Ananias diz que previa derrota de Wellington Fagundes e admite rejeição bolsonarista à aliança com MDB
Presidente estadual do PL afirma que foi contrário à coligação, aponta força do governo Pivetta e responsabiliza prefeitos e irmãos Campos por parte do desgaste eleitoral

O presidente estadual do PL, Ananias Filho, afirmou que já esperava a derrota do senador Wellington Fagundes na disputa pelo Governo de Mato Grosso e reconheceu que a aliança com o MDB enfrentou resistência entre eleitores bolsonaristas. Em entrevista ao PodOlhar, videocast do Olhar Direto, o dirigente disse que, antes mesmo da votação, já percebia dificuldades para levar a candidatura ao segundo turno.
“Eu não tive surpresa. Eu pessoalmente, individualmente, já estava bem tranquilo que o nosso projeto não foi recepcionado pelos eleitores”, declarou Ananias ao comentar o resultado das urnas, que garantiu a vitória de Otaviano Pivetta (Republicanos) ainda no primeiro turno.
Segundo o presidente do PL, a campanha enfrentou obstáculos para explicar a composição com o MDB, partido da deputada estadual Janaina Riva, à base bolsonarista. Ananias também apontou a força política e administrativa do governo estadual como um dos fatores que dificultaram o avanço da candidatura de Wellington.
“Nós estávamos vendo a dificuldade porque a estrutura do governo era forte, a estrutura de Otaviano era de um governo realizador, não era um governo sem realizações e o bolsonarismo não estava entendendo a aliança nossa e nós sair numa campanha para explicar a aliança é difícil, é complicado”, afirmou.
Ananias diz que foi contra aliança com o MDB
O dirigente revelou que se posicionou contra a coligação, mas acabou seguindo a orientação da direção nacional do PL. De acordo com ele, a articulação foi resultado de discussões em Brasília, onde a união entre as forças políticas era vista como uma estratégia para ampliar as chances eleitorais da chapa.
“Eu, como presidente estadual, eu lutei e buscava. E achava que era a pior atitude nossa ter uma coligação direta. Foi feita por causa de discussões nacionais. A discussão nacional levou a isso também. Então eu não sou de contrariar e não vou contra a decisão da nacional”, declarou.
Na avaliação de Ananias, a composição não produziu o resultado esperado porque parte do eleitorado identifica o MDB como uma legenda de centro-esquerda, posição que considera incompatível com as expectativas da base bolsonarista. Ao resumir a aposta na aliança, o presidente estadual do PL afirmou: “Achavam que o mais seria mais. E não foi. O mais não foi mais”.
Prefeitos do PL apoiaram Pivetta
Outro fator apontado por Ananias foi a falta de unidade entre prefeitos do próprio partido. Lideranças como Cláudio Ferreira, de Rondonópolis, e Flávia Moretti, de Várzea Grande, apoiaram Pivetta, enquanto o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, adotou uma posição de neutralidade na disputa estadual.
O presidente do PL reconheceu que o posicionamento dos prefeitos prejudicou a candidatura de Wellington, uma vez que essas lideranças exercem influência sobre o eleitorado de seus municípios. Para ele, a divisão dificultou a construção de uma base política local em torno do senador.
“É uma dificuldade sem sombra de dúvida, não tem como dizer que não, os prefeitos são lideranças locais na cidade. E o povo acompanhou os líderes locais e isso fragilizou a candidatura que nós tínhamos majoritária ao governo do estado”, afirmou.
Apesar das críticas, Ananias descartou defender a expulsão dos prefeitos que apoiaram Pivetta. Segundo ele, a situação é diferente da de vereadores do partido que declararam apoio a candidatos de esquerda e cujas condutas estão sendo analisadas internamente.
Irmãos Campos também são responsabilizados
Durante a entrevista, Ananias fez críticas diretas aos irmãos Jayme e Júlio Campos e afirmou que o apoio dos dois teria prejudicado a candidatura de Wellington. Questionado se eles mais atrapalharam do que ajudaram o senador, o dirigente respondeu sem hesitar.
“Tenho nem dúvida. Dúvida zero. Só atrapalharam. O povo não engole a forma de eles fazerem política”, afirmou.
Na sequência, Ananias ironizou a participação dos irmãos na campanha e declarou que teria sido melhor se o apoio tivesse ficado restrito à residência deles. “O apoio fica no sofá lá em casa seria melhor”, disse.
Mesmo com a derrota na disputa pelo governo, o presidente estadual rejeitou a avaliação de que o PL tenha saído enfraquecido das eleições. Ele destacou a eleição de José Medeiros ao Senado, a conquista de três cadeiras na Câmara dos Deputados e a ampliação da bancada estadual para quatro parlamentares.
Ananias provoca Lúdio e defende Abilio
A entrevista também abordou a relação entre a gestão de Abilio Brunini e a Câmara Municipal de Cuiabá, após a eleição de Ilde Taques (Podemos) para a presidência do Legislativo. Secretário municipal de Governo, Ananias negou que o resultado tenha representado uma derrota do prefeito e afirmou esperar manter o diálogo com os vereadores.
O dirigente também provocou o deputado estadual Lúdio Cabral (PT), que teve votação expressiva em Cuiabá, e afirmou que o PL gostaria de enfrentá-lo em uma eventual disputa pela Prefeitura da capital. Ao comentar a possibilidade, demonstrou confiança na preparação política de Abilio.
“Venha, venha. Queremos ele candidato. Nós não queremos outro candidato, queremos o Lúdio. O prefeito Abilio está preparado, pode vir Lúdio”, declarou.
Ananias ainda comentou a votação da primeira-dama e vereadora Samantha Iris (PL), defendeu a administração municipal e demonstrou confiança em uma eventual candidatura de Abilio à reeleição. As declarações ocorreram durante a avaliação dos resultados eleitorais e dos próximos movimentos do partido em Mato Grosso.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



