Drone do Gaeco monitorou chácara onde vereadores de VG teriam tramado contra Flávia Moretti; VEJA FOTOS
Registros feitos durante a investigação mostram parlamentares e veículos na propriedade rural dias antes da eleição da Mesa Diretora; encontro está entre os episódios apurados na Operação Cathedra Venalis

Vereadores de Várzea Grande foram monitorados por meio de um drone durante o período em que permaneceram reunidos em uma chácara no Distrito da Guia, às vésperas da eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal. As imagens foram produzidas durante diligências do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que investigava informações sobre o encontro.
A reunião foi articulada pelo então candidato à reeleição para a presidência do Legislativo, Wanderley Cerqueira (MDB), que disputava o comando da Casa com Lucas do Chapéu do Sol (PL). Os registros mostram a movimentação de pessoas e veículos dentro da propriedade, além de parlamentares em diferentes pontos da área externa.
Em uma das fotografias, o vereador Braz Jaciro (PSDB) aparece sentado em uma cadeira, de pernas cruzadas, usando camiseta e short brancos, sob árvores. Em outra sequência, um homem identificado no material como o vereador Miguel Júnior (Cidadania) aparece em uma área aberta, ao lado de outras pessoas, vestindo camiseta cinza e short branco.
Imagens registraram movimentação na propriedade
Além das fotografias dos parlamentares, os registros aéreos mostram veículos estacionados e pequenos grupos de pessoas espalhados pelo terreno. O material foi produzido após o Gaeco receber informações sobre a concentração de vereadores na chácara.
Um relatório de inteligência elaborado no início da apuração registrou intensa movimentação na propriedade rural e apontou a presença de parlamentares. Naquele momento, os investigadores buscavam verificar informações recebidas sobre o encontro e possíveis irregularidades relacionadas à eleição interna da Câmara.
A reunião ocorreu nos dias que antecederam a votação da Mesa Diretora, realizada em maio. Mais de dez vereadores permaneceram na propriedade enquanto aguardavam a sessão que definiria o comando do Legislativo municipal.
Encontro entrou na investigação da Cathedra Venalis
As suspeitas relacionadas à reunião passaram a integrar a investigação que, meses depois, resultou na deflagração da Operação Cathedra Venalis, nesta terça-feira (20). A apuração busca esclarecer possíveis negociações de vantagens indevidas relacionadas à eleição da Mesa Diretora e outros crimes contra a Administração Pública.
A investigação teve início após uma denúncia anônima encaminhada ao Gaeco, que mencionava uma suposta organização formada por vereadores e possíveis práticas de extorsão, chantagem, corrupção passiva e cárcere privado. As informações deram origem às diligências, mas precisavam ser verificadas pelos investigadores.
A denúncia também levantava suspeitas de que dinheiro em espécie estaria sendo utilizado para comprar votos na disputa interna. Essas alegações integram o objeto da apuração e não representam, por si só, comprovação de que os crimes tenham ocorrido.
Wanderley venceu eleição posteriormente anulada
Na votação realizada em 14 de maio, Wanderley Cerqueira derrotou Lucas do Chapéu do Sol por 12 votos a 11 e foi reeleito presidente da Câmara de Várzea Grande. A escolha, porém, acabou anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após o ministro Dias Toffoli considerar que a eleição para o biênio 2027/2028 havia ocorrido de forma excessivamente antecipada.
A Operação Cathedra Venalis cumpriu 30 mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Entre os investigados estão 13 vereadores de Várzea Grande e dois parlamentares de Cuiabá.
Segundo as informações divulgadas sobre a operação, o objetivo é reunir elementos para esclarecer as suspeitas relacionadas à eleição da Mesa Diretora e individualizar a eventual participação de cada investigado.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



