Aprosoja-MT assina carta a presidenciáveis e cobra medidas para conter endividamento no campo

A Aprosoja-MT assinou, junto às outras 16 associações estaduais e à Aprosoja Brasil, uma carta encaminhada nesta sexta-feira (9) aos candidatos à Presidência da República, Lula e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com cobranças por medidas estruturais de proteção ao produtor rural. O documento destaca o avanço do endividamento no campo e defende que o próximo governo adote ações de mitigação de riscos, em vez de concentrar a resposta apenas em novas renegociações de dívidas.
Segundo a entidade, apesar de a produção de soja ter alcançado 180,4 milhões de toneladas na safra 2025/2026 e o agronegócio representar 48,5% das exportações brasileiras, parte dos produtores acumulou prejuízos em razão dos custos elevados de produção e de quebras registradas em diferentes regiões do país. A carta aponta ainda que a inadimplência no crédito rural chegou a 9,7% em agosto de 2026, com R$ 205 bilhões em crédito problemático.
Diante desse cenário, a Aprosoja sustenta que a manutenção dos resultados do setor depende de medidas de longo prazo. Entre as propostas apresentadas está a garantia de previsibilidade orçamentária plurianual para a subvenção ao seguro agrícola, apontada como instrumento para reduzir a exposição dos produtores a perdas decorrentes de eventos adversos.
Na área tributária, as entidades defendem o diferimento do IBS e da CBS nas operações do produtor rural para o elo adquirente, com o argumento de evitar perda de capital de giro e acúmulo de créditos no sistema criado pela Reforma Tributária. A carta também cobra medidas contra a concentração de mercado no fornecimento de insumos e no acesso aos mercados.
O documento ainda reafirma o compromisso dos produtores com o Código Florestal e pede atuação do próximo governo contra barreiras comerciais estrangeiras baseadas, segundo a entidade, em critérios externos e subjetivos de sustentabilidade.
Na infraestrutura, a Aprosoja cita como prioridades a viabilização da Ferrogrão e da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), além do estímulo à armazenagem. As associações também defendem isonomia tributária para os biocombustíveis diante dos incentivos concedidos a veículos elétricos importados.
“Juros elevados, compressão de margens, eventos climáticos sucessivos, custos logísticos, volatilidade de preços e restrição de crédito atingiram, ao mesmo tempo, parcela relevante do setor. Para muitas famílias, a discussão já deixou de ser sobre rentabilidade e passou a ser sobre permanecer ou não na atividade”, diz trecho da carta.
Publicado originalmente em infoverus.com.br

