Bolsonaro rejeita Alcolumbre e quer candidato próprio do PL à presidência do Senado
Ex-presidente também cobra anistia ampla aos envolvidos no 8 de janeiro; na Câmara, partido mantém negociações para apoiar a reeleição de Hugo Motta

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a defender que o partido lance um candidato próprio à presidência do Senado Federal em 2027, contrariando as articulações em torno da reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A posição evidencia a resistência de setores da legenda a um acordo com o atual presidente da Casa e indica uma disputa por espaço e influência no Congresso no início do novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo informações divulgadas pelo jornalista Gustavo Uribe, da CNN Brasil, Bolsonaro manifestou essa posição em conversas com familiares após o resultado do segundo turno das eleições. O ex-presidente rejeitou a possibilidade de o PL apoiar a permanência de Alcolumbre no comando do Senado e defendeu que a sigla reafirme sua força política na escolha da próxima Mesa Diretora.
De acordo com relatos apresentados à emissora, Bolsonaro considera que o partido deve adotar uma postura mais incisiva na disputa. Como uma das maiores forças parlamentares do Congresso, o PL pretende usar sua representação para buscar protagonismo na próxima legislatura, em vez de negociar diretamente o apoio à continuidade da atual direção do Senado.
A resistência à recondução de Alcolumbre ocorre em meio às articulações para definir o comando das duas Casas legislativas. O senador tem buscado aproximação com parlamentares da direita, inclusive com sinalizações favoráveis à discussão de uma anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.
A possibilidade de avançar nessa pauta é vista como uma tentativa de conquistar o respaldo de parte da bancada do PL. A posição de Bolsonaro, porém, indica que a discussão sobre a anistia não seria suficiente, por si só, para garantir o apoio do partido à reeleição de Alcolumbre.
Bolsonaro também cobra anistia ampla para envolvidos no 8 de janeiro
Além da disputa pelo comando do Senado, Bolsonaro defende que os parlamentares do PL trabalhem pela aprovação de uma anistia geral e irrestrita aos envolvidos na trama golpista e nos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.
A intenção é que a proposta seja tratada como uma das prioridades da legenda no início da próxima legislatura, em 2027. A pauta permanece entre as principais reivindicações do bolsonarismo e deve fazer parte das negociações políticas relacionadas à escolha dos novos dirigentes do Congresso.
Embora Alcolumbre tenha sinalizado disposição para discutir o tema, Bolsonaro mantém a defesa de uma candidatura própria do PL ao Senado. Com isso, a legenda separa a negociação em torno da anistia da decisão sobre quem deverá comandar a Casa nos próximos anos.
PL mantém possibilidade de acordo com Hugo Motta na Câmara
Na Câmara dos Deputados, a estratégia do partido é diferente. Enquanto Bolsonaro rejeita apoiar a recondução de Alcolumbre ao Senado, integrantes do PL avaliam que ainda há espaço para negociar o apoio à reeleição do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Uma eventual composição dependerá de compromissos com pautas consideradas prioritárias pela oposição e de um acordo sobre a distribuição de cargos na Mesa Diretora. A legenda também pretende ampliar sua presença em comissões estratégicas, especialmente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na Comissão de Relações Exteriores e na Comissão de Segurança Pública.
Esses colegiados têm papel relevante na tramitação de projetos, na realização de audiências e na fiscalização de ações do Poder Executivo. Para o PL, ocupar postos de comando nessas estruturas pode ampliar sua capacidade de pautar debates e questionar decisões do governo federal.
Entre os instrumentos que a oposição pretende utilizar estão convocações de autoridades, pedidos de esclarecimento e solicitações formais de informações. A estratégia é aproveitar os mecanismos de fiscalização disponíveis no Congresso para exercer pressão política sobre o governo Lula ao longo do próximo mandato.
Valdemar Costa Neto deve negociar apoio com Hugo Motta
As conversas sobre a presidência da Câmara devem avançar em uma reunião entre Hugo Motta e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. O encontro tem como objetivo discutir as condições para um eventual apoio da legenda à reeleição do atual dirigente.
A negociação envolve tanto a continuidade de Motta no comando da Casa quanto o espaço que o PL poderá ocupar na estrutura legislativa a partir de 2027. A participação na Mesa Diretora e em comissões consideradas estratégicas está entre os pontos de interesse do partido.
As articulações mostram que o PL trabalha com caminhos diferentes para as duas Casas do Congresso. No Senado, Bolsonaro defende uma candidatura própria para enfrentar a tentativa de reeleição de Alcolumbre. Na Câmara, a legenda mantém aberta a possibilidade de apoiar Hugo Motta, desde que haja compromissos políticos e participação em postos relevantes da estrutura legislativa.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



