Delegado diz ter encontrado "cereja do bolo" que comprova mando no assassinato de Renato Nery
Bruno Abreu afirma que investigação rastreou o pagamento de R$ 200 mil aos intermediários e ao executor; marceneiro foi condenado a 33 anos e 10 meses de prisão
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O delegado Bruno Abreu, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que a investigação sobre o assassinato do advogado Renato Nery reuniu a principal prova que, segundo ele, deve resultar na condenação dos produtores rurais César Sechi e Julinere Goulart Bastos, apontados como mandantes do crime. De acordo com o policial, a apuração comprovou o pagamento de R$ 200 mil destinados aos policiais militares que intermediaram a execução e ao marceneiro Alex Roberto de Queiroz Silva, condenado nesta quarta-feira (16) a 33 anos e 10 meses de prisão.
Bruno Abreu, responsável pelo inquérito, foi a segunda testemunha ouvida no julgamento de Alex Queiroz. Após prestar depoimento no Fórum de Cuiabá, o delegado afirmou à imprensa que encontrou a "cereja do bolo" da investigação ao rastrear a movimentação financeira ligada ao homicídio.
Segundo ele, em crimes de mando, a comprovação do pagamento costuma ser um dos principais desafios, já que os mandantes normalmente não mantêm contato direto com os executores.
"Nós conseguimos comprovar o pagamento da Julinere para o Jackson (policial militar preso acusado de intermediar o assassinato), que fez a distribuição do dinheiro. O que a gente pôde demonstrar ali, durante o inquérito, é que, realmente, o dinheiro do mando sai da conta da Julinere e vai para a conta do Jackson. Para o intermédio. E quem foi ouvido deixou isso claro. As pessoas que não têm nada a ver com isso, que foram até usadas como laranja, declararam tudo. E o que chama mais atenção é que o pagamento não foi de R$199, não foi de R$198, foi de R$200 mil. Encontramos os exatos R$200 mil. Está todo mundo preso, e eu tenho praticamente certeza que vão ser todos condenados para o júri", declarou.
Alex Roberto de Queiroz Silva foi o primeiro dos seis denunciados pelo assassinato a ser levado a julgamento. Após quase dez horas de sessão no Tribunal do Júri, ele foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado, organização criminosa e fraude processual. O réu foi absolvido apenas da acusação de abuso de autoridade e deverá cumprir pena em regime fechado, além de pagar multa e indenização superior a R$ 40 mil.
Durante o interrogatório, Alex confessou ter executado Renato Nery e afirmou que aceitou cometer o crime por causa de dívidas e ameaças feitas por agiotas. Apesar disso, negou conhecer os supostos mandantes e disse que manteve contato apenas com o policial militar da Rotam Heron Teixeira Pena Vieira, preso sob acusação de atuar como intermediário entre o executor e o casal investigado.
Segundo Alex, Heron foi quem lhe repassou, de forma fracionada, quase R$ 100 mil que teria recebido pela execução.
Questionado pelo juiz Marcos Faleiros sobre quem o contratou para matar o advogado, o marceneiro afirmou que, inicialmente, o plano era contratar Heron, mas que ele próprio decidiu executar a vítima.
"Eu fui lá e matei o advogado. Depois falei para ele (Heron) que matei o advogado. E ai ele falou que ia cobrar o pessoal (demais envolvidos), só que eu não sabia quem eram", afirmou. O réu ainda declarou que desistiu da primeira tentativa e voltou no dia seguinte para concluir o crime em razão das ameaças que vinha sofrendo de agiotas.
Sobre a arma utilizada, uma pistola Glock adaptada, Alex apresentou uma versão diferente da sustentada pelo Ministério Público. Enquanto a acusação afirma que o armamento foi fornecido pelo policial militar Ícaro Nathan Santos Ferreira, o condenado disse ter alugado a arma de um integrante do Comando Vermelho conhecido pelo apelido de "Rampa".
A Defensoria Pública, responsável pela defesa de Alex, tentou afastar as acusações de organização criminosa, fraude processual e abuso de autoridade. Argumentou que o réu não possuía vínculo permanente com os demais envolvidos, que queimou as roupas e os capacetes usados no crime apenas para não produzir provas contra si e que não participou do suposto homicídio forjado por policiais após a morte de Renato Nery para incriminar terceiros.
Os jurados, porém, acolheram a maior parte da tese apresentada pelo Ministério Público.
De acordo com as investigações, Alex aguardou a chegada de Renato Nery ao escritório do advogado, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá, e efetuou os disparos quando a vítima descia do veículo. Câmeras de segurança registraram a execução e a fuga do atirador em uma motocicleta. As imagens passaram a integrar o conjunto de provas da Polícia Civil.
Segundo o Ministério Público, Alex foi recrutado pelo policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, apontado como um dos responsáveis por intermediar o assassinato. Heron também responde a outro processo por tráfico de drogas e é investigado por integrar um grupo de mercenários na capital.
Além do delegado Bruno Abreu, também prestou depoimento durante o julgamento Lívia Moreira Gomes Nery, filha da vítima.
A investigação da DHPP concluiu que o homicídio foi motivado por uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Atlântida, em Novo São Joaquim, avaliada em R$ 70 milhões. Conforme a denúncia, Renato Nery foi assassinado após contrariar interesses econômicos de Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi no processo envolvendo a propriedade.
O Ministério Público sustenta que o casal contratou os policiais militares Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira para organizar a execução, recrutar o atirador, intermediar os pagamentos e fornecer a arma utilizada no crime.
Julinere, César e os três policiais militares permanecem presos preventivamente e também responderão por homicídio qualificado perante o Tribunal do Júri.
Ao fixar a pena de Alex, o juiz Marcos Faleiros destacou a estrutura da organização criminosa e considerou a avaliação da autoridade policial de que o caso se assemelha à atuação de milícias, classificando a ação como um "homicídio 'empresariado'".
Bruno Abreu, responsável pelo inquérito, foi a segunda testemunha ouvida no julgamento de Alex Queiroz. Após prestar depoimento no Fórum de Cuiabá, o delegado afirmou à imprensa que encontrou a "cereja do bolo" da investigação ao rastrear a movimentação financeira ligada ao homicídio.
Segundo ele, em crimes de mando, a comprovação do pagamento costuma ser um dos principais desafios, já que os mandantes normalmente não mantêm contato direto com os executores.
"Nós conseguimos comprovar o pagamento da Julinere para o Jackson (policial militar preso acusado de intermediar o assassinato), que fez a distribuição do dinheiro. O que a gente pôde demonstrar ali, durante o inquérito, é que, realmente, o dinheiro do mando sai da conta da Julinere e vai para a conta do Jackson. Para o intermédio. E quem foi ouvido deixou isso claro. As pessoas que não têm nada a ver com isso, que foram até usadas como laranja, declararam tudo. E o que chama mais atenção é que o pagamento não foi de R$199, não foi de R$198, foi de R$200 mil. Encontramos os exatos R$200 mil. Está todo mundo preso, e eu tenho praticamente certeza que vão ser todos condenados para o júri", declarou.
Alex Roberto de Queiroz Silva foi o primeiro dos seis denunciados pelo assassinato a ser levado a julgamento. Após quase dez horas de sessão no Tribunal do Júri, ele foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado, organização criminosa e fraude processual. O réu foi absolvido apenas da acusação de abuso de autoridade e deverá cumprir pena em regime fechado, além de pagar multa e indenização superior a R$ 40 mil.
Durante o interrogatório, Alex confessou ter executado Renato Nery e afirmou que aceitou cometer o crime por causa de dívidas e ameaças feitas por agiotas. Apesar disso, negou conhecer os supostos mandantes e disse que manteve contato apenas com o policial militar da Rotam Heron Teixeira Pena Vieira, preso sob acusação de atuar como intermediário entre o executor e o casal investigado.
Segundo Alex, Heron foi quem lhe repassou, de forma fracionada, quase R$ 100 mil que teria recebido pela execução.
Questionado pelo juiz Marcos Faleiros sobre quem o contratou para matar o advogado, o marceneiro afirmou que, inicialmente, o plano era contratar Heron, mas que ele próprio decidiu executar a vítima.
"Eu fui lá e matei o advogado. Depois falei para ele (Heron) que matei o advogado. E ai ele falou que ia cobrar o pessoal (demais envolvidos), só que eu não sabia quem eram", afirmou. O réu ainda declarou que desistiu da primeira tentativa e voltou no dia seguinte para concluir o crime em razão das ameaças que vinha sofrendo de agiotas.
Sobre a arma utilizada, uma pistola Glock adaptada, Alex apresentou uma versão diferente da sustentada pelo Ministério Público. Enquanto a acusação afirma que o armamento foi fornecido pelo policial militar Ícaro Nathan Santos Ferreira, o condenado disse ter alugado a arma de um integrante do Comando Vermelho conhecido pelo apelido de "Rampa".
A Defensoria Pública, responsável pela defesa de Alex, tentou afastar as acusações de organização criminosa, fraude processual e abuso de autoridade. Argumentou que o réu não possuía vínculo permanente com os demais envolvidos, que queimou as roupas e os capacetes usados no crime apenas para não produzir provas contra si e que não participou do suposto homicídio forjado por policiais após a morte de Renato Nery para incriminar terceiros.
Os jurados, porém, acolheram a maior parte da tese apresentada pelo Ministério Público.
De acordo com as investigações, Alex aguardou a chegada de Renato Nery ao escritório do advogado, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá, e efetuou os disparos quando a vítima descia do veículo. Câmeras de segurança registraram a execução e a fuga do atirador em uma motocicleta. As imagens passaram a integrar o conjunto de provas da Polícia Civil.
Segundo o Ministério Público, Alex foi recrutado pelo policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, apontado como um dos responsáveis por intermediar o assassinato. Heron também responde a outro processo por tráfico de drogas e é investigado por integrar um grupo de mercenários na capital.
Além do delegado Bruno Abreu, também prestou depoimento durante o julgamento Lívia Moreira Gomes Nery, filha da vítima.
A investigação da DHPP concluiu que o homicídio foi motivado por uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Atlântida, em Novo São Joaquim, avaliada em R$ 70 milhões. Conforme a denúncia, Renato Nery foi assassinado após contrariar interesses econômicos de Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi no processo envolvendo a propriedade.
O Ministério Público sustenta que o casal contratou os policiais militares Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira para organizar a execução, recrutar o atirador, intermediar os pagamentos e fornecer a arma utilizada no crime.
Julinere, César e os três policiais militares permanecem presos preventivamente e também responderão por homicídio qualificado perante o Tribunal do Júri.
Ao fixar a pena de Alex, o juiz Marcos Faleiros destacou a estrutura da organização criminosa e considerou a avaliação da autoridade policial de que o caso se assemelha à atuação de milícias, classificando a ação como um "homicídio 'empresariado'".
Publicado originalmente em infoverus.com.br

