Avanço de Flávio Bolsonaro esfria votação da PEC que acaba com escala 6x1
Resultado do primeiro turno mudou o cálculo político no Congresso e aumentou a incerteza sobre a decisão de Davi Alcolumbre de levar a proposta ao plenário

A votação da PEC que prevê o fim da escala 6x1 perdeu força no Congresso após o avanço de Flávio Bolsonaro no primeiro turno da eleição presidencial. O senador Omar Aziz, relator da proposta, continua em campanha pelo governo do Amazonas e deverá retornar a Brasília caso o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decida levar a matéria a voto. A dúvida, agora, é justamente se a votação será mantida.
Articuladores do governo Lula passaram a trabalhar com um cenário mais difícil para a aprovação da proposta depois do resultado das urnas. Além de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, o campo governista perdeu espaço nos estados, na Câmara dos Deputados e, principalmente, no Senado.
Resultado eleitoral mudou cálculo
O temor dentro do Planalto é que Alcolumbre desacelere a tramitação da PEC. A sessão desta semana havia sido marcada em um momento em que levantamentos eleitorais apontavam Lula ligeiramente à frente. Naquele cenário, a aprovação da proposta às vésperas da eleição poderia favorecer o presidente na reta final da campanha.
O resultado do primeiro turno, porém, alterou esse cálculo. Flávio terminou a primeira etapa da disputa em vantagem, o que levou o presidente do Senado a recalibrar sua postura em relação à proposta.
Alcolumbre ainda afirma que pretende manter o debate sobre o fim da escala 6x1, mas sinalizou que precisa construir maioria entre os senadores antes de colocar a PEC em votação. Segundo a apuração citada pela coluna, antes de definir os próximos passos, ele pretende conversar com aliados do candidato do PL.
Negociação pode ganhar peso
A mudança no cenário eleitoral também interfere nas articulações políticas dentro do Senado. Com a possibilidade de Flávio Bolsonaro assumir a Presidência da República, a relação entre o comando da Casa e um eventual novo governo passa a integrar as negociações em torno da votação.
A oposição, por sua vez, ganhou espaço para pressionar pelo adiamento da análise. Também existe, entre os parlamentares, a avaliação de que senadores da oposição e do Centrão que já foram eleitos para mandatos de oito anos estão menos expostos ao custo político de votar contra a proposta ou de defender alterações em seu texto.
O cenário se torna ainda mais complicado pela própria dinâmica do Congresso neste período. Com parlamentares nos estados, o plenário esvaziado e as votações ocorrendo de forma remota, há menos espaço político e operacional para uma proposta de grande impacto avançar neste momento.
Governo mantém PEC como prioridade
Apesar das dificuldades, a PEC continua sendo tratada como prioridade pelo governo Lula. Lideranças governistas se reúnem nesta terça-feira (6) para definir a estratégia de atuação e avaliar os próximos passos em relação à proposta.
O principal prazo, agora, está concentrado na decisão de Davi Alcolumbre. O desfecho deve ficar mais claro até quinta-feira (8). Caso o presidente do Senado não dê sinal verde para a votação até lá, a análise da PEC tende a ser adiada novamente.
O relator Omar Aziz, que permanece em campanha no Amazonas, deverá se deslocar para Brasília caso a matéria seja efetivamente pautada. A definição sobre a votação, portanto, depende tanto da mobilização dos senadores quanto do novo cenário político produzido pelo primeiro turno.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



