Defesa nega adolescente em fotos, abre ofensiva contra vereador e promete buscar cassação em Sinop
Advogado afirma que imagens foram compartilhadas com consentimento em lista restrita, anuncia ações cível e criminal e acusa o parlamentar do PSDB e corregedor da Câmara de perseguição política e suposto uso da estrutura pública contra adversários.
Por Daniel Trindade11 min de leitura

A defesa de Vinicius Matheus Claudino da Rocha apresentou, na manhã desta terça-feira (14), documentos, conversas e publicações para contestar a denúncia de que o servidor comissionado da Prefeitura de Sinop teria divulgado imagens íntimas de mulheres no Instagram, entre elas uma suposta adolescente de 15 anos.
A entrevista coletiva foi conduzida pelo advogado Márcio Ronaldo de Deus da Silva. O encontro havia sido convocado oficialmente para esclarecer o que a defesa classificou como “ofensas e ataques” dirigidos ao servidor pelo vereador Marcos Vinícius Borges, do PSDB, que também ocupa a função de corregedor da Câmara Municipal de Sinop.
Durante a coletiva, Márcio de Deus negou que uma adolescente apareça nas fotografias, afirmou que as mulheres autorizaram a produção e o compartilhamento das imagens e sustentou que o conteúdo nunca foi publicado de maneira aberta no perfil de Vinicius.
Segundo o advogado, as fotografias foram disponibilizadas apenas na ferramenta “Melhores Amigos” do Instagram, que restringe o acesso às pessoas escolhidas pelo titular da conta. A defesa afirmou que a lista era formada por quatro ou cinco pessoas próximas.
Marcos Vinícius teria sido incluído porque Vinicius trabalhava em sua assessoria na Câmara de Sinop e mantinha uma relação de confiança com o parlamentar.
“Todas as fotos foram publicadas nos ‘Melhores Amigos’. Eram poucas pessoas, e o Marcos Vinícius entrou porque o meu cliente trabalhava com ele”, declarou Márcio de Deus.
A defesa sustentou que todas as mulheres retratadas haviam autorizado as fotografias e também concordado com a publicação dentro daquela lista restrita. Uma das imagens, conforme o advogado, teria sido colocada no Instagram para que os amigos soubessem quem era a mulher com quem Vinicius mantinha um relacionamento naquele período.
Os registros teriam sido feitos há aproximadamente três ou quatro anos e estariam relacionados a relacionamentos anteriores. O advogado afirmou que as fotografias não foram utilizadas com a intenção de humilhar, explorar sexualmente ou expor publicamente as mulheres.
Márcio de Deus também negou que as imagens apresentassem nudez explícita. Segundo ele, seriam fotografias sensuais trocadas de forma consentida entre pessoas que mantinham relacionamentos afetivos.
A principal contestação envolve a informação de que uma adolescente de 15 anos estaria entre as pessoas supostamente expostas.
“Não é uma adolescente de 15 anos. Ele mente quando fala isso”, declarou o advogado ao se referir à versão apresentada pelo vereador.
A defesa afirmou que a mulher mencionada já era maior de idade quando a fotografia foi produzida. Atualmente, ainda segundo o advogado, ela possui família e filhos e não deseja ser identificada nem voltar a ter sua vida pessoal exposta.
Márcio de Deus não apresentou publicamente os documentos pessoais da mulher, sob a justificativa de preservar sua intimidade. A idade que ela tinha na data do registro e o consentimento alegado pela defesa ainda deverão ser confirmados pelas autoridades responsáveis pela apuração.
O fato de a mulher ser atualmente adulta não comprova, isoladamente, qual era sua idade na data da fotografia. Esse ponto dependerá da análise dos arquivos originais, das datas e de documentos de identificação, sem necessidade de divulgação pública de sua identidade.
O advogado também ressaltou que nenhuma das mulheres retratadas teria procurado a polícia para registrar a denúncia. O boletim de ocorrência foi apresentado pelo próprio Marcos Vinícius.
Conforme a cronologia narrada pela defesa, o vereador foi incluído na lista de “Melhores Amigos” em maio e permaneceu com acesso às publicações por aproximadamente 60 dias. A denúncia só teria sido formalizada em julho, depois que Vinicius deixou a assessoria do parlamentar para trabalhar na Prefeitura de Sinop.
“Ele ficou de maio até julho sabendo que essas fotos existiam. Só veio denunciar depois que o Vinicius saiu da assessoria e foi trabalhar na Prefeitura”, afirmou Márcio de Deus.
Para a defesa, a sequência dos acontecimentos coloca em dúvida a motivação da denúncia. O advogado questionou por que o parlamentar teria permanecido cerca de dois meses com acesso ao conteúdo antes de procurar a delegacia.
Márcio de Deus chegou a levantar a hipótese de eventual prevaricação. A declaração, entretanto, representa a interpretação jurídica da defesa, e não uma conclusão policial ou judicial. Para que esse crime seja reconhecido, seria necessário demonstrar que um agente público retardou ou deixou de praticar indevidamente um ato de ofício para atender a interesse ou sentimento pessoal.
O advogado afirmou que, apesar da repercussão alcançada pelo caso, não existia, até a realização da coletiva, uma ação penal contra Vinicius decorrente da denúncia, mas um boletim de ocorrência ainda sujeito à apuração.
A defesa criticou a utilização do documento como se fosse prova suficiente da prática de um crime. Márcio de Deus sustentou que um boletim de ocorrência registra uma narrativa inicial e precisa ser seguido de investigação, produção de provas e análise das autoridades.
Ao mesmo tempo, o advogado afirmou que já foram apresentadas medidas judiciais nas esferas cível e criminal contra Marcos Vinícius.
Segundo Márcio de Deus, a defesa pretende obter indenização pelos prejuízos provocados à imagem de Vinicius, retirar da internet vídeos e publicações que continuam circulando e responsabilizar os envolvidos na divulgação das acusações.
“Já ingressamos com ação na Justiça. Vamos requerer indenização, pedir para retirar todos os vídeos que estão em circulação e buscar a reparação dos danos que esse rapaz está sofrendo”, declarou.
Os números dos processos, as petições e os comprovantes de protocolo não foram apresentados durante a coletiva. Por esse motivo, o conteúdo exato e a tramitação das medidas anunciadas ainda não puderam ser verificados de forma independente.
Márcio de Deus também anunciou que pretende levar o confronto ao campo político e buscar a cassação do mandato de Marcos Vinícius.
“Ele será responsabilizado, porque esse advogado só descansa quando ele estiver cassado”, afirmou.
Até o momento, não foi apresentada publicamente uma denúncia político-administrativa contra o parlamentar nem confirmada a abertura de um processo de cassação na Câmara. Uma eventual perda de mandato dependerá de procedimento formal, direito de defesa e votação dos vereadores.
A condição de Marcos Vinícius como vereador do PSDB e corregedor da Câmara amplia a dimensão institucional das acusações. A defesa questiona justamente a conduta de quem ocupa uma função ligada ao acompanhamento do comportamento parlamentar dentro do Legislativo.
Durante a coletiva, Márcio de Deus apresentou um acervo digital de 20 páginas, datado de 10 de julho de 2026. O material reúne publicações no Instagram, reportagens, postagens antigas atribuídas ao parlamentar e capturas de conversas realizadas por WhatsApp.
A apresentação mostra a repercussão alcançada pela denúncia em veículos locais e estaduais. Entre as manchetes compiladas aparecem expressões como “adolescente entre as vítimas”, “mulheres nuas no Instagram”, “servidor acusado de compartilhar fotos íntimas” e “divulgação de imagens íntimas de adolescente”.
A defesa utiliza o acervo para sustentar que Vinicius foi submetido a uma condenação pública antes mesmo da conclusão de qualquer investigação.
O material também reproduz um conteúdo apresentado nas redes sociais como relato de uma suposta vítima. Em outra parte, são exibidas capturas de uma conversa de WhatsApp na qual uma mulher demonstra surpresa ao ser questionada sobre um vídeo divulgado e pede que o material seja encaminhado a ela.
Segundo a interpretação apresentada por Márcio de Deus, a conversa indicaria que a mulher não tinha conhecimento prévio sobre a gravação ou a divulgação do conteúdo atribuído a ela.
Os prints, porém, ainda precisam ter autoria, integridade, origem e contexto confirmados. O acervo apresentado não contém laudo pericial sobre os aparelhos, as contas ou os arquivos originais.
A defesa também exibiu publicações antigas de um perfil no então Twitter, atualmente denominado X, que atribui a Marcos Vinícius. As postagens são datadas principalmente de 2016 e contêm comentários sexualizados e expressões depreciativas sobre mulheres.
Márcio de Deus afirmou que o conteúdo seria incompatível com o discurso adotado pelo vereador na Câmara ao declarar que atua em defesa das mulheres de Sinop.
A reportagem opta por não reproduzir integralmente as expressões por serem ofensivas e desnecessárias para a compreensão dos fatos.
“A pessoa que se refere a qualquer mulher com esse tipo de palavreado, principalmente alguém que representa a população, não merece o meu respeito. As mulheres de Sinop querem e precisam ser respeitadas”, declarou o advogado.
Em outro momento, a defesa apresentou uma captura de conversa atribuída ao vereador na qual o autor utiliza linguagem depreciativa ao mencionar uma mulher com quem teria mantido uma relação anteriormente.
Márcio de Deus acusou Marcos Vinícius de tratar mulheres como objetos e afirmou que o parlamentar não poderia se apresentar publicamente como representante das mulheres sinopenses enquanto mantivesse esse tipo de comportamento.
A autenticidade das postagens e das mensagens ainda não foi confirmada por perícia. A defesa as apresentou como pertencentes ao vereador, mas a confirmação técnica depende da análise das contas, aparelhos e arquivos originais.
Outro ponto levantado na coletiva foi a existência de 26 boletins de ocorrência nos quais, segundo o advogado, Marcos Vinícius teria sido mencionado.
Márcio de Deus disse ter realizado um levantamento sobre a vida pregressa do parlamentar e citou registros relacionados a supostas situações envolvendo clientes, servidores públicos, policiais e mulheres, além de alegações de estelionato, ameaças e danos ao patrimônio.
O conteúdo completo dos 26 registros e o resultado de cada procedimento não foram apresentados. Não há informação suficiente para saber quantos foram arquivados, quantos resultaram em investigação, quantos chegaram ao Judiciário ou se houve condenações.
Por essa razão, esses boletins não podem ser chamados automaticamente de antecedentes criminais nem tratados como prova de que Marcos Vinícius cometeu os fatos narrados.
A defesa utilizou justamente essa distinção para atacar a forma como o boletim contra Vinicius foi divulgado.
Segundo Márcio de Deus, se a simples existência de um registro policial permitisse classificar alguém como criminoso, o mesmo raciocínio teria de ser aplicado a qualquer pessoa mencionada em boletins de ocorrência, inclusive ao vereador.
Além de contestar a denúncia das fotografias, a defesa apresentou uma acusação relacionada ao período em que Vinicius trabalhou no gabinete de Marcos Vinícius.
De acordo com o advogado, o servidor teria sido contratado para produzir conteúdos digitais destinados a atacar outros integrantes da Câmara Municipal de Sinop.
Márcio de Deus afirmou que esse trabalho teria sido pago com recursos públicos e que o objetivo seria criar uma rede de perfis ou “robôs” para ampliar ataques nas redes sociais contra vereadores considerados adversários políticos.
O vereador Gilsimar Silva foi citado como um dos supostos alvos. A defesa afirmou possuir ao menos um conteúdo digital produzido contra ele durante o período em que Vinicius trabalhava na assessoria de Marcos Vinícius.
A acusação é grave porque, se comprovada, poderá levantar questionamentos sobre eventual utilização de servidor, dinheiro ou estrutura da Câmara para atender a interesses pessoais e políticos.
Durante a coletiva, entretanto, não foram apresentados contratos, comprovantes de pagamento, ordens formais do vereador, informações técnicas sobre os perfis ou perícia que comprove a existência de uma rede coordenada de contas.
A defesa afirmou que poderá encaminhar novos documentos às autoridades e aos órgãos responsáveis pela fiscalização do Legislativo.
A versão apresentada por Márcio de Deus é de que a denúncia contra Vinicius surgiu somente depois que ele rompeu a relação profissional com Marcos Vinícius e aceitou um cargo na Prefeitura.
Para o advogado, o antigo colaborador passou a ser tratado como alvo político quando deixou o gabinete e mudou de grupo dentro da administração pública.
Márcio de Deus acusou o vereador de utilizar a posição de parlamentar, advogado e corregedor para ampliar a repercussão das acusações antes da conclusão da investigação.
Segundo a defesa, a exposição fez com que Vinicius deixasse de trabalhar, recebesse ameaças e enfrentasse forte desgaste pessoal. O advogado afirmou que os pais e demais familiares do servidor também foram diretamente atingidos.
“Um processo criminal é uma coisa muito séria porque pode acabar com a vida de uma família. Não se pode registrar um boletim e sair afirmando que uma pessoa cometeu um crime antes da investigação”, declarou.
A Polícia Civil deverá esclarecer quem aparece nas fotografias, qual era a idade de cada pessoa na data dos registros, se houve autorização para a produção e para o compartilhamento das imagens, quantas pessoas integravam a lista de “Melhores Amigos” e em que momento Marcos Vinícius teve acesso ao conteúdo.
Também deverão ser analisados os prints, as mensagens e as publicações apresentadas pela defesa, além da acusação de possível utilização da estrutura da Câmara para produzir ataques digitais contra Gilsimar Silva e outros parlamentares.
O fato de as fotografias terem sido publicadas em uma lista restrita não encerra, sozinho, a discussão sobre eventual responsabilidade. Será necessário verificar se houve consentimento não apenas para a produção das imagens, mas também para o compartilhamento com terceiros.
A defesa sustenta que Vinicius não publicou as fotografias em um perfil aberto, não expôs uma adolescente e possuía autorização das mulheres retratadas. Essas afirmações ainda precisam ser confirmadas durante a apuração.
Da mesma maneira, as acusações contra Marcos Vinícius — vereador do PSDB e corregedor da Câmara de Sinop, incluindo perseguição política, demora na comunicação do caso, autoria das mensagens e eventual uso da estrutura pública para ataques digitais, dependem de comprovação.
O espaço permanece aberto para manifestação da Câmara Municipal de Sinop, da Prefeitura, de Gilsimar Silva e das demais pessoas mencionadas.
A entrevista coletiva foi conduzida pelo advogado Márcio Ronaldo de Deus da Silva. O encontro havia sido convocado oficialmente para esclarecer o que a defesa classificou como “ofensas e ataques” dirigidos ao servidor pelo vereador Marcos Vinícius Borges, do PSDB, que também ocupa a função de corregedor da Câmara Municipal de Sinop.
Durante a coletiva, Márcio de Deus negou que uma adolescente apareça nas fotografias, afirmou que as mulheres autorizaram a produção e o compartilhamento das imagens e sustentou que o conteúdo nunca foi publicado de maneira aberta no perfil de Vinicius.
Segundo o advogado, as fotografias foram disponibilizadas apenas na ferramenta “Melhores Amigos” do Instagram, que restringe o acesso às pessoas escolhidas pelo titular da conta. A defesa afirmou que a lista era formada por quatro ou cinco pessoas próximas.
Marcos Vinícius teria sido incluído porque Vinicius trabalhava em sua assessoria na Câmara de Sinop e mantinha uma relação de confiança com o parlamentar.
“Todas as fotos foram publicadas nos ‘Melhores Amigos’. Eram poucas pessoas, e o Marcos Vinícius entrou porque o meu cliente trabalhava com ele”, declarou Márcio de Deus.
A defesa sustentou que todas as mulheres retratadas haviam autorizado as fotografias e também concordado com a publicação dentro daquela lista restrita. Uma das imagens, conforme o advogado, teria sido colocada no Instagram para que os amigos soubessem quem era a mulher com quem Vinicius mantinha um relacionamento naquele período.
Os registros teriam sido feitos há aproximadamente três ou quatro anos e estariam relacionados a relacionamentos anteriores. O advogado afirmou que as fotografias não foram utilizadas com a intenção de humilhar, explorar sexualmente ou expor publicamente as mulheres.
Márcio de Deus também negou que as imagens apresentassem nudez explícita. Segundo ele, seriam fotografias sensuais trocadas de forma consentida entre pessoas que mantinham relacionamentos afetivos.
A principal contestação envolve a informação de que uma adolescente de 15 anos estaria entre as pessoas supostamente expostas.
“Não é uma adolescente de 15 anos. Ele mente quando fala isso”, declarou o advogado ao se referir à versão apresentada pelo vereador.
A defesa afirmou que a mulher mencionada já era maior de idade quando a fotografia foi produzida. Atualmente, ainda segundo o advogado, ela possui família e filhos e não deseja ser identificada nem voltar a ter sua vida pessoal exposta.
Márcio de Deus não apresentou publicamente os documentos pessoais da mulher, sob a justificativa de preservar sua intimidade. A idade que ela tinha na data do registro e o consentimento alegado pela defesa ainda deverão ser confirmados pelas autoridades responsáveis pela apuração.
O fato de a mulher ser atualmente adulta não comprova, isoladamente, qual era sua idade na data da fotografia. Esse ponto dependerá da análise dos arquivos originais, das datas e de documentos de identificação, sem necessidade de divulgação pública de sua identidade.
O advogado também ressaltou que nenhuma das mulheres retratadas teria procurado a polícia para registrar a denúncia. O boletim de ocorrência foi apresentado pelo próprio Marcos Vinícius.
Conforme a cronologia narrada pela defesa, o vereador foi incluído na lista de “Melhores Amigos” em maio e permaneceu com acesso às publicações por aproximadamente 60 dias. A denúncia só teria sido formalizada em julho, depois que Vinicius deixou a assessoria do parlamentar para trabalhar na Prefeitura de Sinop.
“Ele ficou de maio até julho sabendo que essas fotos existiam. Só veio denunciar depois que o Vinicius saiu da assessoria e foi trabalhar na Prefeitura”, afirmou Márcio de Deus.
Para a defesa, a sequência dos acontecimentos coloca em dúvida a motivação da denúncia. O advogado questionou por que o parlamentar teria permanecido cerca de dois meses com acesso ao conteúdo antes de procurar a delegacia.
Márcio de Deus chegou a levantar a hipótese de eventual prevaricação. A declaração, entretanto, representa a interpretação jurídica da defesa, e não uma conclusão policial ou judicial. Para que esse crime seja reconhecido, seria necessário demonstrar que um agente público retardou ou deixou de praticar indevidamente um ato de ofício para atender a interesse ou sentimento pessoal.
O advogado afirmou que, apesar da repercussão alcançada pelo caso, não existia, até a realização da coletiva, uma ação penal contra Vinicius decorrente da denúncia, mas um boletim de ocorrência ainda sujeito à apuração.
A defesa criticou a utilização do documento como se fosse prova suficiente da prática de um crime. Márcio de Deus sustentou que um boletim de ocorrência registra uma narrativa inicial e precisa ser seguido de investigação, produção de provas e análise das autoridades.
Ao mesmo tempo, o advogado afirmou que já foram apresentadas medidas judiciais nas esferas cível e criminal contra Marcos Vinícius.
Segundo Márcio de Deus, a defesa pretende obter indenização pelos prejuízos provocados à imagem de Vinicius, retirar da internet vídeos e publicações que continuam circulando e responsabilizar os envolvidos na divulgação das acusações.
“Já ingressamos com ação na Justiça. Vamos requerer indenização, pedir para retirar todos os vídeos que estão em circulação e buscar a reparação dos danos que esse rapaz está sofrendo”, declarou.
Os números dos processos, as petições e os comprovantes de protocolo não foram apresentados durante a coletiva. Por esse motivo, o conteúdo exato e a tramitação das medidas anunciadas ainda não puderam ser verificados de forma independente.
Márcio de Deus também anunciou que pretende levar o confronto ao campo político e buscar a cassação do mandato de Marcos Vinícius.
“Ele será responsabilizado, porque esse advogado só descansa quando ele estiver cassado”, afirmou.
Até o momento, não foi apresentada publicamente uma denúncia político-administrativa contra o parlamentar nem confirmada a abertura de um processo de cassação na Câmara. Uma eventual perda de mandato dependerá de procedimento formal, direito de defesa e votação dos vereadores.
A condição de Marcos Vinícius como vereador do PSDB e corregedor da Câmara amplia a dimensão institucional das acusações. A defesa questiona justamente a conduta de quem ocupa uma função ligada ao acompanhamento do comportamento parlamentar dentro do Legislativo.
Durante a coletiva, Márcio de Deus apresentou um acervo digital de 20 páginas, datado de 10 de julho de 2026. O material reúne publicações no Instagram, reportagens, postagens antigas atribuídas ao parlamentar e capturas de conversas realizadas por WhatsApp.
A apresentação mostra a repercussão alcançada pela denúncia em veículos locais e estaduais. Entre as manchetes compiladas aparecem expressões como “adolescente entre as vítimas”, “mulheres nuas no Instagram”, “servidor acusado de compartilhar fotos íntimas” e “divulgação de imagens íntimas de adolescente”.
A defesa utiliza o acervo para sustentar que Vinicius foi submetido a uma condenação pública antes mesmo da conclusão de qualquer investigação.
O material também reproduz um conteúdo apresentado nas redes sociais como relato de uma suposta vítima. Em outra parte, são exibidas capturas de uma conversa de WhatsApp na qual uma mulher demonstra surpresa ao ser questionada sobre um vídeo divulgado e pede que o material seja encaminhado a ela.
Segundo a interpretação apresentada por Márcio de Deus, a conversa indicaria que a mulher não tinha conhecimento prévio sobre a gravação ou a divulgação do conteúdo atribuído a ela.
Os prints, porém, ainda precisam ter autoria, integridade, origem e contexto confirmados. O acervo apresentado não contém laudo pericial sobre os aparelhos, as contas ou os arquivos originais.
A defesa também exibiu publicações antigas de um perfil no então Twitter, atualmente denominado X, que atribui a Marcos Vinícius. As postagens são datadas principalmente de 2016 e contêm comentários sexualizados e expressões depreciativas sobre mulheres.
Márcio de Deus afirmou que o conteúdo seria incompatível com o discurso adotado pelo vereador na Câmara ao declarar que atua em defesa das mulheres de Sinop.
A reportagem opta por não reproduzir integralmente as expressões por serem ofensivas e desnecessárias para a compreensão dos fatos.
“A pessoa que se refere a qualquer mulher com esse tipo de palavreado, principalmente alguém que representa a população, não merece o meu respeito. As mulheres de Sinop querem e precisam ser respeitadas”, declarou o advogado.
Em outro momento, a defesa apresentou uma captura de conversa atribuída ao vereador na qual o autor utiliza linguagem depreciativa ao mencionar uma mulher com quem teria mantido uma relação anteriormente.
Márcio de Deus acusou Marcos Vinícius de tratar mulheres como objetos e afirmou que o parlamentar não poderia se apresentar publicamente como representante das mulheres sinopenses enquanto mantivesse esse tipo de comportamento.
A autenticidade das postagens e das mensagens ainda não foi confirmada por perícia. A defesa as apresentou como pertencentes ao vereador, mas a confirmação técnica depende da análise das contas, aparelhos e arquivos originais.
Outro ponto levantado na coletiva foi a existência de 26 boletins de ocorrência nos quais, segundo o advogado, Marcos Vinícius teria sido mencionado.
Márcio de Deus disse ter realizado um levantamento sobre a vida pregressa do parlamentar e citou registros relacionados a supostas situações envolvendo clientes, servidores públicos, policiais e mulheres, além de alegações de estelionato, ameaças e danos ao patrimônio.
O conteúdo completo dos 26 registros e o resultado de cada procedimento não foram apresentados. Não há informação suficiente para saber quantos foram arquivados, quantos resultaram em investigação, quantos chegaram ao Judiciário ou se houve condenações.
Por essa razão, esses boletins não podem ser chamados automaticamente de antecedentes criminais nem tratados como prova de que Marcos Vinícius cometeu os fatos narrados.
A defesa utilizou justamente essa distinção para atacar a forma como o boletim contra Vinicius foi divulgado.
Segundo Márcio de Deus, se a simples existência de um registro policial permitisse classificar alguém como criminoso, o mesmo raciocínio teria de ser aplicado a qualquer pessoa mencionada em boletins de ocorrência, inclusive ao vereador.
Além de contestar a denúncia das fotografias, a defesa apresentou uma acusação relacionada ao período em que Vinicius trabalhou no gabinete de Marcos Vinícius.
De acordo com o advogado, o servidor teria sido contratado para produzir conteúdos digitais destinados a atacar outros integrantes da Câmara Municipal de Sinop.
Márcio de Deus afirmou que esse trabalho teria sido pago com recursos públicos e que o objetivo seria criar uma rede de perfis ou “robôs” para ampliar ataques nas redes sociais contra vereadores considerados adversários políticos.
O vereador Gilsimar Silva foi citado como um dos supostos alvos. A defesa afirmou possuir ao menos um conteúdo digital produzido contra ele durante o período em que Vinicius trabalhava na assessoria de Marcos Vinícius.
A acusação é grave porque, se comprovada, poderá levantar questionamentos sobre eventual utilização de servidor, dinheiro ou estrutura da Câmara para atender a interesses pessoais e políticos.
Durante a coletiva, entretanto, não foram apresentados contratos, comprovantes de pagamento, ordens formais do vereador, informações técnicas sobre os perfis ou perícia que comprove a existência de uma rede coordenada de contas.
A defesa afirmou que poderá encaminhar novos documentos às autoridades e aos órgãos responsáveis pela fiscalização do Legislativo.
A versão apresentada por Márcio de Deus é de que a denúncia contra Vinicius surgiu somente depois que ele rompeu a relação profissional com Marcos Vinícius e aceitou um cargo na Prefeitura.
Para o advogado, o antigo colaborador passou a ser tratado como alvo político quando deixou o gabinete e mudou de grupo dentro da administração pública.
Márcio de Deus acusou o vereador de utilizar a posição de parlamentar, advogado e corregedor para ampliar a repercussão das acusações antes da conclusão da investigação.
Segundo a defesa, a exposição fez com que Vinicius deixasse de trabalhar, recebesse ameaças e enfrentasse forte desgaste pessoal. O advogado afirmou que os pais e demais familiares do servidor também foram diretamente atingidos.
“Um processo criminal é uma coisa muito séria porque pode acabar com a vida de uma família. Não se pode registrar um boletim e sair afirmando que uma pessoa cometeu um crime antes da investigação”, declarou.
A Polícia Civil deverá esclarecer quem aparece nas fotografias, qual era a idade de cada pessoa na data dos registros, se houve autorização para a produção e para o compartilhamento das imagens, quantas pessoas integravam a lista de “Melhores Amigos” e em que momento Marcos Vinícius teve acesso ao conteúdo.
Também deverão ser analisados os prints, as mensagens e as publicações apresentadas pela defesa, além da acusação de possível utilização da estrutura da Câmara para produzir ataques digitais contra Gilsimar Silva e outros parlamentares.
O fato de as fotografias terem sido publicadas em uma lista restrita não encerra, sozinho, a discussão sobre eventual responsabilidade. Será necessário verificar se houve consentimento não apenas para a produção das imagens, mas também para o compartilhamento com terceiros.
A defesa sustenta que Vinicius não publicou as fotografias em um perfil aberto, não expôs uma adolescente e possuía autorização das mulheres retratadas. Essas afirmações ainda precisam ser confirmadas durante a apuração.
Da mesma maneira, as acusações contra Marcos Vinícius — vereador do PSDB e corregedor da Câmara de Sinop, incluindo perseguição política, demora na comunicação do caso, autoria das mensagens e eventual uso da estrutura pública para ataques digitais, dependem de comprovação.
O espaço permanece aberto para manifestação da Câmara Municipal de Sinop, da Prefeitura, de Gilsimar Silva e das demais pessoas mencionadas.
Publicado originalmente em deixaqueeuteconto.com.br



