Radar rural analisa mercado da soja e alta do boi gordo
Programa debate os rumos do agronegócio nacional e o avanço da semeadura de grãos em todo o território brasileiro

O cenário político para o setor produtivo, a forte alta nos preços da pecuária e o ritmo da semeadura de grãos foram os principais temas abordados na edição desta semana.
Diálogo com o governo federal
Após o processo eleitoral, representantes do setor produtivo demonstraram abertura para conversar com a administração federal. A prioridade é buscar avanços em temas fundamentais como crédito rural, seguro rural, custos de produção e condições de financiamento.
Durante a atração, especialistas apontaram que, apesar das divergências políticas, os agricultores exigem previsibilidade para organizar suas atividades e mitigar os riscos inerentes ao campo. A ampliação do seguro rural também entrou em pauta devido aos prejuízos provocados por intempéries climáticas recentes.
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion, afirmou que a bancada apoiará pautas convergentes com os interesses do setor. O grupo legislativo é composto por duzentos parlamentares eleitos e reeleitos, além de contar com forte representatividade no Senado.
Valorização do boi gordo
Na pecuária de corte, o contrato futuro do boi gordo para dezembro ultrapassou a marca de R$ 400 na B3. Esse movimento de alta reflete escalas de abate enxutas, que giram entre cinco e seis dias úteis, associadas a uma demanda bastante aquecida.
O apetite da China pela proteína animal produzida no Brasil permanece como um dos pilares de sustentação das cotações. Especialistas indicam que o país pode exportar até 400 mil toneladas para o mercado chinês entre os meses de novembro e dezembro, o que tende a intensificar a pressão sobre as cotações.
Além disso, a administração das cotas de exportação para o país asiático continua no radar dos agentes econômicos. Internamente, o consumo de carne vermelha tende a crescer em função das festividades de fim de dezembro e da injeção do décimo terceiro salário na economia. Contudo, os especialistas lembram que a disparada na arroba não assegura margens elevadas, visto que as despesas com operação e nutrição animal seguem pressionando os produtores.
Avanço na semeadura de soja
As atividades de plantio da oleaginosa atingiram 42,8% da área projetada em território nacional, superando os 34% registrados no mesmo período do ciclo anterior, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No estado de Mato Grosso, a semeadura alcançou 60% da superfície estimada, ante 47% no ciclo passado.
Embora esse ritmo favoreça a preservação da janela ideal para a safrinha de milho, o sucesso das plantações dependerá diretamente do régimen pluviométrico nos próximos meses.
A Conab projeta uma colheita nacional de 181,6 milhões de toneladas para a safra 2026/2027. No entanto, interferências climáticas ligadas ao fenômeno El Niño podem alterar esse panorama. Um estudo elaborado pela Serasa Experian indica que, caso ocorram reflexos comparáveis aos da safra 2023/2024, o volume colhido poderá recuar para 163,6 milhões de toneladas, mantendo o mercado atento às variações meteorológicas ao longo do ciclo produtivo.
Publicado originalmente em pautalivremt.com.br



