Botelho investe mais de R$ 1 milhão, mas fica fora da ALMT; dinheiro também não garantiu vaga para outros candidatos
Ex-presidente da Assembleia declarou R$ 1,01 milhão em despesas e recebeu 37.359 votos; na disputa federal, Dr. Leonardo gastou R$ 2,29 milhões e também não conquistou mandato

O investimento elevado em campanha não foi suficiente para garantir uma cadeira no Legislativo para alguns dos principais candidatos que disputaram as eleições de 2026 em Mato Grosso. Um dos casos é o do ex-presidente da Assembleia Legislativa Eduardo Botelho (MDB), que declarou R$ 1.011.971,29 em despesas contratadas, recebeu 37.359 votos e terminou fora da composição da ALMT.
O valor informado por Botelho supera as despesas declaradas por 18 dos 24 deputados estaduais eleitos. Entre os parlamentares que tiveram gastos inferiores estão Lúdio Cabral (PT), Dilmar Dal Bosco (União) e Gilberto Cattani (PL).
A diferença entre o volume de recursos investidos e a conquista de uma vaga também aparece na disputa pela Câmara dos Deputados.
Dr. Leonardo gastou mais que cinco eleitos
O ex-deputado Dr. Leonardo Albuquerque (Republicanos) declarou R$ 2.297.148,05 em despesas de campanha e terminou a eleição com 31.102 votos. O montante ficou acima dos gastos declarados por cinco dos oito candidatos que conquistaram uma vaga para representar Mato Grosso na Câmara Federal.
Entre os eleitos que tiveram despesas inferiores estão Virginia Mendes (União), Fábio Garcia (União) e Rosa Neide (PT). Os únicos eleitos com gastos superiores aos de Dr. Leonardo, de acordo com os dados apresentados, foram Coronel Fernanda (PL), Juarez Costa (Republicanos) e Coronel Assis (PL).
Outros candidatos também registraram despesas elevadas e não conseguiram transformar o investimento em mandato. Emanuelzinho (PSD) declarou R$ 1.943.504,50 e recebeu 50.951 votos. Nilson Leitão (PP) informou gastos de R$ 1.718.537,69 e obteve 61.904 votos.
Sandy de Paula (União) declarou R$ 1.611.221,52 em despesas e recebeu 9.586 votos, enquanto Neri Geller (Podemos) registrou R$ 1.465.760,67 e terminou com 31.383 votos.
Cenário também se repetiu na disputa estadual
Entre os candidatos à Assembleia Legislativa, Alan Porto (Republicanos) declarou R$ 860.095,18 em despesas e recebeu 24.742 votos, mas não conquistou uma cadeira. O valor investido foi superior ao declarado por 14 dos deputados estaduais eleitos.
Scheila Pedroso (Podemos) registrou R$ 751.633,08 em despesas e recebeu 10.440 votos. Ari Lafin (Republicanos), por sua vez, declarou R$ 733.568,99 e obteve 29.408 votos. Assim como Botelho e os demais candidatos citados, ambos terminaram sem mandato apesar de terem declarado despesas superiores às de vários concorrentes eleitos.
Os números mostram que o volume de gastos de uma campanha não se converte automaticamente em uma vaga no Legislativo. Nas eleições proporcionais, a conquista das cadeiras depende não apenas da votação individual, mas também do desempenho dos partidos e federações na distribuição das vagas.
Os valores correspondem às despesas contratadas declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 23 de outubro e ainda podem sofrer atualizações. As votações foram conferidas no arquivo de resultados eleitorais de Mato Grosso gerado nesta sexta-feira.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



