Trajetória de Eraí Maggi até se tornar o novo "Rei da Soja" é retratada em série de reportagens sobre grandes empresários brasileiros
Texto da Gazeta do Povo destaca a trajetória do empresário da agricultura familiar no Paraná ao comando do Grupo Bom Futuro
5 min de leitura

A trajetória do empresário Eraí Maggi Scheffer, fundador e presidente do Grupo Bom Futuro, é tema de uma reportagem da série "Apesar do Estado", publicada pela Gazeta do Povo. A produção retrata a história de grandes empresários brasileiros que superaram as dificuldades de empreender no país e destaca a ascensão do mato-grossense ao posto de novo "Rei da Soja".
Segundo a reportagem, o Grupo Bom Futuro tornou-se um dos maiores conglomerados do agronegócio nacional, com faturamento anual superior a R$ 6 bilhões, conforme estimativas do mercado. A empresa cultiva mais de 700 mil hectares — área superior ao território de países como Brunei, Cabo Verde e Trinidad e Tobago — e produz, anualmente, cerca de 1,9 milhão de toneladas de grãos e 360 mil toneladas de pluma de algodão.
Além da produção agrícola, o grupo expandiu sua atuação para os setores de energia, logística e indústria. Atualmente, possui 12 usinas hidrelétricas, três usinas fotovoltaicas e administra o maior aeroporto privado do Centro-Oeste, localizado em Cuiabá.
A reportagem relembra que a história da família começou de forma modesta. Na década de 1970, os Maggi Scheffer cultivavam apenas 65 hectares em São Miguel do Iguaçu, no Oeste do Paraná. Antes disso, a família, liderada por Antônio Clarismundo Scheffer e Luzia Maggi Scheffer, havia deixado Três Cachoeiras, no litoral norte do Rio Grande do Sul, em busca de melhores condições de vida.
Terceiro entre sete irmãos, Eraí Maggi começou a trabalhar ainda na infância. "Aos 9 anos, além de frequentar a escola, pegava no pesado na lavoura e cedinho acordava para tirar leite das vacas", relata o historiador Nei Duclós no livro A Marcha do Grão de Ouro.
Aos 18 anos, após a morte do pai em um acidente, Eraí assumiu a administração dos negócios da família em um período marcado por dificuldades de acesso ao crédito. Em entrevista concedida à revista IstoÉ Dinheiro, em 2002, ele relembrou a estratégia adotada para ampliar a produção. "A gente tinha trator, mas a terra ainda era cara. Resolvíamos o problema alugando os sítios dos vizinhos".
O modelo baseado no arrendamento de terras permitiu ampliar rapidamente a área cultivada no Paraná. Em cinco anos, a produção passou a ocupar cerca de 100 alqueires. Com a valorização das terras na região, a família decidiu migrar para Mato Grosso.
A mudança ocorreu em 1982, após uma oportunidade de arrendamento da Fazenda Bom Futuro, em Rondonópolis, identificada por André Maggi, tio materno de Eraí. O acordo previa que o tio forneceria capital de giro e garantias financeiras, enquanto os sobrinhos ficariam responsáveis pela gestão da fazenda e pelo trabalho no campo.
Os pagamentos aos proprietários eram feitos em sacas de soja, modelo que protegia o negócio da instabilidade econômica da época. Dois anos depois, a família adquiriu terras próprias na região onde hoje está localizado o município de Sapezal.
Em 1994, uma forte estiagem provocou prejuízos na Fazenda Bom Futuro. Segundo Eraí, foi nesse momento que surgiu a oportunidade de assumir definitivamente o empreendimento. "Aí o tio André perguntou se a gente queria tocar a fazenda sozinhos", relembrou em registro publicado pelo próprio Grupo Bom Futuro.
A compra da propriedade foi concluída em 1995 e marcou o nascimento oficial do Grupo Bom Futuro. A partir daí, a empresa passou a expandir suas operações de forma gradual, utilizando recursos gerados pela própria atividade e financiamentos para adquirir novas áreas no Cerrado.
Sapezal tornou-se o principal polo de crescimento do grupo. Nos anos 1990, os irmãos também ampliaram os investimentos em Campo Verde, inicialmente com a intenção de comprar 10 mil hectares. "O projeto era comprar 10 mil hectares, compramos 3 mil e fomos comprando mais, de maneira fracionada", recordou Eraí.
Foi em Campo Verde que o grupo inaugurou, em 1998, sua primeira Indústria de Beneficiamento de Algodão (IBA), iniciando a diversificação das atividades além da produção de grãos.
No início dos anos 2000, a expansão alcançou a região Médio-Norte de Mato Grosso e consolidou uma estrutura logística que já atendia mais de 100 mil hectares cultivados.
A reportagem também aborda a mudança simbólica do título de "Rei da Soja", antes associado ao primo de Eraí, Blairo Maggi. Enquanto a Amaggi direcionou seus investimentos para áreas como exportação, logística e processamento, a Bom Futuro concentrou esforços na produção agrícola.
Essa estratégia permitiu à empresa registrar crescimento superior a 20% ao ano na área cultivada. Na safra 2009/2010, Eraí plantou 223 mil hectares de soja, superando os cerca de 168 mil hectares cultivados pela Amaggi no mesmo período.
Entre os fatores apontados para esse avanço estão a adoção de tecnologias de agricultura de precisão, que elevaram a produtividade para mais de 66 sacas por hectare em grandes áreas, e o arrendamento de terras durante períodos de crise, ampliando a capacidade produtiva.
A reportagem destaca ainda que Eraí manteve toda a expansão concentrada em Mato Grosso, diferentemente de outros grupos do agronegócio que diversificaram investimentos para a região do Matopiba.
"Cada vez que eu vou num outro Estado, mais eu quero ficar no Mato Grosso. Aqui, o clima é muito firme e as terras, muito bacanas", afirmou o empresário em entrevista concedida no ano passado ao portal The Agribiz.
Outro diferencial apontado foi a decisão de financiar as operações em dólar. Como soja, milho e algodão têm preços atrelados à moeda norte-americana, o modelo reduz a exposição ao risco cambial e diminui a dependência das linhas tradicionais de crédito rural.
Segundo a reportagem, essa estratégia permitiu ao Grupo Bom Futuro crescer mesmo durante a crise enfrentada pelo agronegócio mato-grossense entre 2005 e 2007, período marcado pela ferrugem asiática, excesso de chuvas, queda das cotações internacionais e valorização do real. Enquanto muitos produtores deixaram de cultivar suas áreas, a empresa ampliou sua área plantada de 110 mil para aproximadamente 160 mil hectares.
A expansão segue em ritmo acelerado. Em 2025, o Grupo Bom Futuro desembolsou cerca de R$ 1,8 bilhão na compra das fazendas Itaipu e Tupi Barão, incorporando 43 mil hectares ao patrimônio. Nesta semana, a empresa concluiu outra aquisição, pagando R$ 871,25 milhões por 18,7 mil hectares que pertenciam à Radar, empresa controlada pela Cosan.
Ao final da reportagem, a Gazeta do Povo informa que procurou Eraí Maggi Scheffer, por meio da assessoria de imprensa do Grupo Bom Futuro, para comentar a publicação, mas não recebeu resposta até o fechamento da matéria.
Segundo a reportagem, o Grupo Bom Futuro tornou-se um dos maiores conglomerados do agronegócio nacional, com faturamento anual superior a R$ 6 bilhões, conforme estimativas do mercado. A empresa cultiva mais de 700 mil hectares — área superior ao território de países como Brunei, Cabo Verde e Trinidad e Tobago — e produz, anualmente, cerca de 1,9 milhão de toneladas de grãos e 360 mil toneladas de pluma de algodão.
Além da produção agrícola, o grupo expandiu sua atuação para os setores de energia, logística e indústria. Atualmente, possui 12 usinas hidrelétricas, três usinas fotovoltaicas e administra o maior aeroporto privado do Centro-Oeste, localizado em Cuiabá.
A reportagem relembra que a história da família começou de forma modesta. Na década de 1970, os Maggi Scheffer cultivavam apenas 65 hectares em São Miguel do Iguaçu, no Oeste do Paraná. Antes disso, a família, liderada por Antônio Clarismundo Scheffer e Luzia Maggi Scheffer, havia deixado Três Cachoeiras, no litoral norte do Rio Grande do Sul, em busca de melhores condições de vida.
Terceiro entre sete irmãos, Eraí Maggi começou a trabalhar ainda na infância. "Aos 9 anos, além de frequentar a escola, pegava no pesado na lavoura e cedinho acordava para tirar leite das vacas", relata o historiador Nei Duclós no livro A Marcha do Grão de Ouro.
Aos 18 anos, após a morte do pai em um acidente, Eraí assumiu a administração dos negócios da família em um período marcado por dificuldades de acesso ao crédito. Em entrevista concedida à revista IstoÉ Dinheiro, em 2002, ele relembrou a estratégia adotada para ampliar a produção. "A gente tinha trator, mas a terra ainda era cara. Resolvíamos o problema alugando os sítios dos vizinhos".
O modelo baseado no arrendamento de terras permitiu ampliar rapidamente a área cultivada no Paraná. Em cinco anos, a produção passou a ocupar cerca de 100 alqueires. Com a valorização das terras na região, a família decidiu migrar para Mato Grosso.
A mudança ocorreu em 1982, após uma oportunidade de arrendamento da Fazenda Bom Futuro, em Rondonópolis, identificada por André Maggi, tio materno de Eraí. O acordo previa que o tio forneceria capital de giro e garantias financeiras, enquanto os sobrinhos ficariam responsáveis pela gestão da fazenda e pelo trabalho no campo.
Os pagamentos aos proprietários eram feitos em sacas de soja, modelo que protegia o negócio da instabilidade econômica da época. Dois anos depois, a família adquiriu terras próprias na região onde hoje está localizado o município de Sapezal.
Em 1994, uma forte estiagem provocou prejuízos na Fazenda Bom Futuro. Segundo Eraí, foi nesse momento que surgiu a oportunidade de assumir definitivamente o empreendimento. "Aí o tio André perguntou se a gente queria tocar a fazenda sozinhos", relembrou em registro publicado pelo próprio Grupo Bom Futuro.
A compra da propriedade foi concluída em 1995 e marcou o nascimento oficial do Grupo Bom Futuro. A partir daí, a empresa passou a expandir suas operações de forma gradual, utilizando recursos gerados pela própria atividade e financiamentos para adquirir novas áreas no Cerrado.
Sapezal tornou-se o principal polo de crescimento do grupo. Nos anos 1990, os irmãos também ampliaram os investimentos em Campo Verde, inicialmente com a intenção de comprar 10 mil hectares. "O projeto era comprar 10 mil hectares, compramos 3 mil e fomos comprando mais, de maneira fracionada", recordou Eraí.
Foi em Campo Verde que o grupo inaugurou, em 1998, sua primeira Indústria de Beneficiamento de Algodão (IBA), iniciando a diversificação das atividades além da produção de grãos.
No início dos anos 2000, a expansão alcançou a região Médio-Norte de Mato Grosso e consolidou uma estrutura logística que já atendia mais de 100 mil hectares cultivados.
A reportagem também aborda a mudança simbólica do título de "Rei da Soja", antes associado ao primo de Eraí, Blairo Maggi. Enquanto a Amaggi direcionou seus investimentos para áreas como exportação, logística e processamento, a Bom Futuro concentrou esforços na produção agrícola.
Essa estratégia permitiu à empresa registrar crescimento superior a 20% ao ano na área cultivada. Na safra 2009/2010, Eraí plantou 223 mil hectares de soja, superando os cerca de 168 mil hectares cultivados pela Amaggi no mesmo período.
Entre os fatores apontados para esse avanço estão a adoção de tecnologias de agricultura de precisão, que elevaram a produtividade para mais de 66 sacas por hectare em grandes áreas, e o arrendamento de terras durante períodos de crise, ampliando a capacidade produtiva.
A reportagem destaca ainda que Eraí manteve toda a expansão concentrada em Mato Grosso, diferentemente de outros grupos do agronegócio que diversificaram investimentos para a região do Matopiba.
"Cada vez que eu vou num outro Estado, mais eu quero ficar no Mato Grosso. Aqui, o clima é muito firme e as terras, muito bacanas", afirmou o empresário em entrevista concedida no ano passado ao portal The Agribiz.
Outro diferencial apontado foi a decisão de financiar as operações em dólar. Como soja, milho e algodão têm preços atrelados à moeda norte-americana, o modelo reduz a exposição ao risco cambial e diminui a dependência das linhas tradicionais de crédito rural.
Segundo a reportagem, essa estratégia permitiu ao Grupo Bom Futuro crescer mesmo durante a crise enfrentada pelo agronegócio mato-grossense entre 2005 e 2007, período marcado pela ferrugem asiática, excesso de chuvas, queda das cotações internacionais e valorização do real. Enquanto muitos produtores deixaram de cultivar suas áreas, a empresa ampliou sua área plantada de 110 mil para aproximadamente 160 mil hectares.
A expansão segue em ritmo acelerado. Em 2025, o Grupo Bom Futuro desembolsou cerca de R$ 1,8 bilhão na compra das fazendas Itaipu e Tupi Barão, incorporando 43 mil hectares ao patrimônio. Nesta semana, a empresa concluiu outra aquisição, pagando R$ 871,25 milhões por 18,7 mil hectares que pertenciam à Radar, empresa controlada pela Cosan.
Ao final da reportagem, a Gazeta do Povo informa que procurou Eraí Maggi Scheffer, por meio da assessoria de imprensa do Grupo Bom Futuro, para comentar a publicação, mas não recebeu resposta até o fechamento da matéria.
Publicado originalmente em infoverus.com.br

