampliar esse impacto sem perder a característica cultural da região.
Três décadas de samba e história em Cuiabá
O Banana da Terra nasceu em 1996, no bairro Araés, a partir da união de um grupo de amigos depois do fim do bloco Beleza Pura. Em 2026, a agremiação completou 30 anos de história no Carnaval cuiabano, marcada por títulos, tradição e ligação com a cultura popular da Capital.
Ao longo dessa trajetória, o bloco se consolidou entre as principais agremiações do Carnaval de Cuiabá. Em 2012, foi campeão do desfile com o samba-enredo “Um grito de Alegria e Saudade”, e dois anos depois voltou a conquistar o título, chegando à nona vitória.
A história do Banana também está ligada a personagens importantes do samba cuiabano, como Clemance Saldanha, a Pretinha, reconhecida como uma das fundadoras e guardiãs das tradições do bloco e do bairro Araés. Ela morreu em dezembro de 2025 e foi homenageada durante o Carnaval de 2026
Com o aumento do público, os responsáveis pela Casa do Banana também defendem maior participação do poder público na organização da região. Entre as demandas estão estrutura, segurança, organização do trânsito e entendimento sobre o fechamento de ruas durante os eventos.
Segundo Loureiro, a própria organização do samba já arca com custos para garantir o funcionamento das atividades. “Hoje pagamos segurança privada para garantir a tranquilidade do ambiente, pagamos estrutura para montar atrativos gratuitos para a população e pagamos também a limpeza das vias utilizadas”, afirmou.
Outro ponto citado é o trânsito. Como há pouca oferta de estacionamento nas proximidades, grande parte do público utiliza aplicativos de transporte para chegar à região. “O tamanho que esse movimento está se tornando precisa de um apoio do poder público”, disse.
A avaliação dos responsáveis pelo espaço é que o crescimento pode contribuir para manter o Centro Histórico ocupado e movimentado, mas precisa ser acompanhado de planejamento para garantir segurança e organização.
“O poder público precisa olhar com carinho. Precisamos de estrutura para manter vivo o Centro Histórico e de organização do tráfego de carros. Queremos segurança de todos que vêm ao Centro de Cuiabá viver a magia do Banana da Terra”, afirmou Loureiro.
Fonte: Olhar Direto
Segundo Caíque Loureiro, integrante da executiva do Banana da Terra e um dos responsáveis pela gestão da Casa do Banana ao lado de Celso César e Tia Leia do Samba, a escolha pela Praça da Mandioca ocorreu justamente pela relação histórica do bloco com o espaço e pelo desejo de contribuir para a revitalização do Centro Histórico.
“O Banana da Terra já tem uma história com a Praça da Mandioca. Já tivemos sede aqui. O bloco retornou ao carnaval este ano, após a pandemia, e chegamos numa nova fase, acreditando na potência do carnaval”, afirmou.
O espaço também tem uma função financeira para o bloco: a Casa do Banana foi criada com o objetivo de arrecadar recursos para o Carnaval do Banana da Terra. Desde a instalação do bar, segundo Loureiro, o público vem crescendo de forma progressiva. Atualmente, a estimativa é de que cerca de mil pessoas circulem às sextas-feiras e aproximadamente 500 aos sábados.
“A sexta-feira está consolidada, as ruas ficam lotadas. Os sábados estão começando a se consolidar, mas sempre com muita gente”, disse.
Para os gestores, o crescimento é resultado de uma combinação entre o samba na rua, a identidade do Banana da Terra e o acesso gratuito. A proposta é transformar a experiência em um ponto de encontro democrático, reunindo diferentes gerações e públicos.
“Temos senhoras de 80 anos, pais com crianças, grupos de amigos, casais heteros, casais homoafetivos. É um ambiente tão leve, que todo mundo se sente à vontade para ser feliz”, afirmou Loureiro.
Samba como forma de ocupar o Centro Histórico
A escolha da Praça da Mandioca também faz parte de uma estratégia maior de valorização do Centro Histórico de Cuiabá. Para os responsáveis pela Casa do Banana, a região tem um diferencial que vai além da arquitetura.
“A praça tem o charme de preservar não só os prédios, mas a alma cuiabana. A gente se sente no coração da cidade”, afirmou.
Loureiro cita experiências de outras cidades brasileiras que transformaram seus centros históricos em espaços de convivência e atração turística, como a Lapa, no Rio de Janeiro, o Recife Antigo e o Pelourinho, em Salvador.
“A gente vê a Lapa ser um atrativo forte, Recife transformar seu centro histórico no local mais procurado pelos turistas, Salvador fazer do Pelourinho um patrimônio turístico do Brasil. Esse movimento de ocupação de centros históricos, que carregam a identidade de uma cidade, tem dado certo em diversos lugares do Brasil, e acreditamos que em Cuiabá não seria diferente”, disse.
A intenção é que a Casa do Banana se consolide como um espaço dedicado ao samba de raiz. “A gente quer transformar a Casa do Banana na morada do samba de raiz. Essa é a nossa identidade, esse é o nosso diferencial”, afirmou.
Além de atrair público para os eventos, a movimentação tem criado oportunidades para moradores da própria região. Segundo Loureiro, pessoas que vivem no Centro Histórico passaram a vender alimentos nas proximidades das rodas de samba. Com isso, a iniciativa busca transformar os eventos em uma espécie de circuito de economia criativa.
“Estamos transformando o nosso samba em um movimento de economia criativa. Conseguir fomentar o Centro Histórico, gerar renda para os moradores e ainda promover o bloco tem sido muito gratificante”, afirmou.
A relação com os moradores, segundo ele, tem sido positiva. A proposta é ampliar esse impacto sem perder a característica cultural da região.
Três décadas de samba e história em Cuiabá
O Banana da Terra nasceu em 1996, no bairro Araés, a partir da união de um grupo de amigos depois do fim do bloco Beleza Pura. Em 2026, a agremiação completou 30 anos de história no Carnaval cuiabano, marcada por títulos, tradição e ligação com a cultura popular da Capital.
Ao longo dessa trajetória, o bloco se consolidou entre as principais agremiações do Carnaval de Cuiabá. Em 2012, foi campeão do desfile com o samba-enredo “Um grito de Alegria e Saudade”, e dois anos depois voltou a conquistar o título, chegando à nona vitória.
A história do Banana também está ligada a personagens importantes do samba cuiabano, como Clemance Saldanha, a Pretinha, reconhecida como uma das fundadoras e guardiãs das tradições do bloco e do bairro Araés. Ela morreu em dezembro de 2025 e foi homenageada durante o Carnaval de 2026
Com o aumento do público, os responsáveis pela Casa do Banana também defendem maior participação do poder público na organização da região. Entre as demandas estão estrutura, segurança, organização do trânsito e entendimento sobre o fechamento de ruas durante os eventos.
Segundo Loureiro, a própria organização do samba já arca com custos para garantir o funcionamento das atividades. “Hoje pagamos segurança privada para garantir a tranquilidade do ambiente, pagamos estrutura para montar atrativos gratuitos para a população e pagamos também a limpeza das vias utilizadas”, afirmou.
Outro ponto citado é o trânsito. Como há pouca oferta de estacionamento nas proximidades, grande parte do público utiliza aplicativos de transporte para chegar à região. “O tamanho que esse movimento está se tornando precisa de um apoio do poder público”, disse.
A avaliação dos responsáveis pelo espaço é que o crescimento pode contribuir para manter o Centro Histórico ocupado e movimentado, mas precisa ser acompanhado de planejamento para garantir segurança e organização.
“O poder público precisa olhar com carinho. Precisamos de estrutura para manter vivo o Centro Histórico e de organização do tráfego de carros. Queremos segurança de todos que vêm ao Centro de Cuiabá viver a magia do Banana da Terra”, afirmou Loureiro.
Fonte: Olhar Direto
Publicado originalmente em infoverus.com.br
