VÍDEO: Dallagnol diz que campanha de Lula tentou dar um GOLPE restringindo sigilos sobre Instituto Lula e relacionados a Vorcaro, e não foi isso o acordado
Ex-procurador afirma que advogados de Flávio Bolsonaro identificaram restrições no acordo e garantiram previsão de abertura total

Deltan Dallagnol, eleito senador pelo Paraná e aliado de Flávio Bolsonaro (PL), acusou a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de tentar restringir a quebra de sigilos acordada entre os dois candidatos à Presidência. Segundo ele, a proposta inicial deixaria de fora informações relacionadas ao Instituto Lula e a dados ligados ao empresário Daniel Vorcaro. Após a identificação das supostas restrições, as equipes teriam alterado o documento para estabelecer a abertura total e simultânea dos dados.
A medida foi acordada pelas campanhas nesta quinta-feira (22), após o desafio lançado por Lula durante debate na TV Bandeirantes, no último domingo (18). O cumprimento do acordo, porém, depende de autorização do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável pelo caso na Corte. A proposta prevê que as informações sejam divulgadas em endereço eletrônico de acesso público.
“É direito do povo saber. E os nossos advogados perceberam o golpe e tiveram que fazer uma série de inscrições, vocês estão vendo inscrições à mão para esclarecer que a quebra do sigilo, levantamento de sigilo era total. E é claro que o Flávio Bolsonaro concordou com o levantamento total do sigilo”, declarou Dallagnol.
Campanha de Lula questiona exclusão de empresa
Do outro lado, integrantes da coordenação da campanha de Lula também cobraram transparência, mas levantaram questionamentos sobre as condições propostas por Flávio Bolsonaro. Camilo Santana, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, criticaram a exclusão da Alcazar Holdings do acordo.
Segundo a coordenação petista, a empresa estaria relacionada a Willer Tomaz, advogado investigado pela Polícia Federal em um caso que envolve suspeitas de desvios de recursos de aposentados. A equipe de Lula considera que a abertura dos dados precisa abranger as autorizações necessárias para permitir a comparação entre os candidatos.
“Quem propôs o desafio de abrir o sigilo bancário foi o presidente Lula. O Flávio Bolsonaro demorou quatro dias para dizer que aceitava. Só que ele disse que aceitava, não colocou prazo e ainda colocou condicionantes”, afirmou Boulos.
Camilo Santana também defendeu que as autorizações fossem formalizadas ainda nesta quinta-feira. “É preciso que o sigilo e todas as autorizações sejam feitas hoje para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão e quem não é ladrão nesse país”, declarou.
Acordo prevê divulgação simultânea dos dados
O documento apresentado pelas campanhas informa que Lula e Flávio Bolsonaro aceitaram integralmente os termos recíprocos do desafio e autorizaram a abertura total de seus respectivos sigilos. O texto foi assinado pelo presidente e pela advogada de Flávio, Maria Claudia Bucchianeri.
Pelo acordo, as liberações deveriam ser encaminhadas ao TSE até as 23h59 desta quinta-feira (22). As campanhas também solicitaram que o tribunal agilizasse os procedimentos para requisitar informações ao Banco Central, às instituições financeiras, à Receita Federal e às operadoras de telefonia.
A proposta prevê que os dados sejam divulgados simultaneamente no sistema DivulgaCandContas ou em outra plataforma de acesso público. O documento também estabelece que as informações abrangidas pelas autorizações já apresentadas, incluindo dados próprios, de familiares e de empresas, sejam abertas e divulgadas na mesma data.
“A abertura será imediata, total, nas condições integrais aceitas por ambos, e simultânea para os dois candidatos. Os dados relativos às autorizações já apresentadas, próprias, de familiares, e de empresas, serão abertos e divulgados hoje, 22.10.2026”, afirma o texto.
Apesar do acordo entre as campanhas, a efetivação da medida depende da análise de André Mendonça. Enquanto Dallagnol acusa a equipe de Lula de tentar limitar o alcance da quebra de sigilo, aliados do presidente questionam as condições apresentadas pela campanha adversária, especialmente em relação à Alcazar Holdings.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



