Abilio prevê aproximação de Alexandre de Moraes com a direita para evitar impeachment no STF
Prefeito de Cuiabá avalia que nova composição do Congresso a partir de 2027 deve pressionar ministros do Supremo a negociar com o Senado; magistrado acumula 55 pedidos de impeachment, segundo levantamento citado pela CNN Brasil

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), avalia que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes deverá se aproximar de parlamentares da direita para preservar o cargo diante da nova composição do Congresso Nacional, que assumirá em 2027. Para o prefeito, o fortalecimento desse campo político na Câmara dos Deputados e no Senado tende a pressionar os integrantes da Corte a reduzir os confrontos e ampliar o diálogo com os congressistas.
“Agora o Alexandre de Moraes vai passar a ser mais aliado da direita do que da esquerda”, afirmou Abilio.
Na avaliação do prefeito, manter uma relação próxima ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia representar um risco para Moraes. Isso porque, em caso de saída do ministro, Lula teria a possibilidade de indicar um substituto para o Supremo. Abilio relaciona esse cenário à pressão por um eventual processo de impeachment contra o magistrado.
“Se ele ficar para o lado do Lula, ele é cassado. E o Lula bota outro ministro. Se ele começar a tratar de negociações com a direita, ele se mantém no cargo”, declarou.
Abilio fez a análise ao comentar o cenário político após o segundo turno das eleições presidenciais e as possíveis mudanças na relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Ele acredita que o aumento da representação da direita no Congresso deve levar os ministros do STF a adotar posições mais moderadas e buscar entendimento com o Senado, responsável por analisar pedidos de impeachment de integrantes da Corte e aprovar as indicações presidenciais para o tribunal.
O prefeito também comparou o comportamento dos ministros após a vitória de Lula em 2022 com a postura que, segundo ele, demonstraram durante o segundo turno das eleições deste ano. Como exemplo, mencionou pedidos relacionados à prorrogação do horário de votação e a atuação do ministro Cristiano Zanin.
“Com a vitória do Lula em 2022, os ministros estavam envaidecidos e com um posicionamento muito mais aguerrido, mas ontem você já vê uma postura diferente. Por exemplo, no segundo turno, foi pedido para o Alexandre de Moraes prorrogar a votação, mas ele negou. Aí protocolaram direto para o Zanin, que não foi nem sorteado, foi direto para ele, e nem tinha precedente para isso. Houve uma mudança. O Zanin foi lá e botou a cara a tapa. Ele é muito mais prudente, não faz posicionamentos ácidos contra a direita nem coisa do tipo”, comentou.
Na avaliação de Abilio, a necessidade de apoio do Senado para aprovar indicações ao Supremo também deve influenciar a relação de Lula com os parlamentares. O prefeito prevê um período de disputas entre os Poderes e questiona a possibilidade de harmonia institucional nesse cenário.
“Então, eu acredito que o Supremo terá uma postura ponderada para negociar com o Senado. O Lula, para conseguir aprovar os seus ministros, vai depender do Senado para isso. Ou seja, ele também vai ter que negociar com o Senado. Então, vai ser um conflito entre os Poderes. Aquele discurso da Constituição Federal que prega a harmonia entre os Poderes não vai existir”, completou.
Atrito com o Congresso
O desgaste entre Alexandre de Moraes e setores da direita no Congresso está relacionado, entre outros pontos, à atuação do STF nos processos sobre os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Moraes foi relator de processos que resultaram na condenação de participantes dos atos. O entendimento adotado pela Corte foi de que parte dos acusados esteve envolvida em uma tentativa de derrubar o governo eleito democraticamente.
As divergências também se intensificaram com as decisões judiciais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado no processo sobre a tentativa de golpe de Estado e alvo de medidas judiciais que provocaram reação entre parlamentares bolsonaristas. Integrantes da direita criticam a condução dos processos e defendem medidas contra ministros do Supremo. A Corte, por sua vez, sustenta a responsabilização dos envolvidos com base nas provas e na legislação.
A pressão pela saída de Moraes também antecede a atual disputa eleitoral. Em setembro de 2026, o ministro acumulava 55 pedidos de impeachment apresentados ao Senado, conforme levantamento divulgado pela CNN Brasil.
A expectativa de ampliação das bancadas do PL e de outros parlamentares alinhados à direita aumentou as discussões sobre a possibilidade de o Congresso avançar com iniciativas contra integrantes do Supremo a partir da próxima legislatura, em 2027.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



