11 corpos em 47 dias: polícia investiga sequência de mortes com vítimas esquartejadas e decapitadas
Cadáveres foram abandonados em diferentes regiões da capital paulista, muitos dentro de sacos plásticos e com sinais de violência; polícia descarta, até o momento, evidências de serial killer

A Polícia Civil de São Paulo investiga uma sequência de 11 ocorrências envolvendo corpos abandonados em diferentes regiões da capital paulista entre 5 de setembro e 21 de outubro. Em um intervalo de 47 dias, vítimas foram encontradas dentro de sacos plásticos, enroladas em cobertores e lençóis, amarradas, baleadas, carbonizadas e, em alguns casos, decapitadas ou esquartejadas.
Os casos ganharam repercussão nas redes sociais e alimentaram especulações sobre a possível atuação de um serial killer na cidade. As autoridades, porém, afirmam que não há evidências que sustentem essa hipótese. A principal linha de investigação considera homicídios que podem ter sido cometidos em circunstâncias distintas, alguns deles possivelmente relacionados ao chamado “tribunal do crime”.
O episódio mais recente ocorreu nesta quarta-feira (21), quando policiais militares encontraram o corpo esquartejado de uma mulher dentro de sacos pretos nas proximidades da Marginal Tietê, na Zona Norte de São Paulo. A cabeça e outras partes do cadáver foram localizadas, mas a vítima ainda não havia sido identificada.
A Polícia Civil apura se o caso tem relação com um suspeito que morreu durante uma troca de tiros com policiais nas proximidades. A principal hipótese investigativa mencionada para esse episódio é a de feminicídio.
Polícia descarta hipótese de serial killer
A repercussão dos casos provocou temor entre moradores e ampliou a circulação de informações sobre uma suposta série de assassinatos cometidos por uma única pessoa. Diante da disseminação dos boatos, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, e a diretora do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), Ivalda Aleixo, vieram a público afirmar que não há provas da atuação de um assassino em série.
A polícia trabalha com a possibilidade de que parte das mortes esteja ligada ao chamado “tribunal do crime”, expressão usada para descrever punições clandestinas impostas por facções criminosas a pessoas acusadas de desrespeitar suas regras. Essas punições podem envolver agressões e execuções.
Até o momento, oito das vítimas encontradas haviam sido identificadas: sete homens e uma mulher. Ao menos três suspeitos tiveram as prisões decretadas pela Justiça após pedidos apresentados pela polícia.
Onde os 11 corpos foram encontrados
De acordo com o levantamento divulgado pelo g1, os casos investigados pelo DHPP estão distribuídos por diferentes áreas da capital paulista. Cinco ocorreram na Zona Leste, três na Zona Sul, dois na Zona Norte e um na Zona Oeste. Não houve registro desse tipo de ocorrência na região central durante o período analisado.
Confira a sequência cronológica dos casos:
5 de setembro — Jabaquara, Zona Sul
O primeiro caso do levantamento ocorreu na Rua Contos Gauchescos, no Jabaquara. Garis encontraram o corpo de um homem dentro de um saco plástico preto. O cadáver estava amarrado com cordas.
10 de setembro — Colônia, Zona Leste
Cinco dias depois, outro homem foi encontrado em um terreno baldio na Rua Zenichi Sato, no bairro Colônia. O corpo estava amarrado, enrolado em um cobertor e com a cabeça dentro de sacos plásticos.
10 de setembro — Jardim Marabá, Zona Leste
No mesmo dia, a aproximadamente três quilômetros do local da ocorrência anterior, uma mulher foi encontrada morta na Rua Osmano Ungaretti, no Jardim Marabá. O cadáver estava dentro de um saco plástico, enrolado em um cobertor, e apresentava ferimentos provocados por disparos de arma de fogo, inclusive na região do rosto e da cabeça.
13 de setembro — Zona Leste
Um homem foi encontrado morto e ensacado na Zona Leste da capital. O levantamento divulgado não detalha o endereço exato em que o corpo foi localizado.
19 de setembro — Jaçanã, Zona Norte
Um dos casos de maior violência ocorreu no Jaçanã, onde o corpo de um homem foi encontrado decapitado e esquartejado dentro de sacolas plásticas, em um barranco. Roupas e uma faca também foram localizadas no local. Na ocasião, a cabeça e as mãos da vítima não haviam sido encontradas.
25 de setembro — Vila Andrade, Zona Sul
Na Rua São João do Pernambuco, na Vila Andrade, outro homem foi encontrado morto no meio da via pública. O corpo estava enrolado em uma coberta, com as mãos amarradas.
25 de setembro — Rio Pequeno, Zona Oeste
Também em 25 de setembro, um homem foi encontrado carbonizado no banco traseiro de um carro incendiado no Rio Pequeno, na Zona Oeste de São Paulo.
27 de setembro — Jardim São Luís, Zona Sul
Uma cabeça humana foi encontrada em uma praça no Jardim São Luís, entre a Avenida Guido Caloi e a Ponte Transamérica. O caso passou a integrar a sequência de ocorrências investigadas pelas autoridades.
2 de outubro — proximidades do Parque Ecológico do Tietê, Zona Leste
Um homem foi encontrado morto dentro de um saco plástico em uma área de mata próxima a uma ciclovia, nas imediações do Parque Ecológico do Tietê e do Centro de Treinamento do Corinthians. Os braços e as pernas estavam amarrados com fita adesiva.
12 de outubro — Belenzinho, Zona Leste
Um homem ainda não identificado foi encontrado morto dentro de um saco plástico na Rua José Pinheiro Bezerra, no Belenzinho. Segundo a polícia, a vítima também estava amarrada.
21 de outubro — Marginal Tietê, Zona Norte
O caso mais recente envolve uma mulher encontrada esquartejada dentro de sacos pretos nas proximidades da Marginal Tietê. Policiais localizaram a cabeça e outras partes do corpo. A vítima ainda não havia sido identificada, e a Polícia Civil investiga uma possível relação com a morte de um suspeito durante uma troca de tiros com policiais na região.
Investigações seguem em andamento
Apesar da semelhança entre algumas das ocorrências, especialmente pelo modo como os corpos foram abandonados, as autoridades afirmam que não há elementos suficientes para atribuir os crimes a um único autor. A investigação busca esclarecer as circunstâncias de cada morte, identificar as vítimas ainda desconhecidas e apurar a eventual participação dos suspeitos já apontados.
A hipótese de ligação com o “tribunal do crime” é considerada em parte dos casos, mas não significa que todas as ocorrências tenham necessariamente a mesma motivação ou estejam relacionadas entre si. A polícia mantém as apurações para determinar as responsabilidades individuais e estabelecer possíveis conexões entre os homicídios.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



