Sérgio Ricardo fez saques de R$ 500 mil, movimentou R$ 1,6 milhão em espécie por mês e justificou: "para uso pessoal"

Câmeras de segurança do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) flagraram as sucessivas vezes que o presidente afastado, Sérgio Ricardo Almeida, realizou saques na agência bancária da Sicoob instalada dentro da instituição, em 2025. O montante total, conforme já veiculado pelo Olhar Direto, ultrapassa os R$ 15 milhões. A reportagem obteve parte do relatório detalhado da Polícia Federal em relação às movimentações de Sérgio Ricardo, que está preso. Os agentes identificaram que ele e dois funcionários de seu gabinete, também detidos, chegaram a sacar em um dia só R$ 500 mil, sendo que no período investigado, ele retirou direto das contas do TCE R$ 1,6 milhões por mês.
Diligência nas dependências da Corte feita por dois agentes da PF corroboraram o que as imagens das câmeras já haviam registrado: a chefe de gabinete de Sério Ricardo, Roseli Loss, e o Secretário Executivo, Adriangelo Barros Antunes, enchendo malas pretas com malotes de dinheiro vivo. A dupla é de confiança extrema do presidente, sendo que Roseli chegou a ser nomeada como sua procuradora em contas bancárias. Chamou atenção da PF que, em uma das ocasiões, Roseli portava um celular que foi desbloqueado via o reconhecimento facial de Sérgio Ricardo, em outubro de 2025. Oito dias depois, eles sacaram R$ 490 mil na agência.
A análise feita pela Polícia Civil e Federal no relatório das imagens das câmeras indica que Sérgio Ricardo promoveu saques no dia 30/09/2025 (R$ 500.000,00) e 08/10/2025 (R$ 490.000,00). Não só, também procedeu à solicitação de provisionamentos para os dias 14/10/2025 (R$ 490.000,00) e 22/10/2025 (R$ 490.000,00).
“O documento contém, ainda, uma Comunicação de Operações Suspeitas (COS), elaborada pela Petição Eletrônica protocolada em 31/07/2026 17:26:17 instituição financeira em que ocorrem as retiradas de numerário, que, ao analisar a movimentação de 01/01/2025 a 29/09/2025, conclui pela realização de 144 operações de saque, com valores variáveis entre R$ 1.000,00 e R$ 490.000,00, totalizando R$ 14.159.500,00”, nos termos do relatório.
Naquele dia 30 de setembro, a justificativa usada por Sérgio para retirar R$ 500 mil das contas do TCE foi “para utilização pessoal”. Do total sacado, calcula a PF que ele recebeu R$ 54.394,28 por dia, ou mais de R$ 1,6 milhão por mês. Apesar de alegar que os valores que embolsou são provenientes de retroativos pelo período de quatro anos que ficou afastado do TCE, por ser investigado pela polícia em outra operação, os agentes federais sustentam que esses milhões são incompatíveis com o cargo e, sobretudo, com os dados que ele e os demais conselheiros alvos atualizam no Portal da Transparência. “Além disso, os dados extraídos do Portal Transparência são absolutamente incompatíveis com a percepção de valores na ordem de grandeza observada no afastamento de sigilo bancário”.
Após passar por audiência de custódia nesta quinta-feira (29), Sérgio Ricardo foi preso preventivamente no Batalhão de Operações Especiais (Bope) em Cuiabá. Sua chefe de gabinete, Roseli Loss, no presídio feminino Ana Maria do Couto May, na capital. Os funcionários do alto escalão da Corte Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke, também alvos de mandado de prisão, na Sala de Estado-Maior da Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em VG.
A PF deflagrou a Operação Tomada de Contas nesta quinta-feira (29) e ainda afastou conselheiros Guilherme Antônio Maluf, José Carlos Novelli, Alisson Carvalho de Alencar e Valter Albano da Silva, além de outros 15 alvos entre secretários e servidores, todos por ordem do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
De acordo com os autos do processo, os recursos utilizados no esquema saíam diretamente das contas oficiais do TCE, alimentadas pelo repasse do duodécimo estadual. No entanto, em vez de tramitarem pela folha de pagamento ordinária de pessoal, os montantes eram processados sob a rubrica de pagamento a fornecedores ou mediante a emissão de ordens bancárias avulsas. Para isso, Sérgio assinou um decreto que suspendeu vários contratos administrativos com diversas empresas sob justificativa de contenção de gastos.
Contudo, várias delas continuaram recebendo o mesmo ou ainda a mais, desde que devolvessem parte dos milhões aos envolvidos no que a PF chamou de “folhas paralelas”. Câmeras de segurança nas dependências do TCE flagraram o grupo realizando sucessivos saques de milhões em espécie na agência bancária instalada dentro do prédio.
Durante os cumprimentos das prisões e buscas e apreensões, a PF apreendeu relógios de luxo avaliados em milhões, joias, dólares, reais e euros, carros esportivos e uma adega valendo mais de R$ 50 mil.
Fonte: Olhar Direto
Publicado originalmente em infoverus.com.br



