Wanderley chama ação do Gaeco de “suspeita” e diz que Prefeitura deveria ser alvo
Presidente da Câmara afirma que não deve à Justiça e aponta mais de 50 denúncias de corrupção contra a Prefeitura

O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), classificou como “suspeita” a operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) nesta terça-feira (20), que teve vereadores entre os alvos. O parlamentar criticou a realização de buscas no Legislativo e afirmou que, na avaliação dele, as autoridades deveriam concentrar a atenção na Prefeitura do município.
“Hoje o problema da Várzea Grande não é a Câmara Municipal de Várzea Grande, e sim ali do outro lado, a Prefeitura Municipal de Várzea Grande, que já tem mais de 50 denúncias de corrupção”, declarou Wanderley durante manifestação sobre a operação. Em seguida, completou: “Veio no lugar errado”.
A operação investiga suspeitas de corrupção relacionadas à eleição da Mesa Diretora da Câmara. Apesar das críticas à diligência, Wanderley afirmou respeitar a Justiça e disse estar disposto a prestar esclarecimentos às autoridades. Ele também negou irregularidades e declarou confiar que poderá demonstrar que não cometeu ilícitos.
“Eu também tenho minha consciência tranquila, não tenho nada de errado, minha vida é um livro aberto. Achei muito suspeita essa diligência na casa de alguns colegas vereadores, mas respeito a Justiça, e nós vamos provar, porque eu não devo nada a ninguém”, afirmou.
Vereadores contestam impacto da operação sobre suas imagens
Outros parlamentares de Várzea Grande que foram alvos da operação também se manifestaram durante a sessão da Câmara. Além de afirmarem que estão à disposição das autoridades, eles questionaram os efeitos das buscas sobre suas reputações e cobraram que outras denúncias sejam investigadas.
O vereador Raul Curvo (Republicanos), também alvo da ação, disse ter recebido a diligência com tranquilidade e declarou confiar no esclarecimento dos fatos durante a investigação. Ao mesmo tempo, lamentou o impacto da operação sobre a imagem dos integrantes do Legislativo municipal.
“Mas a mácula, vereador Wanderley, já ficou nos nossos nomes, já estamos maculados. [...] Fomos julgados e sentenciados sem que houvesse nenhuma prova”, declarou Raul, ao criticar a repercussão da operação antes da conclusão das apurações.
A manifestação dos parlamentares ocorre enquanto o Gaeco busca reunir elementos relacionados às suspeitas investigadas. As buscas e apreensões fazem parte da coleta de provas e, por si só, não representam uma condenação ou comprovação de responsabilidade criminal dos alvos.
Braz Jaciro diz que entregou celular e senha aos agentes
O vereador Braz Jaciro (PSDB) afirmou que colaborou com os agentes durante o cumprimento do mandado de busca em sua residência. Segundo ele, autorizou a entrada da equipe e forneceu a senha do celular para auxiliar os trabalhos investigativos.
“Eu, como vereador, estou pronto, entreguei meu celular, pedi para o policial colocar no documento que eu entreguei minha senha, entreguei meu celular, deixei a porta aberta para eles”, relatou.
Além de comentar a diligência, Braz cobrou que o Ministério Público apure outras denúncias. Sem detalhar os casos aos quais se referia, ele afirmou que existem mais de 100 denúncias no órgão e defendeu que as investigações não fiquem restritas a determinados parlamentares.
A declaração amplia o debate político em torno da operação, mas o vereador não apresentou, na manifestação reproduzida, detalhes sobre o conteúdo dessas outras denúncias ou sobre eventuais relações delas com a investigação da eleição da Mesa Diretora.
Alessandro Moreira questiona busca, mas diz que vai colaborar
O vereador Alessandro Moreira (MDB), outro alvo da Operação Cathedra Venalis, afirmou que recebeu os agentes do Gaeco por volta das 5h47. Ele elogiou a conduta dos policiais, mas questionou a necessidade da busca, alegando que já havia manifestado interesse em prestar esclarecimentos às autoridades.
“Como teve essa denúncia em maio, que foi noticiado nos sites, eu sempre me coloquei à disposição, todos nós vereadores que votamos na chapa 1, colocamos à disposição para ir até lá para ser ouvido, mas, no entanto, nós não fomos ouvidos”, afirmou.
Apesar da crítica, Alessandro reconheceu que a diligência foi autorizada judicialmente e disse que pretende contribuir com o trabalho dos investigadores. Segundo ele, a decisão deve ser cumprida, e o parlamentar afirmou estar disposto a fornecer as informações necessárias para esclarecer os fatos.
“Nós temos que respeitar a decisão judicial, se cumpre, e a decisão judicial foi dada para ter a busca, então, que seja feito. E eu aqui estou à disposição da Justiça, que eu puder colaborar para sanar a investigação, para colaborar”, declarou.
Operação cumpre 30 mandados em três municípios
A Operação Cathedra Venalis mobiliza mais de 200 policiais e cumpre 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. A investigação apura a possível atuação de uma organização criminosa voltada à obtenção de vantagens indevidas, à cooptação de agentes públicos e à prática de crimes contra a administração pública.
Em Cuiabá, os vereadores Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos, estão entre os alvos. Em Várzea Grande, além de Wanderley Cerqueira, foram citados Raul Curvo, Braz Jaciro, Cilcinho, Wender Madureira, Sargento Galibert, Dr. Miguel Junior, Lucélia Oliveira, Feitoza, Enfermeiro Emerson, Alessandro Moreira e Gisa Barros.
O foco da apuração é reunir provas sobre possíveis irregularidades relacionadas à eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. A investigação busca esclarecer se houve uma estrutura organizada para obter vantagens indevidas ou cooptar agentes públicos.
Enquanto os vereadores contestam a realização das buscas e defendem o direito de prestar esclarecimentos, o avanço da investigação deverá indicar quais elementos foram reunidos e se há indícios suficientes para atribuir responsabilidades individuais. Até o momento, as suspeitas investigadas não equivalem a uma condenação dos parlamentares citados.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



