Sinfonia inédita de Ronaldo Miranda celebra os 50 anos do Sesi MT e exalta os biomas de Mato Grosso
Com letra da escritora mato-grossense Marta Coco, obra estreou em concerto especial que reuniu a Orquestra Sesi MT, o Coral da UFMT, a Cia. Sesi de Dança e o maestro e pianista João Carlos Martins

Uma obra inédita inspirada nas paisagens, biodiversidade e na identidade de Mato Grosso marcou a celebração dos 50 anos do Serviço Social da Indústria (Sesi MT). Composta pelo renomado compositor brasileiro Ronaldo Miranda e com letra da escritora mato-grossense Marta Coco, a sinfonia Respiração em Três Tempos foi apresentada pela primeira vez em um concerto especial que reuniu grandes nomes da música clássica brasileira.
Interpretada pela Orquestra Sesi MT, sob a regência do maestro Fabrício Carvalho, a obra homenageia os três biomas presentes no estado: Pantanal, Cerrado e Amazônia. Dividida em três movimentos, a composição une música e poesia para retratar as paisagens, os saberes, as memórias e a relação entre as pessoas e a natureza.
Referência da música de concerto brasileira contemporânea e integrante da Academia Brasileira de Música, Ronaldo conta que honrou todas as características da letra de Marta na melodia e também manteve o título proposto por ela, estruturando a composição a partir dos três biomas. “Estou lisonjeado por fazer parte dessa obra e construir a sinfonia para este momento de celebração. A Marta fez um texto bem conciso, mas bom de musicar, muito cheio de imagens poéticas, líricas”, destacou o compositor, ao comentar o trabalho com a escritora.
Escritora, professora aposentada de Literatura da Língua Portuguesa da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e integrante da Academia Mato-Grossense de Letras, Marta Coco construiu uma obra marcada pela relação com as paisagens, os territórios, as memórias e as identidades.
Para ela, ver os versos transformados em uma composição sinfônica durante a comemoração dos 50 anos do Sesi MT foi uma experiência emocionante, especialmente pela valorização da produção literária regional. “É muito emocionante pela data, pela celebração do Sesi, pelo nível dos músicos e dos artistas que estão compondo essa obra e pela valorização que isso dá para a literatura produzida em Mato Grosso”, afirmou.
A escritora também ressaltou que os versos nascem da relação com a natureza e do vínculo com a terra mato-grossense. A parceria com Ronaldo Miranda amplia esse olhar ao transformar a literatura em uma experiência musical que conecta o público à riqueza natural e cultural do estado.
O maestro Fabrício Carvalho celebrou o resultado dessa parceria. “É fundamental esse encontro de gerações, porque essa troca é que nos faz avançar. A experiência de Ronaldo Miranda e Marta Coco, associada à juventude dos músicos e às vozes do Coral da UFMT, representa uma grande soma de esforços para celebrar um momento tão importante da nossa história, os 50 anos do Sesi. É uma confluência de forças promovendo o bem-estar das pessoas e valorizando o meio ambiente”, ressaltou.
Além das notas entoadas pelos instrumentos orquestrais, a sinfonia ganhou voz com o Coral da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e dos solistas do Rio de Janeiro Carolina Morel, soprano, e Caleb Faria, barítono.
Admiradora da produção de Ronaldo Miranda, a maestra do Coral da UFMT, Dorit Kolling, ressaltou a capacidade da sinfonia de traduzir musicalmente as características dos biomas mato-grossenses. “Ronaldo Miranda é um compositor fantástico, que escreve muito bem para coro e orquestra, e é um dos compositores de que mais gosto. Quando recebemos o convite, foi algo extraordinário. É uma oportunidade única fazer a estreia mundial de uma obra escrita especialmente para esses grupos, em uma celebração tão importante. A música permite que o público sinta o Pantanal, perceba o Cerrado em chamas e sua regeneração com a chegada da chuva, além de mergulhar na mística e na atmosfera da Amazônia”, destacou.
Para Caleb Faria, a oportunidade teve um significado especial, já que as composições de Ronaldo Miranda acompanham sua formação musical desde os estudos na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Fiquei muito honrado de ter essa oportunidade de trabalhar tão diretamente com um compositor vivo de tanto prestígio e de tanta riqueza de obra”, afirmou o barítono.
Cultura como legado
Além de celebrar cinco décadas de atuação em Mato Grosso, o concerto reforçou a cultura como instrumento de educação, inclusão e transformação social. A proposta da sinfonia também dialoga com o compromisso de valorizar os territórios e suas identidades, aproximando a população de produções artísticas de grande relevância.
Para o superintendente do Sesi MT, Serafim, a estreia da obra representa um legado cultural para o estado.“Cultura é uma forma de educação, e conseguir dar acesso às pessoas a uma obra tão fantástica é motivo de orgulho, que vamos levar por muitos anos”, ressaltou.
O superintendente também destacou a participação da indústria no fomento à cultura e na ampliação do acesso da população a espetáculos de alto nível. Segundo ele, o investimento em iniciativas culturais contribui para a transformação da sociedade e permite que mais pessoas tenham contato com diferentes expressões artísticas.
Sobre aobra
Pantanal, Cerrado e Amazônia formam três paisagens essenciais de Mato Grosso. Cada uma guarda modos de vida, saberes, identidades e relações próprias entre pessoas e natureza. Na obra, cada território encontra sua voz. Juntos, os três movimentos propõem um olhar para o território como origem, patrimônio e possibilidade. É dele que vêm os recursos, os conhecimentos, as pessoas e as condições que tornam o desenvolvimento possível. A indústria também nasce dessa relação. Produzir, transformar e preservar fazem parte de um mesmo desafio: gerar desenvolvimento sem perder aquilo que dá identidade, valor e futuro a cada território.
Confira a letra
PANTANAL
Nos alagados e bacias,
encantados vigias
bichos e gentes.
No céu voos se cruzam
e se veem nas águas profusas
de escamas, patas e plantas.
Com tuiuiús, bois e ribeirinhos,
vivem piúvas sem iguais
além da vista são os pantanais.
CERRADO
No planalto mais extenso,
há um barroco ensimesmado,
contorcido em tantos troncos.
onde nascem grandes rios,
muitas flores, muitos pios
e o mundo se faz variado.
Cascas grossas, raízes fundas
resistem às línguas do fogo
e dizem com cinzas, cuidador
Depois da seca e com a chuva,
vem a mais bonita lição:
rebrotar é a fé do Cerrado.
AMAZÔNIA
Nas entranhas mais sagradas
há uma mata em cerimônia
com suas onças e andirobas
e seus povos ancestrais.
A doçura de suas águas
copiosas e abundantes
a fartura de suas árvores
generosas e gigantes
pedem ao mundo parcimônia.
Passado, presente e futuro
Publicado originalmente em sesimt.ind.br

