Eleição de Gisela Simona como vice-governadora e de cinco deputadas amplia presença feminina nos poderes de MT
Vice-governadora eleita será a segunda mulher a ocupar o cargo, enquanto Câmara terá três deputadas e Assembleia volta a eleger duas mulheres após 16 anos

A eleição de Gisela Simona (União) como vice-governadora de Mato Grosso, na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos), marca o retorno de uma mulher à linha direta de sucessão do Palácio Paiaguás depois de 24 anos. Segunda mulher eleita vice-governadora na história do Estado, ela poderá ainda se tornar a terceira mulher a comandar o Executivo estadual, mesmo que de forma interina, caso precise substituir Pivetta durante eventuais afastamentos ou viagens ao longo dos próximos quatro anos.
A presença feminina também avançou no Legislativo estadual e federal nas eleições de 2026. Pela primeira vez, três das oito vagas de Mato Grosso na Câmara dos Deputados serão ocupadas por mulheres. Na Assembleia Legislativa, duas deputadas foram eleitas diretamente, repetindo um cenário que não era registrado desde 2010, quando Luciane Bezerra e Teté Bezerra, ambas do MDB, conquistaram cadeiras.
Na Câmara, as mulheres representarão 37,5% da bancada de Mato Grosso. As três eleitas superaram individualmente os 100 mil votos e terminaram entre os cinco candidatos mais votados do Estado.
Coronel Fernanda (PL) foi reeleita com 205.064 votos e ficou na primeira colocação geral. Professora Rosa Neide (PT) voltará à Câmara após conquistar 140.351 votos. Ela havia ficado fora do Legislativo em 2022, apesar de ter sido a candidata mais votada individualmente naquele ano, por causa do desempenho de sua federação no sistema proporcional.
A terceira representante feminina será Virginia Mendes (União), ex-primeira-dama de Mato Grosso, que recebeu 102.120 votos. Juntas, as três deputadas somaram 447.535 votos.
Com o resultado, a representação feminina na bancada federal de Mato Grosso passa de uma para três deputadas. Os homens ocuparão as outras cinco cadeiras destinadas ao Estado na Câmara.
Na Assembleia Legislativa, a expansão foi mais tímida, mas encerra uma sequência de três eleições em que apenas uma mulher conseguiu uma cadeira. Samantha Iris (PL), primeira-dama de Cuiabá e vereadora da Capital, foi eleita com 57.900 votos. Alessandra Ferreira (Podemos), primeira-dama de Rondonópolis, conquistou 50.802 votos.
As duas deputadas ocuparão 8,33% das 24 cadeiras da ALMT. Os outros 22 parlamentares, equivalentes a 91,67% da Casa, serão homens.
O resultado representa o dobro da presença feminina escolhida diretamente pelas urnas em relação a 2022, quando apenas Janaina Riva (MDB) foi eleita. Neste ano, Janaina deixou a disputa por uma vaga na Assembleia para concorrer ao Senado, mas terminou a eleição em terceiro lugar e não conseguiu se eleger.
Apesar do aumento em relação aos três últimos pleitos, a nova bancada feminina não é a maior já registrada na Assembleia. Em 2010, Luciane Bezerra e Teté Bezerra foram eleitas simultaneamente. Nas eleições de 2014, 2018 e 2022, apenas Janaina conquistou uma das 24 cadeiras. Em 2025, a Assembleia chegou a ter três mulheres exercendo mandato ao mesmo tempo, mas duas delas eram suplentes.
Considerando as 32 vagas legislativas de Mato Grosso disputadas neste ano — oito para a Câmara Federal e 24 para a Assembleia —, cinco serão ocupadas por mulheres, o equivalente a 15,63%. Os homens ficarão com 27 cadeiras, ou 84,37%.
Quando governador e vice-governador também entram na conta, serão seis mulheres entre os 34 cargos eletivos que compõem o Executivo estadual e as duas bancadas legislativas, uma participação de 17,65%. No Executivo, especificamente, Gisela representa metade dos integrantes da chapa eleita, já que o cargo de vice é uma das duas posições.
A participação feminina, contudo, ainda fica abaixo da proporção de mulheres no eleitorado de Mato Grosso. Dados divulgados pela Justiça Eleitoral em julho apontavam cerca de 1,35 milhão de eleitoras no Estado, aproximadamente 51% do total de pessoas aptas a votar. Os homens representavam 49%.
A diferença aparece na ocupação dos cargos. Embora sejam maioria entre os eleitores, as mulheres terão 37,5% das cadeiras de Mato Grosso na Câmara e apenas 8,33% das vagas da Assembleia Legislativa.
Ainda assim, a eleição deste ano estabelece um marco para a representação do Estado em Brasília. Pela primeira vez, Mato Grosso terá três mulheres ocupando simultaneamente suas oito cadeiras na Câmara dos Deputados.
No Executivo, Gisela também retoma uma trajetória iniciada 24 anos atrás por Iraci França, primeira mulher eleita vice-governadora de Mato Grosso. Ela integrou a chapa de Blairo Maggi em 2002, quando os dois venceram a eleição para o Governo do Estado no primeiro turno. Documentos do TRE-MT daquele pleito registram a diplomação de ambos como governador e vice-governadora eleitos.
Iraci chegou a assumir temporariamente o comando do Estado durante ausências de Maggi e se tornou uma das poucas mulheres a exercer o governo de Mato Grosso. A partir de 2027, Gisela poderá repetir esse caminho sempre que Pivetta se afastar e a sucessão constitucional determinar a passagem do cargo para a vice-governadora.
Outra mulher que ocupou temporariamente o Palácio Paiaguás foi a desembargadora Maria Helena Póvoas, então presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Em outubro de 2021, Mauro Mendes estava em viagem ao exterior e Pivetta, que ocupava o governo interinamente, pediu licença por quatro dias. Pela linha sucessória, Maria Helena assumiu o comando do Executivo estadual.
Até hoje, nenhuma mulher foi eleita diretamente governadora de Mato Grosso. Iraci chegou ao cargo como vice-governadora eleita e assumiu de forma temporária, enquanto Maria Helena chegou ao posto por meio da linha sucessória. Caso Gisela substitua Pivetta durante o mandato iniciado em 2027, ela será a terceira mulher a exercer o comando do Palácio Paiaguás, novamente de maneira interina.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



